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* por Charles Nisz, especial para o Startups

Com cerca de 1 milhão de pontos de venda atendidos, a Ambev tem uma grande demanda por energia elétrica. A gigante do setor de bebidas tem realizado várias ações de forma a produzir cerveja com utilização de energia limpa. Agora, o foco é melhorar a sustentabilidade dos fornecedores e clientes da cadeia produtiva.

Para isso, a Ambev conta com a expertise da Lemon Energia, uma startup cujo intuito é ser um marketplace de energia limpa baseada em geração local, fundada por Rafael Vignoli e Luciano Pereira, CEO e CTO da empresa, respectivamente. A plataforma conecta usinas de energia limpa de um lado e pequenos e médios negócios de outro, segundo o CEO da startup.

Médias e pequenas empresas economizam dinheiro, recebem uma experiência digital e têm acesso à energia renovável, sem nenhuma obra, instalação de painéis solares, ou investimento. Já os geradores de energia aumentam seus ganhos e passam a ter uma gestão profissional de seus processos de cobrança e gestão de créditos e portfólio.

Rafael explica os ganhos ambientais e financeiros da adoção desse tipo de energia: “A geração local de energia barateia os custos, não há os acréscimos de preço trazidos pelas linhas de transmissão”, diz o fundador.

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Colegas de escola no ensino médio em Brasília, Rafael e Luciano se reencontraram 15 anos depois para fundar a Lemon. Criada em 2019, a empresa recebeu três aportes: US$ 1 milhão na fundação, US$ 2,5 milhões em 2020 e US$ 12 milhões em 2022. O aporte mais pesado veio da Kaszek Ventures, maior fundo de venture capital da América Latina.

Atendendo uma demanda reprimida

O CTO da Lemon adiciona outra vantagem da geração local de energia: “Por estar fora do circuito de geração de energia tradicional, a energia limpa com geração local não sofre aumento por bandeiras tarifárias ou quando acontecem eventos climáticos como estiagens prolongadas”, diz Pereira.

Segundo os fundadores da Lemon Energia, a ideia é ofertar energia elétrica para os pontos de venda da Ambev em todo o Brasil com custo 15% menor. Com isso, a empresa tem uma meta ambiciosa – fornecer energia elétrica para 25% dos um milhão de pontos de venda da multinacional de bebidas, que aposta em tecnologia para aumentar sua presença de mercado.

No Brasil, dois terços da geração de energia vêm de hidrelétricas. Apesar de renovável, a dependência desta fonte (e a sua sujeição às mudanças climáticas) têm impactado na alta de preços, necessidade de uso de fontes fósseis e térmicas e consequente risco de racionamentos e apagões. O país tem uma das maiores incidências solares no mundo, e ainda assim essa fonte representa menos de 1% da energética brasileira.

“Há uma demanda reprimida para conectar empresas e fontes de energia limpa”, diz Luciano. Ele faz uma analogia com os serviços de voz sobre IP para explicar os próximos passos da empresa.

“Do mesmo modo que há a estrutura física da Internet – cabos e datacenters – toda uma gama de serviços como redes sociais, streamings e outros produtos foram criados a partir da Internet. Nossa ideia é criar serviços digitais em cima da camada física da estrutura de geração de energia. Há um imenso potencial de mercado nesse setor”, finaliza o fundador.

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