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ESG não é apenas uma sigla da moda. O conceito se tornou um ponto focal para muitas empresas e investidores para os próximos anos. Pensando nesta tendência, a ONG Climate Ventures lançou o Conexões Onda Verde, iniciativa cujo objetivo é conectar e criar oportunidades para startups verdes junto a grandes empresas e fundos de investimentos.

O Onda Verde pretende selecionar até 20 startups com propostas voltadas à economia regenerativa e de baixo carbono, e por quatro meses dar o suporte (treinamentos e mentorias) a fim de prepará-los para os encontros com as empresas e fundos participantes.

O foco é em startups com produtos já prontos para o mercado, com potencial de impacto climático e de geração de negócios verdes em sete setores chave da economia: agropecuária, florestas e uso do solo, indústria, energia, gestão de resíduos, água e saneamento, e logística e mobilidade.

A startup de destaque ainda leva um prêmio de R$ 50 mil. Já as empresas e os investidores ganharão relatórios exclusivos, com dados das agendas das áreas de cada startup, além de fazer parte de rodadas de negócios e do demoday. Estão acertadas as participações das empresas Ferrero, Itaú e Neoenergia e de investidores como Positive Ventures, Mirova, MOV, Din4mo e VOX. Patrocinam o programa o Fundo Vale e o Instituto Clima e Sociedade.

Segundo o gerente de projetos da Climate Ventures, Guilherme Ralisch, o mercado de startups verdes vem se fortalecendo nos últimos anos, com uma série de players voltando seus olhares (e investimentos) para esta direção. Contudo, segundo ele, a geração de pipeline de investimento para estes atores ainda está fragmentada – e é esta lacuna que o Onda Verde quer preencher.

“Nossa aposta é fazer duas coisas: levar a fundos e empresas negócios que eles não conhecem, mas que tenham um fit com suas teses de investimento ou necessidades, mas também apoiar as startups a estarem mais preparadas na hora de sentar à mesa e fechar negócio com estes players. Queremos colocar estas startups na cara do gol”, explicou Guilherme ao Startups.

Quando fala em fechar negócios, Guilherme não se refere apenas a investimentos: também está no escopo do Onda Verde ajudar startups mais desenvolvidas a venderem seus serviços ou soluções para empresas que podem se beneficiar delas para suas demandas de ESG. Um exemplo dado pelo gestor é o de soluções de mitigações de riscos ambientais na indústria, como tecnologias de renovação no uso de água.

Mercado frio ou aquecido?

Guilherme acredita que startups verdes com propostas maduras (esse trocadilho você não esperava, né?) não devem sofrer muito, mesmo em um cenário de esfriamento dos investimentos de forma mais geral. “O momento é de sobriedade, mas para negocios sólidos que podem provar seu impacto e capacidade de caminhar bem no mercado, não vai falar investimento”, avalia Guilherme.

A bem da verdade, na visão do executivo, o mercado tem até dado mais atenção, seja os fundos de investimentos quanto as grandes empresas. Para atestar isso, ele citou um estudo da ABStartups e BR Angels (que a gente noticiou aqui no Startups), em que as startups de ESG estão entre as principais tendências para o VC.

“Os fundos estão analisando com mais atenção e cuidado as empresas de impacto climático, e adaptando isso às suas teses”, analisou Guilherme, citando inclusive que a Climate chegou a participar nessa mudança. No ano passado, a ONG lançou um estudo (também chamado Onda Verde), em que mapeou o cenário das startups verdes. “Vários fundos vieram falar conosco e disseram que usaram nosso estudo nas suas teses”, revelou o gestor.

Mesmo com o tempo curto e do escopo limitado do Conexões Onda Verde, a entidade acredita que o projeto renderá. “Nosso indicador de sucesso é ver como vai gerar negócios. Isso vai levar mais dos que os quatro meses de programa, e será avaliado isso ao longo do próximo ano, acompanhando as 20 startups do programa”, destacou Guilherme.

Novo modelo de atuação

Fundada em 2018, a Climate Ventures atua em diferentes frentes voltadas ao fomento de políticas e empreendedorismo sustentáveis. Apesar de em 2019 e 2020 a ONG já ter desenvolvido programas de formação e capacitação para empreendedores verdes, o Onda Verde é o primeiro passo concreto para fomentar de forma direta a criação de negócios para startups de impacto ambiental.

Apesar de não abrir números de metas em relação so número de negócios ou investimentos pretendidos, Guilherme espera que iniciativa renda “um bom número de contratos de investimentos” e de fornecimento junto a grandes empresas, podendo inclusive se tornar uma nova linha de atuação – e de captação de receita – para a entidade. Para cada negócio (investimento ou contrato de fornecimento de soluções) fechado, ela se beneficiará de uma pequena taxa de intermediação, de até 2% sobre o valor do contrato.

“(O modelo do Onda Verde) pode se tornar um papel permanente para a ONG. Estamos criando uma plataforma chamada Onda Verde, um hub digital para conectar a economia de baixo carbono. Na visão de médio prazo, queremos fazer isso numa escala maior, utilizando mais tecnologia”, destaca Guilherme.

Para reforçar esta atuação, a entidade prepara para setembro um evento em São Paulo. Com data ainda a ser divulgada, o Conexões pelo Clima focará em promover relacionamento e networing, em uma proposta semelhante à do Onda Verde, mas de forma presencial.

Segundo Guilherme, esta diversificação de produtos ajudará a entidade a se manter de forma mais sustentável, reduzindo a sua dependência de aportes filantrópicos, que vem de grandes fundos voltados à iniciativas verdes, como o Fundo Vale. “A filantropia é fundamental para financiar diversos de nossos projetos, mas é muito custoso captar estes recursos. Com novas receitas, teremos mais autonomia para atuar”, afirma.

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