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Os últimos meses tem sido intensos para Monique Evelle. Com múltiplas frentes de trabalho que incluem atuações como ativista, empreendedora e ser uma das principais forças por trás dos esforços do Nubank em diversidade racial, ela se movimenta para levar a edtech Inventivos para um novo patamar.

Fundada por Monique e Lucas Santana em 2021, a Inventivos ajuda futuros e atuais empreendedores a iniciar ou evoluir seus negócios. A jornada de desenvolvimento online inclui conteúdos e palestras, que abordam temas desde gestão de tempo até como encontrar e manter clientes online. Alunos pagam uma assinatura mensal ou anual para ter acesso à plataforma.

No fim do ano passado, Monique fez um tour nos Estados Unidos, com o intuito de construir conexões com startups atuantes em áreas que poderiam convergir com seu trabalho, e investidores. Apesar de a viagem ter sido abreviada pela escalada da variante ômicron da Covid-19 no país, a empreendedora baiana teve boas surpresas.

Uma delas foi a correção do valuation da startup para $50 milhões. O valor é cinco vezes maior do que os fundadores da startup tinham calculado inicialmente. Segundo Monique, esta avaliação foi feita por mentores do Google for Startups, que apoiou os fundadores da Inventivos durante o tempo que estiveram nos Estados Unidos. A startup é parte da rede de investidas do Black Founders Fund, tendo sido contemplada pelo programa em 2021.

“[A revisão do valor de mercado da Inventivos] foi um ótimo momento para fazermos ajustes na estratégia, testar possibilidades a partir deste valor, e entender que poderíamos ir para outro lugar enquanto empresa”, diz a empreendedora, em entrevista exclusiva ao Startups.

Apesar da notícia animadora, os fundadores da edtech optaram por não começar uma captação naquele momento. “Quando você recebe um valuation destes, fica empolgado o suficiente para captar e ainda mais tendo acesso a todos os contatos como nós estávamos tendo, poderíamos ter pensado: ‘o momento é agora'” aponta Monique, em referência aos planos de levantar capital, que devem ficar para 2023.

O foco atual da empresa, segundo a fundadora, é acelerar o crescimento da empresa com novas linhas de receita. Tendo fechado 2021 com R$800 mil em faturamento, a projeção da Inventivos é chegar em R$2,4 milhões este ano.

Novas frentes de negócio

Na estratégia atual da Inventivos, a frente corporativa do negócio deve ganhar força. Apesar de a edtech ter prestado serviços para diversas empresas nos últimos meses em um modo stealth, a carteira já inclui nomes como Nuvemshop, YouTube e Natura, empresas cujos públicos são compostos por empreendedores.

Um cliente de peso no espaço B2B é o iFood, que acabou de fechar um contrato para usar o método da edtech em um programa que deve alcançar mais de 100 mil pessoas, entre restaurantes e entregadores. “[A expansão para o espaço corporativo] significa que poderemos atingir um público muito mais amplo, e cumprir nosso objetivo de levar educação empreendedora para o maior número de pessoas possível”, pontua Monique.

O modelo B2C, que conta com mais de 2,5 mil alunos pagantes e diversos cases de sucesso, continuará a existir mas deve ser repaginado para reter as pessoas no ecossistema Inventivos. Os conteúdos devem ir além do empreendedorismo “do zero”, e expandir para atender quem já empreende, com mentorias, apoio para obter financiamento e conexões com investidores. Desde o fim do mês passado, a startup passou a fazer rodadas de negócios dentro da plataforma como parte desta evolução.

A cofundadora da Inventivos, Monique Evelle (Wendy Andrade)

O roadmap da empresa também prevê a criação de hubs físicos em território nacional. Estes locais serão resultado de parcerias com players dos ecossistemas locais de inovação e vem para complementar a oferta online da edtech. “Entendemos que tanto quem está empreendendo ou já empreende sente muita vontade desse contato físico. Tem também a questão de como convencer a pessoa a fazer as coisas com medo mesmo, o presencial fortalece mais”, diz Monique.

O ponto de partida dos hubs físicos da Inventivos será Salvador, na Doca 1, parque de economia criativa na capital baiana, do qual Monique é embaixadora na área de inovação e empreendedorismo. Lá, futuros e atuais empreendedores poderão usar um espaço de coworking, alem de espaço de auditório, salas para produção de conteúdo e participar de sessões e eventos presenciais, que estarão disponíveis também por um modelo de assinatura. Além disso, a edtech deve lançar hubs em São Paulo, São Luís e Porto Alegre, sempre com parceiros.

“[Fazer parcerias] é a melhor forma de fazer isso avançar; não é sobre anular o trabalho de quem já é atuante, e sim fazer parte, nós que temos que pedir licença a eles”, ressalta a fundadora.

Além destas novas frentes de negócio, a Inventivos tem o plano de avançar para mercados lusófonos, incluindo Cabo Verde, Angola e Moçambique. Segundo Monique, é neste ponto que a edtech se diferencia de outros players que focam em educação empreendedora no quesito internacionalização.

“A maioria dos players [brasileiros], quando pensam em expansão olham outros países da América Latina, e os Estados Unidos. Nós olhamos países de língua portuguesa incluindo mercado da África, então temos uma perspectiva de crescimento totalmente diferente”, pontua.

Projeto de vida

Para além da Inventivos, Monique atua em múltiplas funções como a de conselheira do Pacto Global da Organização das Nações Unidas (ONU) para fomentar a diversidade de gênero e raça em grandes empresas. Outra frente relevante do trabalho da fundadora da Inventivos é a consultoria para o desenvolvimento do NuLab, centro de inovação e tecnologia do Nubank, em Salvador, e do fundo Semente Preta, criado pelo banco digital para apoiar empresas early-stage.

Monique diz que sua trajetória até aqui não é resultado do acaso, e sim de um planejamento meticuloso: segundo ela, a intenção é continuar construindo uma reputação no mundo dos negócios, e inclusive estabelecer seu próprio fundo de investimento em breve.

“Quero continuar investindo em pessoas e negócios, criar iniciativas como o Semente Preta e outros que vão surgir logo mais, além de continuar desenvolvendo a Inventivos. Tudo tem a ver com empreendedorismo, com formar a nova geração de empreendedores e líderes do Brasil”, pontua.

“Estamos seguindo a lógica de fazer com que o Brasil não precarize mais o empreendedorismo. Não aguentamos mais ter sobreviventes, queremos que empresas cresçam o suficiente a ponto de gerar empregos”, acrescenta Monique.

Para equilibrar todos estes pratos, a empreendedora conta com uma equipe que, segundo ela, tem competências melhores do que as dela em diversos aspectos, aliadas a agilidade e pragmatismo. Existem desafios a contornar, como evitar que o desânimo prevaleça, cuidar da saúde mental, e “filtrar as críticas construtivas de quem não construiu nada”.

Apesar dos percalços da vida empreendedora, a responsabilidade e o foco na missão falam mais alto, segundo Monique. “Não posso chegar atrasada na vida das pessoas. Quero fazer a Inventivos funcionar para conseguir fazer com que o sonho de outras pessoas se torne realidade também. Mas é um sonho coletivo, porque deve ser horrível cruzar a linha de chegada, sem ter ninguém para abraçar”, finaliza.

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