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“Se você quer ser um unicórnio [latino], tem que estar no Brasil”. A frase é do peruano Franklin Marcelo, fundador e presidente da startup Flexinumber, que oferece soluções de atendimento ao cliente para startups e pequenas e médias empresas. Embora tenha sido fundada no Vale do Silício, o foco da companhia é a América Latina, onde tem mais de 200 clientes entre México, Colômbia, Equador, Peru, Argentina e Uruguai – e o Brasil é o seu próximo destino.

O negócio surgiu em 2019, depois de Franklin passar uma temporada na Universidade de Stanford, na Califórnia. “Encontrei empresas e pessoas que pensam de forma global, com o desejo de impactar bilhões de pessoas, e esse era o meu sonho”, diz o empreendedor, em entrevista ao Startups. Com a ajuda de mentores da universidade norte-americana, ele fundou a Flexi como uma marca digital para que pudesse trabalhar de qualquer lugar do mundo – Franklin transita entre os Estados Unidos e o Peru com frequência.

“Sempre houve muita dor na América Latina em relação ao atendimento ao cliente. As empresas não têm a mentalidade certa, costumam ver as pessoas como transações”, pontua o executivo. Ele acrescenta que nos últimos anos ficou mais difícil fazer um atendimento de qualidade por conta da diversidade de tecnologias e canais de redes sociais. “São muitos canais, o que torna o atendimento mais complexo.”

Para solucionar esses problemas, a startup criou um app para os funcionários atenderem a linha comercial do escritório no celular. O objetivo é assegurar que nenhuma ligação seja perdida, mesmo se a equipe estiver longe do aparelho de telefone fixo ou trabalhando de forma remota. Se o colaborador não estiver disponível, pode direcionar as chamadas para outra pessoa.

Mas o seu grande foco é o atendimento pelas redes sociais – principalmente o WhatsApp. “É o canal mais poderoso para vender e dar suporte ao cliente”, afirma Franklin. Isso porque a plataforma tem mais de 2 bilhões de usuários ativos no mundo todo, de acordo com dados de Janeiro de 2022 da Statista. No Brasil, a plataforma está instalada em 99% dos smartphones, segundo uma pesquisa realizada em 2020 pela plataforma de comunicação omnichannel Infopib, em parceria com Mobile Time e Opinion Box

De olho nesse potencial, a Flexi desenvolveu a solução WSP Multiagente, com a qual uma empresa pode centralizar todas as mensagens que recebe no e-mail, Facebook, Instagram, Telegram e outras redes sociais no WhatsApp Business. O produto faz parte da FlexiChat, vertical de negócios da Flexi criada justamente para reunir todos os canais de conversa em um único lugar. Com as soluções, a companhia aumentou seu faturamento de US$ 15 mil para US$ 80 mil em pouco mais de 2 anos.

Franklin Marcelo, fundador da Flexi
Franklin Marcelo, fundador da Flexi. Foto: Reprodução/LinkedIn

A Flexi no Brasil

“Está claro que para ser um unicórnio [latino] você precisa estar presente no Brasil, porque o país tem quase 250 milhões de habitantes e é o mercado mais importante da região”, diz Franklin. Por isso, a Flexi está direcionando seus esforços para as terras tupiniquins.

O primeiro desafio é traduzir a plataforma para o português – algo que, segundo o executivo, já está sendo desenvolvido – e criar uma rede de contatos forte. Franklin afirma estar conversando com startups de diferentes setores e também com o Cubo Itaú, hub de inovação e empreendedorismo idealizado pelo Itaú e pelo fundo Redpoint eventures. A ideia é que a Flexi esteja sediada dentro do hub, embora tenha colaboradores remotos em outros países.

“Outra dificuldade será atrair e reter talentos, principalmente para a área comercial”, diz Franklin. Ele explica que a equipe da Flexi fala inglês e espanhol, mas não português. “Precisamos de aliados que falem o idioma do Brasil. Temos um conselheiro importante na região que vai nos ajudar com isso, e também na contratação e recrutamento de pessoas”, pontua.

Para se consolidar no país, a Flexi está investindo em marketing, publicidade e produção de conteúdo digital. A companhia vai oferecer 50% de desconto e 30 dias gratuitos de serviço para os primeiros clientes que se cadastrarem. “Quando as empresas experimentam o produto e veem os benefícios, dificilmente desistem”, diz Franklin.

O executivo também quer participar de eventos presenciais para se aproximar do ecossistema e conversar diretamente com potenciais consumidores. A expectativa é lançar a operação entre outubro e dezembro e fechar o ano com pelo menos 50 clientes locais. Para acelerar a expansão no Brasil, a startup está buscando um aporte de US$ 1,5 milhão, que deve ser concluído nos próximos meses.

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