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Maior parte dos corporate ventures no Brasil tem menos de 2 anos e está em fases iniciais de desenvolvimento

Por Gustavo Brigatto, em 28 de janeiro de 2021

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Para todo lado que você olha, empresas se conectam e se relacionam com startups a todo momento e os dois lados tiram resultados maravilhosos dessa parceria. A sensação que dá é que está tudo resolvido, tudo funciona, que isso é o padrão.

Mas a verdade é que esse movimento ainda é muito incipiente no Brasil. De fato, a maior parte dos programas em funcionamento no país (62%) tem menos de 2 anos e está em estágios iniciais de desenvolvimento (60%), mais focados na contratação de startups como fornecedores e no go-to-market. O nível mais avançado de relacionamento, quando há dinheiro na mesa para investimento e aquisição de negócios, o chamado corporate venture capital (CVC) ainda engatinha.

Os dados fazem parte de uma pesquisa sobre o mercado de CVC feita pelo boostLAB, o braço de relacionamento e negócios com startups do banco BTG, e pela ACE Cortex, consultoria de inovação da aceleradora, que trabalha com o boostLAB.

Na avaliação de Frederico Pompeu, sócio do BTG responsável pelo programa, a evolução para o modelo de CVC no Brasil é irreversível. “O mercado será povoado em 3 a 5 anos. Os investimentos das empresas têm que crescer, seja qual setor for, as empresas têm que estar de olho, acompanhar de perto. Eu sou carnívoro, mas minha filha não tenho dúvidas que vai se interessar por comida plant based. Uma instituição financeira não tem como não acompanhar de perto o blockchain”, diz.

Do lado das startups, o CVC também se apresenta como uma alternativa de financiamento aos fundos de venture capital, com um perfil mais estratégico, de ganhos para o negócio, do que financeiros propriamente ditos (mas um bom lucro não faz mal a ninguém, é claro).

Intel Capital, Qualcomm Ventures, Prosus Ventures, Google Ventures, Meli Fund são alguns dos nomes mais conhecidos. “Não vejo como não acontecer no Brasil”, diz Pompeu.

Tamanho do mercado

Globalmente, quase um terço dos investimentos em startups tem alguma companhia envolvida. Em 2019, foram US$ 57,1 bilhões aplicados em 3.234 negócios globalmente, segundo dados da Preqin e do CB Insights compilados no estudo. Na China, 90% dos unicórnios têm pelo menos um investidor corporativo.

No Brasil, a fatia das empresas está na casa dos 10% dos investimentos feitos, somando cerca de US$ 300 milhões, segundo dados do Distrito Dataminer. Dois terços desses recursos foram destinados a empresas em estágios iniciais de desenvolvimento (anjo, pré-seed e seed). Um cenário oposto ao que acontece no resto do mundo, mas um reflexo da maturidade do mercado brasileiro, que ainda está na fase nascimento e início de crescimento de startups.

Nem tudo são flores

Vender para uma grande empresa pode ser o sonho de muitos fundadores por garantir a sustentabilidade e a viabilidade do negócio. Mas a relação pode não ser tão produtiva dependendo de como o programa foi estabelecido, das pessoas envolvidas e do real comprometimento da companhia com o projeto. A falta de processos mais ágeis para pagamentos (90, 180 dias, really?) e aprovações são os principais problemas relatados pelas startups.

Segundo Pompeu, é preciso se precaver e delinear – em contrato, de preferência – onde começam e onde terminam as responsabilidades de cada um e, na medida do possível, namorar antes de casar. “É uma sociedade de longo prazo, tem que tentar conhecer muito bem, ter o máximo de informações”, ressalta.

Jornalista com mais de 15 anos de experiência acompanhando os mundos da tecnologia e da inovação, com passagens pelo DCI, Sebrae-SP, IT Mídia e Valor Econômico. Fundador e Editor-Chefe do Startups.com.br.