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O unicórnio mexicano de compra e venda de carros usados Kavak levantou uma série E de US$ 700 milhões. A rodada é a 3ª maior de uma companhia de alto crescimento na América Latina, depois do Nubank e da Rappi, e deixa a companhia como a startup mais valiosa da região, atrás apenas do Nubank. Os US$ 8,7 bilhões que ela foi avaliada agora são o dobro dos US$ 4 bilhões da série D, anunciada em abril (que já era 4 vezes o valor da série C, de outubro). Em 5 anos de operação, a companhia soma US$ 1,6 bilhão captados com investidores.

A nova rodada foi liderada pela General Catalyst e contou com a participação de Tiger Global e Spruce House como novos investidores. D1, SEA, Founders Fund, Ribbit, SoftBank e outros nomes que já investiam na companhia acompanharam.

Segundo Roger Laughlin Carvallo, cofundador e diretor de operações da companhia, o aporte é grande porque também são grandes a pretensões da companhia. “Nossa ambição é global”, diz. De acordo com ele, a ideia é usar a maior parte dos recursos da captação para financiar a chegada a novos países. Ele não quis adiantar quantas ou quais operações serão estabelecidas nos próximos meses, mas disse que o avanço acontecerá na América Latina no curto prazo e fora da região no médio prazo. Hoje a Kavak atua no México, na Argentina e no Brasil. “É um negócio muito intensivo em capital, inventário, pessoas, com muita tecnologia. Não é fácil de escalar. Mas nós criamos essa fórmula ao longo dos últimos 5 anos e vamos aplicá-la para chegar em outros mercados”, diz Roger. O plano também inclui investimentos para ampliar a atuação onde ela já opera.

Perguntado se a captação poderia ser considerada uma rodada pré-IPO, Roger disse que essa opção está no radar, mas que a companhia não quer se limitar a ela como alternativa para financiar seu crescimento. “Podemos continuar fazendo novas captações ou buscando dívida. O IPO é uma boa prática e estamos preparados para isso desde sempre. Mas não é o único caminho”, diz.

Modelo de atuação

A Kavak atua na compra e venda de carros usados, mas com elementos de fintech, com opções de financiamento das compras com bancos ou pelo seu braço financeiro, a Kavak Capital. O dono de um carro também pode refinanciar o crédito caso sua situação financeira se complique, ou pegar um empréstimo usando o veículo como garantia.

Quando o cliente precisa de manutenção no carro, ele só precisa pegar o aplicativo e acionar a assistência. O veículo é retirado onde a pessoa achar mais conveniente e vai para uma das oficinas próprias da Kavak. É nelas também que a companhia faz o recondicionamento dos carros que compra e colocar a venda. A companhia só compra e vende carros para pessoas físicas. “É mais difícil atuar assim, mas é melhor por conta do relacionamento”, diz Roger.

Segundo ele, o negócio é 30% compra e venda de carros e 70% as soluções vão sendo construídas para os clientes. Essa proximidade e o relacionamento de longo prazo é que ajudam a impulsionar o modelo de negócios e, consequentemente o valuation da companhia.

Testando a fórmula

O 1º grande teste da fórmula de crescimento foi a chegada ao Brasil. O desembarque começou a acontecer no fim de 2020, mas a operação só foi lançada oficialmente em julho. Na época, a companhia anunciou um plano de investimento de R$ 2,5 bilhões, ou US$ 500 milhões, um pouco mais que os US$ 485 milhões captados na série D.

O objetivo era dobrar o número de funcionários até o fim do ano, chegando a um total de mil. Mas o número foi atingido muito antes, já em setembro. “Tivemos que acelerar as contratações para atender a uma demanda maior que a esperada”, diz Roger. Em agosto, a companhia chegou a mil carros comprados, volume mensal que ela demorou 4 anos para atingir no México.

A ideia é continuar o processo de expansão para o interior do estado de São Paulo, estabelecendo presença em Campinas e Sorocaba em breve. Em 2022, o objetivo é avançar para outras regiões do país.

A operação tem sido impulsionada, em grande medida, pelos próprios gargalos do mercado de veículos. Com a queda na produção de carros novos por conta da falta de chips globalmente, os usados estão em alta, o que abre oportunidades para alternativas como a Kavak e o recém-lançado Creditas Auto, da fintech brasileira – que tem vários investidores em comum com a Kavak, como SoftBank e Kaszek.

Roger diz achar bom que mais gente esteja atuando nesse segmento e que o mercado é grande o suficiente para vários players. Surpreenderia era se ele fugisse do media training e falasse diferente.

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