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Na Darwin Capital, investimento em Israel entra no cardápio

Por Gustavo Brigatto, em 27 de outubro de 2020

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No voo de volta de uma viagem a Israel em junho de 2018, Marcelo Astrachan começou a conversar com seu vizinho de poltrona na classe executiva da British Airways. Papo vai, papo vem, ele ficou sabendo que os dois tinham muito mais em comum do que o destino final e as mordomias da companhia aérea britânica.

Shai Hod é presidente da iArgento, um multi-family office israelense que tem uma proposta de atuação muito parecida com a da Darwin Capital, de Astrachan: colocar recursos em poucas empresas e não trabalhar com o modelo de remuneração tradicional de fundos de venture capital (o 2% de taxa de administração com 20% de taxa de performance). Por fazer a conexão entre empresas e investidores, a iArgento recebe uma participação na companhia (mesma formato da Darwin). Os investidores pagam uma taxa de 0,4% ao ano a título de reembolso de despesas.

Um ano e meio depois do primeiro encontro os dois fecharam um acordo para atuarem de forma conjunta – a Darwin apresentando opções de investimento da iArgento a brasileiros e vice-versa. Não está no escopo do acordo o apoio comercial para que as empresas dos portfólios façam negócios no Brasil ou em Israel. Mas isso pode acontecer, eventualmente. Isso abre nosso leque de posicionamento”, diz Astrachan.

O executivo montou a Darwin em 2017 como uma boutique de M&A após sua saída da Synapsis (quem em 2012 tinha comprado a comprado a Cyberlynxx, empresa tocada por ele). Logo em seguida ampliou a atuação para o mundo do venture capital. Hoje o portfólio tem seis empresas: Bee Vale, Benie, Moneri, Squid, Cue Health (nos EUA) e Zoop.

Em sua operação mais recente a Darwin acompanhou a Movile no aporte de R$ 60 milhões feito na Zoop (a parte dela ficou na faixa de R$ 700 mil, apurou o Startups).

“Já tivemos algumas tentativas no Brasil e podíamos ter um escritório próprio. Mas é mais interessante e econômico aproveitar a experiência de alguém que já está no mercado”, disse Hod ao Startups em videoconferência.

Na conversa ele apareceu fardado e portando a boina laranja do Home Front Command, unidade das Forças Armadas de Israel que organiza a rotina civil em situações de emergência. Por conta do combate ao coronavírus, os israelenses da reserva estão na ativa no serviço militar a mais de 100 dias.

Em seu portfólio atual a iArgento tem cinco empresas:

Ayyeka Technologies – que desenvolve tecnologia de monitoramento remoto em ambiente industrial

Wise Sight – que usa visão computacional para automatizar a gestão de estacionamentos (a até aeroportos)

Chakratec – que usa tecnologia de movimento cinético para montar pontos de recarga para carros elétricos em contêineres

Sciroot – de monitoramento de irrigação de plantações

Tuqqi – com uma série de ferramentas de produtividade para empresas

A estimativa é que a carteira acumula uma rentabilidade de 123% em cinco anos.

A tese é investir em companhias israelenses que atuem no B2B, que estejam em fase piloto de suas ofertas e que não tenham um produto único, mas uma plataforma de serviços. Também é preciso ter margens brutas elevadas – 60% a 70% – que permitam a ela ter lucro em algum momento de sua trajetória. Por ano, a gestora olha cerca de 100 empresas e só fecha um investimento, diz Hod.

Em novembro a iArgento vai listar na bolsa de Tel Aviv um fundo de investimento em venture capital que tem como objetivo levantar US$ 30 milhões para aportes.

Jornalista com mais de 15 anos de experiência acompanhando os mundos da tecnologia e da inovação, com passagens pelo DCI, Sebrae-SP, IT Mídia e Valor Econômico. Fundador e Editor-Chefe do Startups.com.br.