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Da engenharia de petróleo para o mundo fitness. Essa foi a chavinha que Gabriel Scopel, fundador da recém-nascida Call4Fit, do Espírito Santo, virou quando decidiu empreender. Criar uma startup de saúde com foco em inteligência artificial para praticantes de bike indoor. Algo já visto nos EUA e Israel (vide Peloton e Kentai), mas inédito no Brasil.

A ideia veio de sua própria experiência em mais de 10 anos praticando spinning dentro de casa. “Já consumi tudo quanto é app de bike indoor de outros países. Cansado da mesmice das aulas e das trilhas sonoras, decidi criar algo mais motivante e inovador”, conta.

Levou 4 anos para Gabriel transformar a ideia em um MVP. Segundo ele, muitos desafios, aqueles básicos de quem decide empreender do zero, o travavam para levar a ideia adiante. Como fazer? Com ou sem sócios? Como enfrentar concorrentes? Foram alguns deles.

A coragem veio em 2020, no início da pandemia, quando foi demitido de uma indústria petrolífera. Antes disso, 2018, Gabriel chegou a mergulhar no mundo da tecnologia e das startups quando trabalhou na Shipp – startup de entregas sob demanda também do Espírito Santo, que em 2019 foi comprada pela Sapore e mais recentemente, foi absorvida pela B2W – o que atiçou ainda mais sua vontade de empreender.

Então, começou a desenvolver um plano de negócios. Fez o curso do G4 startups, e conseguiu mentoria pelo Distrito, onde a Call4Fit é hoje residente. “Foi difícil buscar bons profissionais na pandemia. Conhecia um pessoal que tem uma empresa no ES e os desenvolvedores de lá estavam ociosos. Então, decidi dividir os custos deles para eu poder fazer meu produto”, diz.

Com 13 funcionários (sendo 2 devs, 1 consultor de tecnologia, 1 estagiário de marketing, 9 professores que ministram as aulas da plataforma e Gabriel) e um investimento inicial de R$ 210 mil, a Call4Fit estava pronta para se mostrar ao mercado.

Inteligência artificial para bike indoor

Lançado há quase 3 semanas, o produto foi pensado em um modelo de negócio B2C, focado em assinaturas. Se houver demanda de academias e outras empresas, Gabriel diz que pode ampliar a atuação para o B2B também.

Durante o treino de bike indoor, o sistema criado pela startup identifica movimentos, corrige falhas em tempo real, marca velocidades de giro e, ao final da aula, dá uma nota relacionada à performance do usuário em comparação com os professores da aula. Para usar o serviço, não é necessário nenhum equipamento específico. Basta acessar o site e usar a câmera de laptop ou da televisão voltada para quem está se exercitando, de forma que a imagem do corpo todo seja captada.

Um aplicativo para celulares está disponível, mas apenas para a transmissão das aulas. A ideia é, em algum momento, integrar os dois. “Já tem alguns apps lá fora que integraram, mas para um melhor experiência, quando nos formos integrar a ideia é espelhar para a TV a aula e a câmera do celular te filmar e avaliar seus movimentos se estiver vendo na TV. O código da inteligência artificial e do app estão em React então não vai ser difícil a integração”, diz Gabriel.

Segundo ele, a tecnologia de IA para bike indoor democratiza o exercício. “Ao invés de comprar uma bike da Peloton, por exemplo, que custa US$ 2 mil, nossa tecnologia pode ser usada em uma bike de US$ 200 com a mesma precisão”, afirma.

Atualmente o sistema de IA da startup está disponível para os quase 50 membros do seu aplicativo de streaming de graça. Futuramente a ideia é levar a tecnologia para outras modalidades de exercícios físicos na plataforma, quando a startup começar a receber grana de investidores e ampliar sua base de assinantes.

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