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A startup de tokenização de ativos em blockchain Liqi levantou uma rodada de R$ 27,5 milhões. A série A chega 8 meses depois do lançamento da companhia e foi liderada pelo Kinea, a gestora de private equity do Itaú que gerencia o fundo de corporate venture capital do banco.

Também participaram a Oliveira Trust, especializada em securitização, e a Honey Island by 4UM, veículo de investimento criado em conjunto pela Honey Island, dos fundadores da Ebanx, e a gestora paranaense 4UM Investimentos.

De acordo com Daniel Coquieri, fundador da Liqi, o consórcio de investidores foi montado estrategicamente para dar à companhia a validação institucional – faz diferença falar que você tem o Itaú como investidor, ainda mais em um segmento tão novo como o de blockchain – e também o respaldo jurídico e até acesso ao regulador necessário para essa nova etapa de crescimento.

“O blockchain já vinha sendo discutido dentro do banco há algum tempo. E é uma área que precisa de muito conhecimento para fazer funcionar. Estar próximo de quem está ne frente disso é muito relevante”, diz Philippe Schlumpf, responsável pelo Kinea Ventures, o braço de venture capital da gestora.

Use of proceeds  

Com o aporte, a Liqi pretende aumentar seu portfólio, adicionando um mercado secundário de tokens, um marketplace de NFTs (no estilo OpenSea, mas como uma interface melhorada) e a compra e venda de criptomoedas. Com o aumento de ofertas, a expectativa é fechar o ano com R$ 10 bilhões transacionados.

O volume é mais que o dobro dos R$ 4 bilhões que Daniel movimentou em 3 anos na BitcoinTrade, exchange que ele vendeu para a argentina Ripio em janeiro/21. Segundo o fundador, trata-se de um montante alto, que não é fácil de ser atingido, especialmente diante de um cenário de aumento da concorrência. Mas também não é impossível. “O momento é outro. As pessoas têm mais conforto em entender. O mercado já existe”, avalia. Para sustentar o crescimento, a equipe da Liqi vai sair das atuais 53 pessoas para 75.

Como a Liqi opera

A atuação da Liqi está dividida em duas frentes: a Tokenize, que faz as ofertas de tokens para donos de ativos e a distribuidora, que apresenta as ofertas para o mercado e potenciais investidores. Uma coisa não está atrelada à outra. Ou seja, uma empresa pode emitir um token em outra plataforma e distribuir com a Liqi, ou só emitir o token com ela. A proposta da companhia, segundo Daniel, é democratizar o mercado.

De acordo com ele, o crescimento ao longo de 2022 virá principalmente da atuação como corretora porque no lado da tokenização com as empresas, ainda há um trabalho de apresentação do conceito e educação do mercado. “O potencial operacional é muito maior do que o que já foi feito até agora no mercado em valores mobiliários e que não são mobiliários”, avalia  José Alexandre Freitas, presidente da Oliveira Trust.

Desde que começou a operar, a Liqi fez 6 ofertas. Destas 3 foram na área de recebíveis e 2 no segmento de futebol – a 1ª, aliás foi um token de direitos de jogadores vendidos pelo Cruzeiro.

De acordo com Daniel, o segmento de recebíveis é onde a companhia realmente quer se especializar. O futebol e os investimentos alternativos fizeram parte da estratégia de lançamento, para chamar a atenção mesmo.

“A cada oferta vamos entendendo melhor o uso da tecnologia. O mais importante hoje é sair da teoria e de fato colocar na prática”, diz Daniel. Na avaliação de Giuliano Dedini, gestor do fundo Honey Island by 4UM, a vantagem da companhia é que ela não chega no mercado para tomar espaço de outros players, mas sim trazendo uma nova opção para apresentação de ativos e conquista de novos investidores. “Eles podem incomodar aqui ou ali, mas não é todo mundo contra”, diz.

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