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Com a nova resolução CVM 88, em vigor desde o começo de julho, uma das mudanças mais badaladas pelo mercado de equity crowdfunding era a liberação do “mercado secundário” para as participações de startups. Puxando a frente, a CapTable já está colocando na rua a sua plataforma para este mercado, chamada CapTable Marketplace.

Investidores anjo, pessoas físicas e outros tipos de investidores ativos poderão negociar suas cotas de investimento dentro da plataforma da empresa. De acordo com a resolução 88, investidores ativos são aqueles que participaram de rodadas de captação dentro da plataforma nos últimos 24 meses.

Em entrevista ao Startups, o CRO da CapTable, Leonardo Zamboni, destacou que a plataforma trará um impulso inédito, não apenas para a empresa, mas para o mercado como um todo. “Na 588 [1ª resolução da CVM que regularizou o equity crowdfunding], o mercado foi de zero pra um. Com a 88, vamos de um pra cem, pelo maior volume de negócios, que dá mais receita para a plataforma, mas também com a entrada de novos investidores, atraídos pela maior possibilidade de liquidez”, avalia.

Conforme explica o executivo, antes da mudança, quando um investidor desejava liquidar suas cotas de uma startup, ele precisava procurar ativamente um comprador e negociar a venda. A plataforma só era envolvida na hora de transferir os direitos destas cotas. “Agora temos um mercado mais organizado para estes negócios”, pontua.

De acordo com Leonardo, a expectativa da empresa é que a plataforma movimente de R$ 40 milhões a R$ 60 milhões até o fim do ano. É um valor comparável ao que a plataforma transacionou em 2021: R$ 50 milhões. O mercado como um todo foi de R$ 188 milhões no ano passado. “A médio prazo a gente acredita que o marketplace deve igualar os valores movimentados nas ofertas primárias”, destaca o CRO.

A projeção da CapTable é que inicialmente 30% da base atual de 6.500 investidores utilize o marketplace, dependendo do número de cotas de investimento que serão oferecidas. Segundo Leonardo, a empresa vem desde o ano passado conversando com as startups da carteira para aderir ao novo mercado. “Mais da metade das startups nos sinalizou positivamente, e esperamos iniciar a plataforma com um bom número de negócios”, aponta.

Preparação da CapTable

Para conseguir lançar de forma rápida – pouco mais de uma semana após a vigência da resolução 88 – a CapTable começou a se preparar cedo. “Em 2020, quando rolou uma audiência pública para a revisão da primeira regulação da CVM, já se sinalizou que este movimento (de mercado secundário) seria realizado”, explicou Zamboni, afirmando que a empresa vem se preparando desde então.

A previsão inicial da CVM era que a nova resolução fosse aprovada em 2021, mas acabou sendo adiada para o 2º semestre de 2022. O CRO afirma que, para deixar as coisas prontas, a empresa triplicou seu time de tecnologia desde o início de 2022. “Não tivemos um investimento tão grande em infraestrutura, pois já vínhamos nos preparando desde o ano passado”, afirma ele, sem abrir valores.

Gustavo Piccinini (à esq.), Guilherme Enck, Paulo Deitos e Leonardo Zamboni, da CapTable

Por falar em infraestrutura de acesso, o desafio agora é aumentar o número de pessoas utilizando o marketplace, trazendo-os para novas ofertas e estimulando a movimentação nas negociações subsequentes. “Até brincamos aqui que já temos 6.500 investidores, mas são somente 6.500 investidores”, afirma Zamboni, fazendo alusão ao potencial de mercado que o equity crowdfunding pode atingir em termos de usuários. As metas da CapTable são ambiciosas, querendo chegar a 100 mil investidores no médio prazo e 300 mil até 2025.

Para isso, a empresa quer fechar o ano com pelo menos 30 ofertas. Em entrevista ao Startups no final de junho, o presidente Paulo Deitos destacou que ampliou o time de dealflow para acompanhar as mudanças da CVM e deu a letra. “Já abrimos 12 deals este ano. Até o final do ano esperamos fazer até 18, com pelo menos 3 acima dos R$ 5 milhões”, afirma.

Ganhos para as startups

Segundo as regras da CVM, as startups têm a opção de escolher se querem ou não deixar suas cotas abertas para negociações no marketplace, e têm também a opção de permitir apenas a compra e venda de participações entre pessoas que participaram da oferta inicial. Porém, de acordo com o Leonardo, várias já percebem os ganhos que podem ter com a novidade.

“A possibilidade de investidores poderem entrar depois de uma rodada fechada pode também beneficiar as startups”, aponta, citando casos de startups que conhecem investidores-anjo após as suas rodadas. Segundo ele, agora investidores que se interessam em participar destes negócios podem entrar de forma mais simples e colaborar com seu smart money.

De acordo com os executivos da CapTable, a demanda reprimida está lá. “A expectativa é que, nos primeiros dias, muitos investidores estejam buscando por oportunidades, assim como outros queiram achar compradores para suas cotas. Sabendo disso, fizemos diversos testes na plataforma e ela deve funcionar para atender essa demanda que há tempos esperava por essa novidade”, completa Guilherme Enck, cofundador da empresa.

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