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O GetNinjas definiu entre R$ 24,90 e R$ 33,50 a faixa de preço para sua oferta de ações na B3. O objetivo da companhia é levantar R$ 703 milhões, considerando uma valor médio de R$ 29,20. A captação será primária (R$ 469 milhões) e secundária (R$ 234 milhões). Há ainda a possibilidade de lote adicional e suplementar.

A divulgação do preço acontece no momento em que há dúvidas sobre a abertura da atual janela para IPOs por conta das instabilidades políticas e na economia – a ver como o mercado vai agir com a aprovação do orçamento do Governo.

O que pode ajudar a oferta da GetNinjas andar é que a companhia conseguiu âncoras de peso para garantir o investimento. Em comunicado enviado à CVM ontem à noite, a companhia disse que as gestoras Miles Capital e a Verde Asset Management (de Luiz Stuhlberger vão garantir a operação – junto com acionistas vendedores, lista que inclui Saint Gobain, Tiger Global, Monashees e o fundador Eduardo L´Hotellier. O investimento mínimo dos âncoras será de R$ 175 milhões caso o valor da ação na oferta chegue no máximo ao valor previsto para o piso, de R$ 24,90.

Esse é o segundo movimento da Verde para se posicionar no mercado de tecnologia. Em fevereiro, a gestora participou da série F de R$ 1,5 bilhão da Loggi.

O IPO – ou alguma outra saída caso a oferta não se concretize – é uma necessidade de alguns fundos que estão há 10 anos investindo no GetNinjas.

Sobre a empresa

Criada em 2012 por Eduardo L´Hotellier, a GetNinjas tem 130 funcionários e fechou 2020 com receita operacional líquida de R$ 42 milhões, quase o dobro dos R$ 22 milhões registrados em 2019. Em 2018, o total tinha sido de R$ 13,4 milhões.

O número de profissionais ativos chegou a 112 mil em 2020, e o de serviços prestados dobrou, para 4,2 milhões, impulsionado pela busca de trabalho e também de serviços em meio à pandemia. A recorrência dos profissionais na plataforma chegou a 70% em 2020, mais que o dobro dos 34% registrados em 2017. Em termos de usuários, a divisão é 50/50.

Com isso, o volume de dinheiro transacionado na GetNinjas avançou 54%, para R$ 963 milhões. Ao mesmo tempo, o take-rate subiu 1 ponto percentual, chegando a 4,9%. Com a receita maior, o prejuízo foi reduzido de R$ 3 milhões em 2019 para R$ 890 mil em 2020. Em 2018, o prejuízo tinha sido de quase R$ 7 milhões.

Desde sua fundação a GetNinjas levantou mais de R$ 90 milhões em cinco rodadas de investimento. A soma não considera o valor aplicado pelo corporate venture da Saint Gobain em 2018, cujo valor não foi revelado. A captação mais recente da companhia aconteceu em janeiro/21, com a injeção de R$ 40 milhões pela R6Capital.

A GetNinjas é um dos raros casos de empresas que receberam dinheiro da Kaszek e da Monashees. Os fundos, que disputam o título de principal nome do venture capital na América Latina, investiram R$ 1,2 milhão na rodada seed, em 2011, e fizeram uma série A de R$ 5,9 milhões na companhia em 2012 e 2013, respectivamente. Em 2015, ela ainda levantou uma série B de R$ 25 milhões com a Tiger Global.

A oferta tem como principal vendedor a Fosthall Holdings LLC, uma empresa com sede em Delaware (EUA) que detém 98,60% das ações da GetNinjas. O prospecto não traz detalhes sobre a companhia, mas é de se entender que ela é o veículo usado pelos fundos para investir na GetNinjas, e que a liquidez dele virá daí. A Saint Gobain, que tem 1,39% da companhia, também venderá sua fatia. L´Hotelier, que aparece com 2 ações (0,01% do total), também é um vendedor.

O BTG é o coordenador da oferta, com o J.P. Morgan como agente estabilizador. O UBS BB e o Bradesco BBI são os outros coordenadores. A Laplace Finanças atuou com assessor financeiro.

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