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O Itaú Unibanco e a Totvs estão criando uma joint-venture (JV) com foco na distribuição de serviços financeiros integrados aos sistemas de gestão empresarial (ERP) da Totvs, baseados em inteligência de dados e voltados para clientes empresariais e toda a sua cadeia de fornecedores, clientes e funcionários.

O banco pagará à empresa de software a quantia de R$ 610 milhões para se tornar sócio da operação techfin da Totvs, adquirindo 50% do capital social da nova companhia, que deterá os ativos Techfin e Supplier — essa última, vale lembrar, comprada em 2019 pela Totvs por R$ 455 milhões.

Pelo acordo, o Itaú desembolsará, ainda, um preço complementar (earn-out) de até R$ 450 milhões após cinco anos, mediante o atingimento de metas alinhadas aos objetivos de crescimento e performance do negócio.

Na JV, que se chamará Totvs Techfin S.A., o Itaú será responsável por disponibilizar funding para as operações atuais e futuras, assim como contribuirá com a expertise de crédito e com o desenvolvimento de novos produtos financeiros, além de aportes financeiros.

Os fundadores da Supplier, Mauro Wulkan e Eduardo Wagner, permanecem na liderança da operação, informa o fato relevante divulgado pela Totvs ao mercado.

ERP + banking

O racional estratégico para a transação é a combinação de esforços para uma oferta de produtos financeiros no B2B, unindo banking com software de gestão empresarial (ERP), uma tendência que ganha cada vez mais força com o movimento de ’embedded finance’.

Os clientes da Totvs terão acesso a um portfólio de produtos financeiros, como crédito, cash management, antecipação e outros. Ao longo do tempo, novos produtos e serviços serão agregados a esse ecossistema financeiro.

“As oportunidades de criação de soluções inéditas a partir desta iniciativa certamente representarão disrupções em favor dos clientes”, diz Milton Maluhy Filho, CEO do Itaú Unibanco, em nota. “Esta parceria nos coloca, Itaú Unibanco e Totvs, na vanguarda da transformação digital das indústrias nas quais atuamos.”

Para Dennis Herszkowicz, presidente da Totvs, a expertise do Itaú aliada à tecnologia e aos dados da Totvs é uma combinação “extraordinária” para a ambição de democratizar serviços financeiros para as empresas brasileiras. “Entendemos que o roadmap que vislumbramos no início da nossa jornada Techfin será antecipado, e o nosso horizonte certamente foi ampliado.”

A divisão de techfin da Totvs terminou 2021 com uma receita de R$ 281,5 milhões, mais do que o dobro na análise ano contra ano. Já a produção de crédito da Supplier cresceu 36% na mesma base de comparação. A carteira de crédito da operação atingiu R$ 1,55 bilhão ao final do quarto trimestre.

Contexto

A transação ocorre num momento em que o Open Finance está sendo implementado no Brasil, e acordos vêm sendo costurados entre os bancos, as empresas de tecnologia e as fintechs para se aproveitar do movimento.

A própria Totvs montou a Dimensa, uma JV com a B3, para se fortalecer no segmento de tecnologias B2B para o setor financeiro e de fintechs. Desde que foi anunciada ao mercado, a empresa já fez três aquisições (InovaMind Tech, Mobile2You e Vadu).

Em outro passo para ampliar a oferta para sua base de PMEs, o Itaú criou a plataforma Meu Negócio, que fez sua largada com a Omie, plataforma SaaS de ERP na nuvem.

O acordo não tem exclusividade, e o banco pode fazer outros acordos com softwares de gestão, assim como a Omie também pode avançar em sua estratégia de serviços financeiros com outros players.

A empresa fundada por Marcelo Lombardo vem se movimentando, inclusive, e comprou o banco digital Linker por R$ 120 milhões em novembro último.

A conclusão da operação entre Itaú e Totvs depende da aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e do Banco Central (BC).

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