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Quando as medidas de isolamento começaram a ser adotadas e o comércio eletrônico virou a principal forma de vender produtos e até serviços, varejistas grandes e pequenos entraram em modo barata voa para incorporar ou aprimorar os investimentos feitos nessa opção.

Nove meses depois tem nome grande do setor que ainda não acertou a mão. Mas isso é outra história.

Logo que o movimento de adequação teve início, Rodrigo Miranda passou a receber demandas de redes pedindo que a Shipp, empresa de entregas irmã do mercado autônomo Zaitt, ficasse responsável pelas suas entregas. O formato, no entanto, não agradava muito. “Como o cara vai aprender a fazer a operação tão rápido?”, diz.

Das conversas veio a ideia de criar um novo negócio, que operasse toda a atividade para o cliente, uma espécie de entrega como serviço. Foi então que em junho nasceu a Packk.

A nova companhia se propõe oferecer toda a infraestrutura tecnológica, de atendimento ao cliente e gestão da logística. O foco são as entregas rápidas, feitas em até uma hora.

Em 5 meses de operação, a Packk conquistou seis clientes de grande porte como Nestlé, Intercity Hotels e a Sapore.

O último, aliás, é o atual controlador do grupo Zaitt – composto por Zaitt, Shipp e agora, a Packk. A compra foi anunciada em janeiro. Na mesma oportunidade, a companhia também anunciou a compra da LuccoFit, concorrente da LivUp no segmento de alimentação saudável. O valor das operações não foi revelado, mas integrava um orçamento de R$ 20 milhões que a Abanzai, holding que controla a Sapore e outras seis empresas, tinha destinado para investimentos em startups ao longo do ano.

De acordo com Miranda, a Packk não teve a vida facilitada em sua contratação por ser parte do grupo. “Eles fizeram comparações no mercado. Teve concorrência na escolha”, diz.

Segundo ele, a meta é ter de 30 a 40 contratos em 2021. Na lista de alvos estão redes varejistas, hotéis, shopping centers e até associações comerciais (que podem montar marketplaces para seus associados).

O modelo de contratação pode ser com marca própria do cliente ou do Zaitt. O aplicativo e o site para vendas on-line são entregues em 30 dias. O modelo de remuneração envolve uma taxa inicial de implantação, um pagamento fixo mensal e um componente variável pelo volume transacionado.

Há pouco mais de duas semanas a Linx anunciou a compra da Mercadapp, companhia nascida em Fortaleza em 2015 que desenvolve uma plataforma de comércio eletrônico para supermercados de pequeno e médio porte, por até R$ 10,5 milhões.

De acordo com Miranda, a estruturação do novo negócio não envolveu grandes investimentos. Foi mais uma questão de redirecionar recursos da estrutura já existente na Zaitt e na Shipp. Isso facilitou a apresentação do novo negócio ao controlador, segundo ele. O processo levou cerca de um mês. Tivemos que vender a ideia. Mas o risco era bem baixo. E no fim do dia a relação é bem bacana. Temos autonomia interessante, ele [Daniel Mendez, fundador e presidente da Sapore] confia muito no que estamos fazendo”, diz.

Sobre o desempenho da Zaitt em meio à pandemia, Miranda diz que a empresa teve que se adaptar ao novo momento, passando a ter 50% de sua receita vinda das entregas. Ela ainda teve que suspender seu plano de expansão, além de fechar duas de suas 4 lojas e reduzir o quadro em 30%. “Não me envergonho. Fomos dos primeiros a fazer ajuste porque a Sapore sentiu muito rápido o impacto também”, conta. Segundo ele, as contratações (e recontratações) já estão acontecendo novamente e o olhar para a redução de custos vai permitir um crescimento de forma mais sustentável.

No momento a companhia se prepara para abrir mais 4 lojas, incluindo uma em um empreendimento da construtora Pivô, no bairro da Vila Nova Conceição, na zona Sul de São Paulo. Também está para ser aberta a primeira franquia da rede, na cidade de São José do Rio Preto (SP). “Vamos ter alguns meses de validação e depois acelerar”, diz.

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