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A telemedicina por si só deixou de ser uma grande novidade no mundo de saúde – e já foi até regulamentada no Brasil. Agora, depois de 2 anos de pandemia, startups e empresas do setor precisam buscar novas ferramentas para melhorar o acesso e a experiência do paciente e facilitar o trabalho das instituições de saúde.

É com essa premissa que nasceu a knok, healthtech portuguesa fundada em 2015 por José Bastos e João Magalhães. A companhia criou uma inteligência artificial que identifica a frequência cardíaca, respiratória e a pressão arterial do paciente pela câmera do celular ou do computador durante a vídeo-consulta. Além da leitura dos sinais vitais, a plataforma permite a triagem online dos sintomas, prontuário eletrônico, agendamento da consulta, cálculos de risco e armazenamento de dados para fornecer insights clínicos.

“Nosso diferencial é não ter só a telemedicina. Trabalhamos com todo um contexto de dados que são recolhidos ao longo da jornada do paciente”, afirma João, diretor de tecnologia da knok. O modelo é o que a startup chama de telemedicina aumentada. “O médico pode monitorar o paciente ao longo do tempo, reduzindo o número de episódios agudos e internações, o que diminui os custos para as instituições de saúde.”

O negócio já pivotou algumas vezes. No início, a proposta era conectar pacientes a médicos a domicílio – o nome knok é uma referência ao “bater na porta” em inglês (knock). Alguns anos depois os fundadores decidiram migrar para o B2B e lançar a ferramenta de telemedicina, que evoluiu para a atual plataforma inteligente de atendimento online e gerenciamento das consultas. 

João afirma que cerca de 80% dos cuidados primários que chegam à startup são resolvidos de forma remota. A companhia já realizou mais de 100 mil consultas e hoje cobre mais de 5,1 milhões de pacientes em 12 países, incluindo Portugal, Inglaterra e, agora, o Brasil.

João Magalhães e José Bastos, cofundadores da knok
João Magalhães e José Bastos, cofundadores da knok

Knok no Brasil

Embora já tivesse clientes brasileiros, a knok chegou oficialmente por aqui em junho, com a abertura de um escritório em Curitiba. A escolha da capital paranaense aconteceu porque o diretor de desenvolvimento de negócios da startup, Eduardo Schewtschik, já vivia na região trabalhando remotamente com a sede em Portugal. 

“Sabemos que Curitiba é um importante parque tecnológico no Brasil e faz muito sentido estarmos nesse meio”, acrescenta João. A companhia tem uma equipe de 9 pessoas entre comercial e suporte, mas o executivo ainda quer montar um time local de desenvolvedores para customizar a plataforma a partir das necessidades dos brasileiros, embora não tenha uma estimativa de quando isso deve acontecer.

A knok desembarca por aqui 1 mês depois de o Conselho Federal de Medicina (CFM) regulamentar a telemedicina no país. A norma dá ao médico a autonomia de decidir se utiliza ou não a telemedicina, indicando o atendimento presencial sempre que considerar necessário. Além disso, determina que os dados e imagens dos pacientes sejam preservados para assegurar o respeito ao sigilo médico.

“Acompanhamos toda a mudança na legislação brasileira ao longo do tempo. O Brasil é um país enorme, mas com o acesso à saúde de qualidade ainda concentrado em apenas algumas regiões”, afirma João. Ele enxerga a telemedicina como uma alternativa importante para democratizar o acesso no país.

Questionado sobre as diferenças do setor no Brasil e em Portugal, o empreendedor ressalta um ponto principal. “O Brasil é um mercado muito dominado pelos planos de saúde e os pacientes ainda enfrentam problemas para conseguir consultas e acompanhamentos pelo SUS. Em Portugal, embora a procura por planos de saúde esteja crescendo, a busca pelo sistema público ainda é extremamente relevante”, pontua.

Hoje o Brasil tem mais de 49 milhões de pessoas vinculadas a algum tipo de convênio médico, de acordo com a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Segundo a entidade, o número – que representa um aumento de 2,6% em relação a março de 2021 – demonstra que o setor de assistência médica suplementar continua aquecido. 

Para atrair clínicas, hospitais e operadoras, a knok desenvolveu programas digitais de acompanhamento dos pacientes. Tratamento de hipertensão, burnout e saúde do idoso são algumas das verticais oferecidas. A solução é testada e validada por uma equipe clínica de cerca de 400 médicos ativos em Portugal. Como parte da estratégia de escala a startup não descarta vender a solução para empresas que querem fornecê-las a seus colaboradores.

A healthtech já atende os hospitais Angelina Caron, Rocio e Pequeno Príncipe, no Paraná, além de operadoras distribuídas pelo país. Além disso, a companhia afirma estar em conversas com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) para promover o acesso à saúde de qualidade nas comunidades indígenas. Segundo João, a meta da knok é chegar a “milhões de pessoas no Brasil” e gerar uma receita recorrente mensal de R$ 500 mil com o apoio de uma equipe de marketing, vendas e sucesso do cliente.

A expansão para o Brasil foi possível graças a um aporte de 4,4 milhões de euros coliderado pelo Fundo NOS 5G e Triple Point, ambos de Portugal. A rodada série A foi anunciada em novembro de 2021 e contou com a participação do Fundo de Inovação Social e do fundo Mustard Seed MAZE (MSM), com foco em iniciativas de impacto social e ambiental.

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