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Quando vendeu o VivaReal para a OLX, Brian Requarth se viu diante de uma conta inesperada de US$ 100 milhões. O valor devido ao fisco dos EUA – onde o classificado de imóveis nunca operou – foi resultado da estrutura societária que Brian criou para o negócio no seu nascimento, que não era a mais indicada.  A custosa experiência foi um dos motivadores para a criação de um novo serviço da Latitud, a mais recente empreitada de Brian – junto com Gina Gotthilf e Yuri Danilchenko.

Com o Latitud Go, a ideia é resolver os perrengues de quem precisa montar uma estrutura fora do país para uma startup. “Temas complexos como stock options e outras questões legais não são o que um fundador deveria gastar tempo e capacidade intelectual”, explica Brian.

A proposta do Latitud Go é fazer o processo de incorporação mais certeiro, por um custo 5 vezes mais baixo e em um prazo muito menor – cerca de 2 meses – do que o oferecido pelo contato direto com escritórios e pessoas especializadas. Tudo isso com apenas alguns cliques pelo site e usando um cartão de crédito.  O questionário inicial, onde são inseridas informações sobre a startup e seus fundadores, leva 5 minutos para ser preenchido.

Para atingir o objetivo de facilitar o processo para as companhias, a Latitud está investindo em tecnologia apostando na padronização de documentos. A ideia, segundo Brian, não reinventar a roda, nem criar uma estrutura verticalizada demais. A companhia fez parcerias com nomes como os escritórios de advocacia Carey Olsen, Gunderson Dettmer e Bronstein Zilberg, o Silicon Valley Bank, a fintech Conta Simples, a Carta (de gestão de captable) e o hub de serviços para startups BHub (na qual é investidora).   

A expectativa é que o boca-a-boca, e parcerias com fundos de investimento sejam os promotores do novo serviço. “A dor é muito grande”, avalia Brian. O foco inicial do serviço é o Brasil, com uma expansão para a América Latina prevista para depois que a oferta estiver estabilizada, diz Yan Mendes, gerente de produto da Latitud. A Stripe tem uma oferta semelhante, o Atlas – que Brian até tentou trazer para a região – mas o foco está em empresas americanas.

Off shore

Estruturas off shore são as preferidas pelos investidores para fazer investimentos em startups porque facilitam os trâmites. Normalmente, elas envolvem um “sanduíche” de 3 camadas: uma empresa em Cayman, uma outra nos EUA (o famoso Cayman-Delaware) e, no fim a operação no Brasil.  

O formato não tem nada a ver com evasão de divisas ou manobras para driblar o sistema tributário e pagar menos impostos – se bem que, eventualmente, a conta pode ficar um pouco mais barata. Como muitos fundos e investidores têm recursos fora do Brasil, fica mais fácil fazer a transferência dos recursos. Além disso, na hora de fazer uma diligência para uma venda ou mesmo um novo aporte, ser Cayman-Delaware agiliza as coisas.

De acordo com Brian, o melhor, e mais barato, é já começar um negócio com essa estrutura ao invés de fazer o processo de incorporação depois que o negócio já esteja operando – operação conhecida como ‘flipar’. “Se o fundador/fundadora quer levar a sério a ideia de levantar dinheiro de venture capital, todo mundo vai querer essas estruturas. Ter isso de antemão é chegar jogando o jogo. E flipar é muito mais caro do já fazer na criação. Dezenas de milhares de dólares mais caro”, pontua.    

Apesar de amplamente aceito – e até esperado – o formato é criticado por alguns players. A avaliação é que investimentos em empresas brasileiras deveriam ser feitos por meio de estruturas no Brasil. Brian concorda, mas reforça que a estrutura off shore é o que os investidores pedem no momento. “Se alguém do governo quiser vir conversar comigo para levantar melhores práticas e políticas para melhorar o ambiente regulatório, estou aqui à disposição”, diz Brian.       

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