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Moto elétrica “made in Brazil” ganha escala de produção com aporte de R$ 5 milhões da Barn

Por Gustavo Brigatto, em 29 de julho de 2020

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Você se lembra quando foi a última vez que você viu uma startup de hardware recebendo uma rodada de investimento no Brasil? Eu me lembro de duas, talvez, nos últimos dois anos – a Hi Technologies e a Rentbrella. Via de regra, investidores se sentem mais confortáveis em colocar recursos em companhias de software, que são escaláveis e não têm ativos fixos.

Por isso, quando ouvi a história da Origem, achei que ela precisava ser contada. A companhia, que acaba de levantar uma rodada de R$ 5 milhões com a Barn Investimentos, também garantiu outros R$ 5 milhões em linhas de crédito para financiar a fabricação e a venda de uma moto elétrica desenvolvida por ela.

A startup nasceu em Brasília 2017 pelas mãos de três engenheiros formados na UnB: Felipe Borges, Diogo Lisita, Pablo Estrela. Depois que a companhia em que eles trabalhavam decidiu mudar seu foco de atuação eles decidiram aliar o que aprenderam por lá em termos de fabricação de equipamentos e desenvolvimento de software à bagagem do Felipe Borges na área de energia. A inspiração para atuar em mobilidade veio da China – onde Borges e Estrela já tinham morado e que os três conheciam de viagens a trabalho e a passeio.

Maior mercado de motos no mundo, o país tem um uso muito concentrando em distâncias curtas, nos deslocamentos de casa para o trabalho. Como no Brasil o cenário é diferente, com uma aplicação mais intensa ao longo do dia, no trabalho, o trio decidiu se concentrar no uso profissional, com aluguel das motos, não na venda.

O valor fica na faixa de R$ 1 mil por mês por unidade, e inclui quilometragem ilimitada, manutenção e um serviço de rastreamento também desenvolvido pela Origem. O valor pode variar dependendo do prazo do contrato, do tamanho da frota e do nível de serviço oferecido.

Antes de criar a própria moto, os fundadores pesquisaram diversas opções e cogitaram trazer para o Brasil a taiwanesa Gogoro. Mas nenhum dos modelos tinha as características necessária para uso mais prolongado e ainda esbarravam no custo de manutenção e de peças.

Inspirado na Gogoro, o modelo batizado de X foi desenvolvido com um sistema de troca rápida de baterias, que ficam disponíveis em estações de bateria. Quando precisa de mais carga, o piloto não precisa deixar a moto carregando. Basta ir até a estação e trocar a bateria. Para acelerar a adoção, a moto tem que ser tão conveniente quanto o modelo a combustão. Não dá para esperar a bateria recarregar”, diz Lisita. Ele diz acreditar que a criação dessa rede de estações de recarga será o maior desafio para a Origem.

Origem X, a moto elétrica desenvolvida pela startup de Brasília – Divulgação

O protótipo foi financiado com uma captação feita com um amigo que trabalha no mercado financeiro em 2018. O modelo foi enviado para certificação do Inmetro e do Denatran. Com a liberação dos órgãos, outros R$ 900 mil foram levantados com amigos e parentes para financiar a produção de 15 unidades de teste. Um shopping em Taguatinga (cidade satélite de Brasília) e a Ambev (dentro do programa de aceleração de projetos de sustentabilidade 100+) estão usando as motos. Os Correios também avaliaram o modelo.

No fim de 2019 a Origem fez uma captação de R$ 1,3 milhão por meio da plataforma de equity crowdfunding SMU Investimentos (antiga Start Me Up). Os recursos foram aplicados na montagem de uma linha de produção com capacidade para cinco mil unidades em Brasília.

Em paralelo a esses primeiros passos, os fundadores foram mantendo conversas com fundos de investimento. Lisita lembra que eles normalmente eram recebidos com entusiasmo, mas as conversas não avançavam. “Sempre pediam para esperar um próximo passo para poder voltar a conversar”, conta.

De acordo com Flavio Zaclis, fundador da Barn, o cheque de R$ 5 milhões – valor máximo que ela aporte – faz sentido dentro da política de investimento em sustentabilidade da gestora.

O valor captado com a Barn será usado para desenvolvimento comercial e de novos produtos. Os investimentos em produção serão feitos apenas com os recursos captados em forma de dívida, garante Lisita. “Somos asset light porque não usamos dinheiro de equity para financiar a produção”, diz Lisita.

O primeiro lote para validação da linha de produção terá 50 motos. A ideia é acelerar o ritmo em 2021, produzindo um novo lote novo a cada trimestre. Segundo Lisita, a companhia já tem mapeada uma demanda para três ou quatro anos de produção.

Jornalista com mais de 10 anos cobrindo tecnologia e inovação no Valor Econômico. Fundador e editor do startups.com.br.