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Hent abre pré-série A e recebe R$ 500 mil da Virgo Ventures

Proptech do Recife quer levantar R$ 10 mi para ganhar fôlego e fazer uma rodada maior; aporte é o 2º do braço de CVC da Virgo

Por Gustavo Brigatto, em 31 de agosto de 2021

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A Hent, proptech de Recife que atua no segmento de loteamentos, está na rua com uma rodada pré-série A para de R$ 10 milhões. A ideia é capitalizar a empresa e deixá-la em um patamar mais interessante para uma captação mais parruda, na faixa de US$ 15 milhões a US$ 20 milhões no ano que vem.

Como 1º cheque dessa estratégia, a companhia levantou R$ 500 mil com a Virgo Ventures, o braço de corporate venture da Virgo, empresa de serviços e soluções financeiras para o mercado de capitais que até junho era conhecida como ISEC Securitizadora. Falaremos deles daqui a pouco.

Voltando à Hent. Segundo Léo Pinho, cofundador da companhia, a ideia da rodada ponte antes da série A é buscar nomes fora do mercado de venture capital convencional que ajudem a desenvolver e acelerar novos produtos, como o GiroHent, a linha de capital de giro para loteadores oferecida por ela. “Tem loteador que passa R$ 300 mil por mês com a gente. Isso pode virar crédito pra ele”, diz.

Segundo Léo, a Virgo já era uma cliente da Hent, com o direcionamento de algumas demandas de crédito de seus clientes para eles. Agora como sócias, elas pretendem desenvolver novas ofertas que atendam todo o ciclo financeiro dos loteadores, como um módulo de securitização e novos produtos de capital de giro, como uma modalidade voltada a tíquetes menores e mais frequentes – indo de R$ 50 mil a R$ 500 mil.

Recentemente a Hent colocou no ar um fundo para oferta de crédito para refinanciamento de dívidas, compra de lotes e até construção de R$ 25 milhões no modelo de barriga de aluguel. A ideia é testar as águas para, em uns 6 meses, montar um veículo próprio, de R$ 100 milhões. “Até uns 8 meses atrás a gente não sabia muito bem o que fazer com crédito. Mas achamos um produto bom e parece que estamos chegando no market fit”, diz Léo.

Criada em 2019 por David Aragão (que vendeu a Motonow para a Loggi) Leo Pinho (que vendeu a Kaplen para o Itaú) e Thiago Diniz (que vendeu a Eventick para a Sympla), a Hent levantou US$ 1,8 milhão em sua rodada seed, segundo o Crunchbase. Os recursos foram investidos por Y Combinator, Canary e a Norte Capital.

A empresa tem hoje 17 funcionários e está com cerca de 12 vagas em aberto. A companhia tem transacionado R$ 60 milhões por ano. A ideia é multiplicar esse volume por 4 ou 5 vezes em um prazo de 12 meses.

Os fundadores da Hent: Thiago Diniz (à esq.), CTO; Leo Pinho, CEO e David Aragão, CPO

Mas e a Virgo?

O aporte na Hent é o 2º de um total de 20 que a Virgo Ventures pretende fazer ao longo dos próximos 12 meses, somando R$ 20 milhões investidos. A tese é encontrar negócios que complementem a oferta dela, seja melhorando e simplificando o que ela já oferece ou com novas opções (como P2P lending, crowdfunding, tokens etc.). A ideia é fazer cheques de R$ 500 mil a R$ 2 milhões, sem expectativa de liderar rodadas. “A ideia não é ganhar dinheiro, é gerar valor”, diz Daniel Magalhães, presidente e responsável por transformação digital na Virgo.

Daniel Magalhães, presidente e responsável por transformação digital na Virgo

A criação desse braço faz parte do plano da Virgo de se apresentar para o mercado com uma antítese do que se faz atualmente no mercado financeiro, um “anti-investment banking”. “Queremos ser o Mercado Livre do mercado. A infraestrutura que conecta todo mundo. Dá para nadar mais rápido se formarmos um ecossistema”, explica Daniel.

Além da atuação como um marketplace, a Virgo quer se diferenciar pelo modelo de remuneração por transação feita, não pela diferença entre o custo de captação de recursos e a taxa cobrada de quem toma um crédito – o famoso spread. Ela também conta com uma rede de 135 parceiros que funcionam como escritórios autônomos na captação e estruturação de demandas abaixo de R$ 50 milhões.

A companhia nasceu com esse nome em 2021, mas sua história remonta a 2007, com a ISEC Securitizadora. O negócio, que ao longo dos anos passou por movimentos de aquisições e mudanças de controle, ganhou o contorno de marketplace depois que Daniel virou sócio no ano passado. A ideia é focar em negócios que precisam de recursos na faixa de R$ 5 milhões a R$ 50 milhões, que são “muito grandes para as fintechs e muito pequenos para os bancos”, segundo Daniel.

No momento, a companhia está com uma rodada de investimento de R$ 40 milhões em andamento e já tem conversas para uma captação mais polpuda, de R$ 200 milhões para o 2º semestre de 2022.

Jornalista com mais de 15 anos de experiência acompanhando os mundos da tecnologia e da inovação, com passagens pelo DCI, Sebrae-SP, IT Mídia e Valor Econômico. Fundador e Editor-Chefe do Startups.com.br.