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Apostando na crescente maturidade de empresas brasileiras no quesito inovação, a Fisher Venture Builder trouxe um nome de peso para liderar suas iniciativas junto ao público corporativo. Amanda Graciano, que por quase 2 anos foi head de startups do Cubo Itaú, se juntou à empresa como sócia, e vai conduzir o relacionamento com empresas na criação de novos produtos e negócios digitais e tecnológicos.

Conforme adiantado com exclusividade para o Startups, Amanda será líder de uma área recém-formada da venture builder: trata-se de uma evolução de atividades anteriores da Fisher em inovação junto a empresas, que incluiram experiências com negócios como a Basf. A área deve crescer nos próximos meses e a empresa está em tratativas com uma série de organizações interessadas em avançar suas iniciativas de inovação através do modelo de corporate venture building (CVB).

Fruto de uma ponte feita por Arthur Rufino, CEO da Octa, que é uma das empresas do portfólio da Fisher, a conexão entre Amanda e os sócios da venture builder teve início no fim de 2021. Depois de várias conversas em que os sócios falaram sobre suas visões para inovação aberta, bem como uma “intenção genuína” de ter uma liderança diversa, a especialista em inovação decidiu dar o próximo passo e abraçar o novo desafio no início deste ano.

“Como pessoa que tem trabalhando nos últimos anos com inovação em ambientes muito diferentes incluindo essa última experiência no Cubo apoiando uma super geração de negócios na pandemia, estava com a pulga atrás da orelha para tentar entender qual seria o próximo passo. O questionamento era: tem um teto nesta carreira, quais são as outras coisas possíveis de se fazer? Neste meio tempo, acabei descobrindo a Fisher“, diz Amanda.

Do ponto de vista de Carlos Gamboa, sócio da Fisher, Amanda traz para a mesa uma expertise que atende a uma crescente demanda. “Desde a nossa fundação em 2017, várias corporações nos procuraram para construir programas de inovação, para achar startups, enquanto a gente estava montando as nossas próprias startups. A partir de 2019 começamos a trazer um pouco do que fazemos para corporações e precisávamos de uma pessoa dedicada a isso. Mas este perfil é muito raro no mercado”, conta.

“Como temos uma integração cultural muito forte com nossos cofundadores, assim que mencionamos [essa necessidade], o Arthur ligou o radar e nos conectou com a Amanda, como o elo que estávamos buscando, uma pessoa que entende como funcionam as corporações, e ao mesmo tempo sabe lidar com startups”, acrescenta o sócio da Fisher. “Ela junta esse poder de interlocução em uma corporação e a leveza e agilidade das startups e o entendimento do que é importante para cada lado.”

Sócia da Fisher, Amanda Graciano - Startups
A nova sócia da Fisher, Amanda Graciano

Para Daniel Oelsner Lopes, sócio da Fisher, o “match” entre os fundadores da venture builder e a nova integrante do time se deve a uma série de elementos, incluindo aspectos culturais. “Quem conhece a Amanda vê uma inquietude e um espírito questionador, e ao mesmo tempo, dois elementos muito importantes: o efeito rede que ela cria para cada experiência profissional que ela tem, e como ela é uma referência em diversidade”, pontua.

“Entendemos que, para resolver grandes problemas e criar startups de forma serial, é preciso levar esse desafio com leveza e questionar o tempo todo. Além disso, inclusão e diversidade fazem parte do mindset inovador: só assim é possível resolver estes problemas que nos propomos a solucionar de fato,” diz Daniel.

Evolução do mercado

A criação da área de CVB na Fisher reflete uma evolução dos players do ecossistema e traz os aprendizados da venture builder nesta frente, segundo Carlos. “Experimentamos com vários modelos de inovação em empresas, mas a gente sentia também que sem uma área dedicada que falasse a nossa linguagem, acabávamos consumindo o tempo da nossa atividade de criação de negócios, e também reconhecemos que isso é um negócio em si”, pontua.

“Decidimos então pegar um diferencial que pouca gente tem, que é a visão do venture building, já que inovação aberta tem vários players que fazem, e bem. No nosso caso, o que nos diferencia é a [habilidade] de criar negócios digitais. Sentimos que as empresas estão evoluindo para começarem a experimentar nesse campo também,” acrescenta.

No entanto, a Fisher será seletiva em relação aos projetos que vai abraçar. Segundo Carlos, cada conversa com possíveis clientes é uma oportunidade de estabelecer se a visão apresentada pela empresa tem chances de vingar. “Existe uma entrevista reversa nesse momento de interação com a corporação, em que entendemos a maturidade daquela empresa e se aquilo será um case de sucesso”, aponta.

Na avaliação dos sócios da venture builder, há uma dor na geração de valor em empresas no que diz respeito ao engajamento destas organizações com o ecossistema de inovação. “O fato de você ter se conectado com uma startup não vai necessariamente gerar valor com produtos e negócios. Vamos educar o mercado para esta onda de evolução que está acontecendo no resto do mundo e esperamos conseguir ser pioneiros no Brasil neste sentido”, diz Daniel.

Educando sobre corporate venture building

Segundo Amanda, suas vivências serão instrumentais em desenvolver este diálogo e educação de grandes corporações segundo reza o playbook das startups. “Minhas experiências somadas, atuando como interlocutora das duas frentes [de startups e grandes empresas] me ajudaram muito, principalmente na identificação de dores em open innovation. Meu histórico é uma mescla destes dois lugares que não são iguais, sou uma profissional que consegue transitar muito bem nos dois ambientes”, ressalta.

Ate o fim de 2022, a nova sócia da Fisher espera ter construído cases junto a grandes empresas “de forma cadenciada e serial” através da nova área dedicada a esta frente. “Vamos levar nossa metodologia para dentro de empresas, para que estas empresas possam olhar para além do core, o que sem dúvida passa pela criação de negócios e produtos fora do que a organização faz no dia a dia”, ressalta.

Além das soft skills e experiência em open innovation que Amanda traz consigo, aspectos relevantes da nova missão da primeira sócia da Fisher incluem o fato de ser a única mulher, negra, liderando uma função de corporate venture building, um conceito ainda nascente no Brasil.

“Não existe uma mulher negra em CVB, é algo extremamente novo e que estamos criando aqui. Devem ter pouquíssimas no mundo, e eu mesma não sabia que [atuar nessa área] era possível há seis meses atrás. É muito importante a gente começar a contar estas histórias para formar e trazer mais diversidade de profissionais para o ecossistema. Afinal, a gente só vai ter um impacto real, se for com todo mundo”, conclui.

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