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Com as atenções voltadas para o IPO do Nubank, um outro banco digital, com uma paleta de cores mais pastel, está chegando ao Brasil. Chegando talvez não seja a palavra mais adequada, uma vez que o alemão N26 já está por estas bandas desde 2019. A novidade agora é que ele vai começar a operar. Ou pelo menos prevê começar. O objetivo é colocar o serviço no ar oficialmente no 1º semestre de 2022, ainda sem uma data exata.

Até lá, a fintech vai ativar um número limitado de nomes da lista de espera que começou a ser montada há 3 anos para testar funcionalidades e fazer ajustes. Serão 2 mil pessoas de uma base de 200 mil cadastros.

“Vamos lançar um produto com a cara do brasileiro. Que responda aos seus problemas. O Brasil será uma operação bem independente, pegando da Alemanha o que precisar para ter sucesso e não pegando o que não precisar”, diz Eduardo Prota, responsável pela operação no Brasil desde 2019.

Segundo ele, a ideia inicial é fazer uma estreia mais suave, sem grande alvoroço no ano que vem. Mas essa medida será calibrada nos próximos meses.

Eduardo Prota, country manager da N26

Hallo Brasilien!

Chamar a atenção não será fácil por conta do hype em torno da listagem do Nubank, mas também pela grande movimentação no mercado de serviços financeiros, com novas contas e carteiras digitais surgindo e apresentando novidades diariamente.    

Para se diferenciar nesse oceano que ainda é azul, mas começa a ganhar uns tons vermelhos, o banco alemão pretende apostar na questão da saúde e da educação financeira para os brasileiros. “Queremos dar um salto para melhorar a relação das pessoas com o dinheiro. Hoje, 70% das pessoas gastam mais do que ganham”, diz Eduardo, que classifica esse posicionamento como a 2ª geração das fintechs. A 1ª, segundo ele, ajudou as pessoas a se bancarizarem. Agora, a missão é mudar a relação com o dinheiro.    

Para fazer isso, a ideia é apostar no conceito de comunidade. Na avaliação de Eduardo, o que existe hoje no mercado em termos de educação financeira é muito complicado e exige muito esforço e dedicação para ler artigos, assistir aulas, palestras e lives. Para ele, é preciso tornar esse entendimento mais simples, facilitar a tomada de decisão das pessoas. E isso passa pela interação e troca de ideias entre elas – um conceito semelhante ao da corretora americana Robinhood, e ao que o Sprout quer fazer também. Ele diz que a forma como isso será feito ainda não está definida, mas uma coisa que está em vista é a oferta de incentivos, ou os nudges, da economia comportamental, para que elas criem novos hábitos. Um deles é a opção de arredondar compras para guardar a diferença.    

Perguntado sobre a possibilidade de ter uma conta internacional a partir do Brasil, Eduardo diz que essa pode ser uma opção para o possível no futuro. Mas não está nos planos para o momento por ser um produto de nicho.

Atrasos e expectativas

A estreia no Brasil deveria ter acontecido em meados de 2020, depois de o neobank montar uma operação com 15 pessoas e pedir licença no Banco Central para atuar como uma Sociedade de Crédito Direto (SCD). A pandemia, no entanto, mudou os planos. Parte da equipe foi desligada e outra foi enviada para a Alemanha. Eduardo manteve as luzes acesas enquanto o processo da licença de operação tramitava.

Com a liberação, no fim de 2020, os planos foram retomados. Hoje a equipe conta com 50 pessoas e o Brasil é o 26º país no qual a companhia desembarca – coincidência cabalística?   

A ideia é que o país seja uma peça importante na meta de chegar a 100 milhões de clientes ao redor do mundo. Atualmente são 7 milhões. “Temos chance de virar uma das maiores operações em número de clientes”, projeta Eduardo.

Sem querer comparar, mas já comparando, o Nubank tem 48,1 milhões em 3 países da América Latina e deve chegar à bolsa valendo entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões.

Para financiar sua expansão, o N26 fechou em meados de outubro uma rodada de mais de US$ 900 milhões na qual foi avaliado em US$ 9,2 bilhões. A série E foi liderada pela Third Point Ventures e pela Coatue Management, e marcou a chegada da Dragoneer, além de contar com investidores que já eram da base – incluindo o bilionário Peter Thiel.

Com o aporte, o N26 passou a ser o 2º banco mais valioso da Alemanha, atrás apenas do Deutsche Bank.

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