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Achou que com a estiagem e a racionalização do mercado de venture capital o nascimento de unicórnios ia parar? Achou errado! A Dock (antiga Conductor) uma veterana nacional no segmento de serviços financeiros para fintechs e outras empresas – o famoso Banking as a Service (BaaS) – acaba de entrar para o time. Isso devido à sua mais recente captação, em que levantou US$ 110 milhões em rodada liderada por Lightrock e Silver Lake. A rodada também teve a participação dos já investidores Riverwood Capital, Viking Global Investors e Sunley House Capital. A companhia também tem como um de seus principais acionistas a Visa.

Com o aporte, a fintech passou a ser avaliada em US$ 1,5 bilhão, se tornando a quinta empresa latino-americana a virar unicórnio em 2022 – as outras são a Neon, Technisys, Betterfly e a Habi, proptech colombiana que também teve a sua “unicornização” esta semana.

Segundo destacou a Dock em nota, os recursos da captação serão destinados ao desenvolvimento de novos produtos, contratação de novos talentos, e expansão internacional – ela já tem uma operação fixa no México, após a compra da startup local Cacao em dezembro/21. Além disso, a fintech possui outros clientes fora do Brasil, em mercados como Colômbia e Peru.

Para o presidente da empresa, Antônio Soares, esta captação de growth capital é “apenas o começo” para a startup, pois valida a visão da companhia em levar soluções que resolvem problemas reais de negócios para os clientes, democratizando e aumentando o acesso a serviços financeiros.

“Agregamos valor porque pagamentos e serviços bancários são negócios complexos globais com especificidades locais, e entendemos isso melhor do que ninguém”, destaca, apontando que a empresa deve focar em serviços como os de embedded finance (serviços financeiros oferecidos por clientes que não são do setor) como um vetor de expansão.

Antonio Soares, CEO da Dock. Foto: divulgação

Longa estrada

Apesar de ter assumido a forma que tem hoje apenas em 2021, a partir da fusão de três marcas (Dock, Muxi e Conductor), a Dock pode ser considerada uma pioneira dos serviços financeiros digitais no Brasil. A Conductor foi por mais de 20 anos um player no segmento de cartões no Brasil, sendo comprada pela Riverwood em 2014, e em 2018 lançou seu braço de banking as a service.

O atual presidente, Antonio Soares, está na operação desde 2012, depois de ter saído da Accenture, onde trabalhou por anos como executivo na vertical financeira.

Atualmente, a fintech já tem mais de 300 clientes em sua carteira de clientes, atendendo fintechs como C6 e Neon, e fornecendo serviços financeiros para marcas de outros setores, como Lojas Renner, Ambev e Pernambucanas. Em 2021, a startup fechou o ano com uma receita de R$ 456 milhões, contabilizando mais de 65 milhões de contas digitais ativas.

Mercado movimentado

O aporte recebido pela Dock continua a intensa movimentação dos fundos para apostar no segmento de BaaS na América Latina. De um ano pra cá, várias fintechs latino-americanas estão recebendo cheques para impulsionar suas soluções focadas em terceirizar infraestrutura de serviços bancários – para outras fintechs, empresas de outros setores, players de cripto e embedded finance.

Em outubro do ano passado, a brasileira Swap recebeu R$ 135 milhões em uma rodada liderada pela Tiger Global. No mesmo mês, a argentina Pomelo (que está crescendo na América Latina e tem forte atuação no Brasil) recebeu R$ 190 milhões, em rodada também liderada pela Tiger Global. Já na última rodada da Hash, realizada também em outubro, quem puxou a rodada série C foram QED e Kaszek, liberando um aporte de R$ 235 milhões. Mais recentemente, em abril, a plataforma de open finance Celcoin levantou R$ 85 milhões junto à gestora Innova Capital.

Agora com o aporte recebido pela Dock – mais que o dobro do valor médio recebido pelas outras startups – vamos ver como a competição vai se acirrar nos próximos meses. Aqui no Startups já estamos colocando a pipoca para estourar.

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