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Na briga dos aplicativos de supermercado, SuperOpa corre por fora com descontos vultosos e pegada de sustentabilidade

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A pandemia causou nas redes de supermercados um fenômeno científico conhecido como barata voa. Da noite para o dia, os investimentos que vinham sendo feitos na migração para o mundo digital se mostraram insuficientes e foi preciso acelerar o passo (tem gente que não se adaptou até hoje).

Enquanto as redes corriam para se adaptar ao novo cenário, uma startup de Campinas (SP) aproveitou para ganhar espaço com uma proposta que se encaixa em uma das teses mais badaladas do momento, a sustentabilidade.

A SuperOpa pega alimentos próximos ao vencimento que os distribuidores não conseguem entregar para o varejo – e que normalmente acabam sendo jogados fora – e os revende aos consumidores por meio de seu marketplace. Para evitar torcidas de nariz como essa que você deu agora, ela oferece descontos agressivos nos produtos, que podem chegar a 70%.

Atualmente são 6 acordos com alcance de 500 cidades em São Paulo, Rio e Minas. As entregas são feitas em um prazo de 1 a 3 dias.

Salvar o mundo e ganhar dinheiro

Mas o plano da companhia vai além de passar a imagem de salvadora do planeta. A ideia é atender o consumidor também com produtos com validade convencional. “Estamos correndo na paralela. Queremos que a SuperOpa seja a primeira opção do consumidor. Já que ele já está ali, queremos vender tudo para ele. As promoções geram engajamento”, diz Luiz Borba, cofundador e presidente da companhia. Segundo ele, a média de compras por consumidor é de 1,3 por mês, com churn de 30% na base. O aplicativo da companhia foi baixado mais de 20 mil vezes.

Hoje a companhia oferece alimentos e produtos de higiene e bem-estar e está começando a entrar em bebidas em parceria com a Ambev. Uma nova frente, de produtos PET, já conta com fornecedores para ser lançada.

Dos cerca de 1,2 mil produtos oferecidos por ela, só 10% são itens próximos ao vencimento. 90% têm validade padrão. E mesmo estes são oferecidos com bons descontos: até 15%.

Os descontos são a forma que a SuperOpa encontrou de não competir diretamente com os grandes e ganhar espaço com seu público-alvo, a população das classes B e C. Por esse foco, a companhia tem uma proposta de ser mobile first, já que esse público muitas vezes não tem um computador em casa, diz Leandro Zanardi, cofundador e diretor de tecnologia. 80% da base usa sistema operacional Android.

A estratégia de descontos não se trata, no entanto, de queimar dinheiro para ganhar mercado, garante Borba. Nas vendas de produtos perto do vencimento, a SuperOpa alcança margem de 30%, e nos convencionais, 15%.

No acumulado de janeiro a setembro de 2020, a companhia teve uma venda total (GMV) de R$ 2,6 milhões. O tíquete médio ficou perto de R$ 185 em setembro.

Crowdfunding

Para dar escala à operação, a companhia está com uma campanha de equity crowdfunding na SMU. O objetivo é captar R$ 2,6 milhões, que serão usados para aumentar a equipe – que hoje conta com 20 pessoas – e em marketing. O plano de crescimento também passa pela ampliação de categorias, cobertura e pelo lançamento da carteira digital Opa Pay, que já está disponível como um aplicativo separado, mas será integrada ao aplicativo principal ao longo do primeiro semestre. O público das classes B e C muitas vezes não é bancarizado, então ter uma carteira que acessa serviços financeiros ajuda a trabalhar a retenção”, diz Zanardi.

Com o aporte, a meta é atingir um crescimento composto anual (CAGR) de 180% entre 2021 e 2025, saindo de uma receita de R$ 2,6 milhões para R$ 92 milhões. Sem a rodada, o crescimento ficaria na faixa de 70%.

A Bossa Nova está entrando com 13,5% da captação. A campanha tem 40% do valor total reservado. O modelo de contrato usado é o SAFE, em que o valuation da companhia não é definido de largada. O investimento mínimo é de R$ 5 mil. A SuperOpa já tinha levantado R$ 300 mil com a Downind Investimentos e Participações, do advogado Marcio Barbero.

A campanha na SMU foi lançada no começo de dezembro e terminou na semana passada sem alcançar o objetivo. Por conta disso, O prazo foi estendido até dia 10 de fevereiro. Segundo Borba, a opção de lançar mesmo com o recesso do fim do ano e sob o risco de a demanda ser baixa aconteceu porque a preparação para a companha já estava em curso há dois meses, e a ansiedade era grande para colocá-la na rua. A opção pelo equity crowdfunding seguiu a lógica de ter sócios que sejam promotores da companhia. No estágio seed isso é essencial para chegar ao market fit. Pelas contas da SMU poderíamos acessar de 600 a 700 pessoas, no mínimo, criar um grupo de pessoas que dão feedback ao longo da jornada”, avalia Borba.

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