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A Minds Digital, IDtech que desenvolveu uma solução proprietária de biometria de voz e prevenção à fraudes, quer reunir todas as vozes dos brasileiros em um grande sistema de autenticação e segurança. Para caminhar nessa direção, a startups acabou de fechar um rodada seed de R$ 1,5 milhão com a BR Angels.

Com o cheque, o plano da Minds é dar um maior impulso às suas áreas de produto, comercial e marketing, assim como utilizar a rede de contatos da BR Angels para abrir portas junto a clientes corporativos, em áreas como finanças, telecom e varejo. O objetivo é colocar estas grandes empresas para utilizar a solução de identificação e autenticação por voz em seus canais de atendimento – como call centers, apps e até mesmo o WhatsApp.

“Esse ano nosso objetivo é inserir nossa tecnologia em 8 a 10 grandes clientes enterprise e chegar em dezembro com 1 bilhão de requisições na plataforma – atualmente já estamos com 300 milhões”, explica Marcelo Peixoto, fundador e presidente da Minds.

O foco inicial nas grandes empresas tem um motivo: gerar volume na sua base de vozes e aprimorar ainda mais seu algoritmo de verificação. Algo como um enorme registro de cartório com assinaturas verificadas – apenas trocando a assinatura escrita por assinaturas vocais.

Segundo Marcelo, a criação dessa base abrangente de vozes poderá ser feita de duas formas: uma é fazer um cadastro das vozes dos clientes a partir de cada novo contato, algo que leva mais tempo. A outra, em casos de empresas que já possuem registros telefônicos dos clientes, é utilizar as gravações para extrair as “assinaturas vocais” dos clientes e assim enriquecer rapidamente a base cadastrada. “É um processo que conseguimos fazer em 3 a 4 semanas, dependendo do cliente”, explicando como o algoritmo da Minds pode fazer esse serviço.

Em 2021, a IDtech registrou um crescimento de 52% de sua operação. Apesar de não abrir números de receita, a projeção agora é alcançar um crescimento três vezes maior, com foco na experiência do usuário e em melhorias na plataforma. Uma das apostas é a chamada liveness detection, que será usada para identificar se a voz da pessoa foi gravada ou clonada por meio da inteligência artificial, ou se realmente é a pessoa que está do outro lado da linha.

Diferentes canais

O investimento chega em paralelo com o lançamento de 3 produtos distintos, oferecidos no formato de serviço (SaaS) e baseados na mesma tecnologia de identificação: Minds for WhatsApp, Minds for App e Minds for Call Center. Os nomes são autoexplicativos, e segundo o CEO, eles vão ao encontro de uma tendência ainda forte no mercado, em que o atendimento via voz ainda é um dos mais utilizados.

Marcelo Peixoto, fundador e CEO da Minds Digital

“Os call centers são um grande foco para nós. Na pandemia houve uma explosão do uso destes canais, assim como um boom de vazamentos de dados e casos de fraudes. Com isso, se buscou uma forma mais eficaz de estancar estas falhas, e a autenticação por voz é uma alternativa”, explica Marcelo.

Em relação aos apps, Marcelo acredita que o uso da voz como autenticador pode ser um complemento ao uso do reconhecimento facial, especialmente em casos como fintechs, que necessitam de resposta rápida para atender requisições e prezam por uma boa experiência aos usuários. No caso da Minds, o algoritmo é capaz de fazer a checagem de uma voz em até 1 segundo, tanto para match do usuário como para detecção de vozes de fraudadores – que também são cadastradas na base.

Para o WhatsApp, o formato de identificação é semelhante, e vem para apoiar um nicho de atendimento em rápida ascensão – segundo dados de mercado, este canal teve em 2021 um boom de 251% em acessos nas empresas brasileiras. “Basta o usuário enviar um áudio de 4 a 6 segundos, que nossa plataforma já é capaz de fazer o reconhecimento”, explica o CEO.

Atualmente a IDtech está fechando o empacotamento destes 3 produtos, que já foram colocados em operação em um case com o Banco BMG. Além disso, 10 possíveis clientes já estão testando a plataforma e podem se somar à carteira atendida, contribuindo para a meta pretendida pela empresa em 2022. Quanto ao número de colaboradores, a meta é crescer dos atuais 45 funcionários para 60 até o fim do ano.

Potencial no mercado

Olhando o mercado, o potencial está lá para a Minds: segundo uma pesquisa realizada pela GoContact junto a 3 mil empresas da América do Sul, 75% dos executivos disseram que o inbound (quando o usuário liga para a empresa) é o mais usado, seguido por e-mail e formulários online com 64% e 42% outbound (ligação pró-ativa do call center para o cliente). Completam a lista redes sociais (39%); WhatsApp (18%); aplicativo da empresa (11%); chat com agente ao vivo (9%); SMS (5%); autoatendimento (4%) e videochat (1%).

A atenção à autenticação tira a Minds de uma rota de competição tão direta com o unicórnio unico e com a IDWall, que têm olhado mais para os processos de cadastro de clientes e também de confirmação de identidade na hora de fazer uma transação

Contudo, a ambição da startup vai além disso. Conforme aponta Marcelo, a tecnologia desenvolvida por sua empresa não depende de idiomas para fazer o reconhecimento das vozes, podendo ser facilmente ser transportada para outros mercados. “Nossa solução utiliza elementos da voz como timbre e cadência vocal para fazer a identificação”, explica.

Aliás, a possibilidade de escala global da solução foi um dos pontos que chamou a atenção dos investidores. Na análise do fundador e CEO da BR Angels, Orlando Cintra, o potencial de internacionalização e impacto nos negócios que a Minds carrega é “impressionante”. “A parte de fraude e riscos se tornou uma prioridade global depois da pandemia”, destacou o executivo ao falar sobre o apelo da startup junto ao mercado.

Orlando Cintra, fundador e CEO da BR Angels

O CEO da Minds destaca que na Europa, o reconhecimento via voz já é utilizado em alguns setores como o financeiro, mas ainda tem um grande potencial, especialmente nos países vizinhos. “Nós esperamos, num futuro próximo, escalar nosso produto em todo o mercado nacional e preparar uma expansão na América Latina e nos EUA”.

Contudo, o foco do momento está fixo no Brasil, especialmente no plano explicado lá no começo: de criar uma grande base de vozes verificadas e contar com grandes contratos e volumes de atendimento para dar o impulso inicial.

É aí que o smart money e a rede de contatos da BR Angels entram em ação. Segundo Orlando, a associação já está trabalhando no matchmaking da Minds com empresas que podem se interessar pela solução. “A startup manda uma lista de grandes empresas em que eles gostariam de entrar, e nós ajudamos a chegar de forma assertiva, abrindo portas”, destaca o CEO.

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