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Com o tocar do sino na Nasdaq nesta quinta-feira (04), a empresa de gestão e inteligência de dados Semantix se torna a primeira empresa de deep tech latino-americana a ser listada na bolsa, com o ticker STIX. O passo é resultado da fusão da companhia com a SPAC Alpha Capital. Com a entrada na bolsa, o plano da companhia é escalar e ganhar o palco mundial, agora nadando com os tubarões no mercado tech.

“No mar que estamos agora, não vence quem é tubarão. Vence quem nada mais rápido”, disparou o CEO da Semantix, Leonardo Santos, em entrevista ao Startups. “Estamos jogando o jogo na primeira linha, e vemos uma grande oportunidade de crescer num mercado que ainda não aproveitando o potencial total dos dados”, completou o executivo.

A Semantix quer entrar neste cenário global para escalar sua plataforma que ajuda grandes empresas a estruturar e processar seus dados, tirando insights de um data lake a partir de diferentes sistemas (ERP, CRM, planilhas, redes sociais). A empresa possui em sua carteira cerca de 300 clientes  – entre eles Vivo, Bradesco e Samsung.

Big Data não é um jogo novo – é um papo que ouvimos bastante há pelo menos uns 10 anos. Empresas grandes e listadas como Microsoft, SAS e outras já estão nessa faz tempo, e mesmo assim não conseguiram descomplicar este conceito para muitas empresas. “90% das empresas ainda não utilizam dados de uma forma abrangente, pois é algo complexo e caro de se fazer”, pontuou Rafael Steinhauser, confundador e presidente da Alpha Capital. Segundo números levantados pela própria Semantix, o potencial do mercado pode chegar a US$ 89 bilhões até 2024.

Falamos dos tubarões, mas é importante salientar que atualmente também tem outros peixes rápidos na água: um exemplo é a startup de data warehousing baseada na nuvem Snowflake, investida por Warren Buffett e que fez seu IPO no ano passado, levantando US$ 3,36 bilhões.

Acelerando as braçadas

Para nadar rápido neste mar, a empresa pretende acelerar seu go-to-market, investindo pesado na plataforma e produtos. Isso envolve também focar em talentos, especialmente no mercado norte-americano, onde a companhia opera desde 2020 e recentemente firmou um Programa de Ligação Industrial (ILP) com o Instituto de Tecnologia de Massachussetts (MIT). “Estamos focados em subir a barra da companhia em nível global. Não jogamos mais um jogo só na América Latina”, explica Leonardo.

Leonardo Santos, CEO da Semantix. Foto: divulgação

A companhia também já tem desenhado um pipeline de aquisições, que deve começar a ser desenrolado já neste segundo semestre de 2022. O CEO não deu nomes de empresas, mas revelou algumas direções em que pretende seguir. “Tecnologias como RPA (Robot Process Automation), Graph Knowledge Base e outras de automação [baseadas em] dados são caminhos que vamos seguir”, aponta Leonardo. Além disso, a empresa quer intensificar suas ofertas em verticais estratégicas como saúde, finanças, varejo, indústria 4,0 e agronegócio.

O plano também envolve expansão geográfica, mas este é um objetivo que a Semantix pretende levar com mais parcimônia. De acordo com o CEO, neste primeiro momento a empresa ainda planeja aproveitar sua colocação e o potencial no mercado latino e norte-americano para impulsionar seu crescimento a curto prazo.

Em 2021 a companhia registrou R$ 211 milhões em receita. Para 2022, as estimativas da companhia é chegar nos R$ 290 milhões. Já para 2023, de fato o primeiro ano completo depois da fusão com a Alpha Capital, o objetivo é dar um salto para R$ 406 milhões, algo perto dos US$ 80 milhões em faturamento, com 84% de receita recorrente.

Vale lembrar que a Semantix é uma empresa de SaaS, algo que costuma pegar bem em relação aos múltiplos. No caso da empresa brasileira, a transação avaliou a da empresa em 8,7x, algo que ainda chama a atenção de investidores, mas esta abaixo de outros concorrentes como a Snowflake, que negocia sua receita de 2022 a um múltiplo na casa de 50x.

Dinheiro no caixa

Para “colocar todo esse bloco na rua”, a Semantix tá com dinheiro no caixa. Avaliada em US$ 1 bilhão post-money, a empresa tem cerca de US$ 320 milhões que a Alpha Capital trouxe para a mesa. US$ 230 milhões vem da grana levantada pela Alpha em seu IPO no ano passado. O acordo prevê um valor adicional de mais de US$ 100 milhões, por meio de um private placement (PIPE) de US$ 94 milhões e por compromissos de acionistas em não resgatarem seus investimentos no SPAC (non-redemption).

Segundo Rafael Steinhauser, nos dias que antecederam a abertura na Nasdaq, os acionistas ainda tinham a opção de fazer seu resgate de investimento (redemption), o que alguns fizeram. Porém, uma parte preferiu manter os investimentos, o que rendeu uns bons milhões adicionais para o negócio. É um feito considerável, ainda mais num ano em que o movimento de “de-SPACing” veio pesado, tanto na saída de investidores quando na queda de ofertas.

“Nossa relação não foi apenas um investimento. É um casamento e chegamos até aqui muito alinhados”, brinca Steinhauser, ao falar do comprometimento dos sponsors do SPAC, que foi criado e saiu para o mercado para ser o primeiro da região a investir em tecnologia. “Escolhemos a Semantix pois é uma empresa que ‘checked all the boxes’ [ou seja, preencheu todos os requisitos], com alto potencial de crescimento e lucro”, completou.

Dentre os integrantes da SPAC estão Alec Oxenford, que fundou os unicórnios OLX e letgo. Rafael Steinhauser foi o CEO da Qualcomm na América Latina. Outros participantes são Fabrice Grinda, da FJ Labs, e Verônica Serra, da Innova Capital. O PIPE tem a participação do fundo Innova Capital, Bradesco, Crescera e FJ Labs. Um detalhe, as três primeiras empresas também possuem participação direta na Semantix, e aumentaram sua aposta na companhia.

Segundo o fundador da Alpha Capital, a visão e ambição da Semantix também empolgou os investidores. “Ninguém tirou dinheiro porque acredita que a empresa tem um caminho animador pela frente. [A Semantix] tem 325 clientes e este ainda é um número pequeno comparado ao potencial na América Latina e mundo. Estamos saindo do teatro de bairro para um palco global”, destacou Steinhauser.

Para o Leonardo Santos, a empresa e shareholders estão comprometidos com o jogo de longo prazo. “Não estamos aqui para aproveitar um ciclo e sim para construir ciclos. O mercado de dados ainda deve passar por uma consolidação, com empresas de plataforma tomando a frente. Queremos nos estabelecer como uma líder”, finaliza o CEO da Semantix.

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