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IPO não é o alvo, é só uma etapa. E não é a mais importante, diz Fernando Cirne, da Locaweb

Por Gustavo Brigatto, em 15 de outubro de 2020

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A ida à bolsa costuma ser vista como o ápice do sucesso de fundadores e investidores e está nas prioridades (ou pelo menos no discurso) da maior parte das empresas.

Mas a abertura de capital não deve ser vista como o fim do processo. “O IPO é só uma etapa e não é a mais importante. Ninguém conhece o business em uma reunião de 50 minutos durante o road show”, diz Fernando Cirne, presidente da Locaweb. De acordo com ele, isso ficou claro para ele em meio à pandemia.

Ao conversar com investidores para falar sobre o estado das coisas e as medidas tomadas pela companhia, ele percebeu que havia ainda um desconhecimento em relação ao que a companhia faz e suas expectativas. “Foi aí que eu aprendi que não tem só o road show e acaba. O road show continua”, diz.

Ele conta que buscou passar esse aprendizado às empresas que estão em processo de IPO e o procuraram para conversar. “Não faça a ca**** de achar que o IPO é o target”, foi o recado. O executivo vai integrar o conselho da Enjoei.

Conversando a gente se entende

Entre metade de março e metade de abril, Cirne e Rafael Chamas, diretor financeiro da companhia, conversaram com cerca de 300 investidores.

A estratégia parece ter dado certo. Depois de amargar uma queda de quase 58% nos primeiros 20 dias de março, em meio aos temores com os efeitos da pandemia, os papéis da Locaweb entraram em uma trajetória ascendente. Do dia 23 de março até ontem, a valorização chega a 575% – de R$ 10,20 a ação para R$ 68,85. Desde o IPO, em fevereiro, a valorização é de 234%.

A base de acionistas está em 29 mil, sendo mil institucionais como BlackRock e o fundo soberano de Cingapura, o GIC. No IPO, eram 100 institucionais. “Dois terços da base é de gringos. Temos feito relacionamento com quem já está nela, mas tem muita demanda também de quem nunca investiu na empresa”, diz Chamas.

A Locaweb, que vinha num processo de mudança de sua atuação do modelo de hospedagem de baixo custo para a oferta de serviços adicionais, e de maior valor, teve um impulso durante a pandemia por conta da demanda de pequenos e médios negócios para vender on-line. No segundo trimestre, 45% do Ebitda de R$ 32 milhões veio dos negócios de comércio eletrônico. “Não somos mais uma empresa de hospedagem, mas uma empresa de Saas”, diz Cirne. De acordo com ele, o 3º e o 4º trimestre terão bons resultados. “É uma operação de recorrência e estamos bem, não tem segredo. E quando prometo é porque já está bem encaminhado. Não posso prometer e não entregar”, diz.

Cirne e Chamas dizem dedicar um terço de seu tempo nas conversas com investidores um terço na operação e um terço para fusões e aquisições. “Falamos com os donos sempre que gostamos de alguma coisa. O Gilberto [Mautner, fundador e presidente do conselho] também”, diz Cirne.

Buying spree

Ao fazer o IPO, a Locaweb prometeu usar boa parte dos recursos na aquisição de outras companhias. Na divulgação do resultado do primeiro trimestre, Cirne disse que tinha 7 alvos em estágio avançado de discussão. No fim de setembro vieram os dois primeiros anúncios: Social Miner e Etus.

De acordo com Cirne, a lista de conversas avançadas ainda tem cinco nomes, mas não os mesmos do primeiro trimestre.

Toda semana de 5 a 10 novos nomes entra na esteira de avaliação. E toda semana, às 17h, na quinta-feira, os executivos da empresa se sentam para avaliar possíveis novos negócios.

A Locaweb tem buscado negócios para alavancar sua operação de comércio eletrônico que possuam modelo de recorrência, com produtos estabelecidos (nada de MVP) e que tenham possibilidade de integração com as ofertas produtos que a companhia já tem. Os fundadores também precisam querer ficar na operação. “A ideia de vender e ficar rico não rola pra gente”, diz Cirne.

De acordo com Cirne, o formato do earn out proposta pela companhia busca incentivar isso, com a possibilidade de fazer saídas mais altas lá na frente. As metas da Social Miner, por exemplo, foram atreladas às da Allin para impulsionar esse desempenho, diz o executivo. “A Allin não tinha a parte de inteligência artificial que eles têm. E não faz diferença se sou eu que vendo ou se são eles. O negócio de recorrência se acelera com o tempo e se o negócio como um todo cresce eu posso pagar earn outs mais altos”, diz.

Jornalista com mais de 10 anos cobrindo tecnologia e inovação no Valor Econômico. Fundador e editor do startups.com.br.