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Com o amadurecimento do ecossistema brasileiro, algumas startups já estão com um board consultivo para suportar e orientar sua gestão, apontando quais os melhores caminhos para crescer. No entanto, é preciso estruturar o conselho com cautela, principalmente nas fases mais iniciais da startup, momento em que a governança deve estar presente de forma mais amena.

Um conselheiro externo, investidor muito bam bam bam, por exemplo, em uma startup early stage pode mais atrapalhar do que ajudar. Ou não apitar nada. Para André Maciel, ex-Softbank e fundador da gestora Volpe Capital, é preciso ter clareza na expectativa em relação ao grau de engajamento dos conselheiros.

“Tem muito board com grandes nomes do mercado, mas o cara aparece de paraquedas e dá pitacos de vez em quando, sem saber quais são as métricas de performance das investidas”, afirmou ele durante painel realizado no South Summit Brasil nesta sexta (6). “Com conselheiros mais bem preparados e engajados, muitas vezes vale mais a pena um board mais júnior, mas que estará realmente presente no dia a dia do negócio”, opinou. Acompanhe a cobertura do evento feita pelo Startups aqui.

Para Maria Carolina Lacombe, VP do Valor Capital Group, também presente no painel, a comunicação é crítica para um board funcionar. “É essencial que o fundador se prepare para o antes, durante e o pós do que deve ser comunicado, e tenha sempre ao seu lado no board um executivo da própria startup”, disse.

José Pedro Cacheado da Norte Ventures (à esq), Maria Carolina Lacombe, do Valor Capital, e André Maciel, da Volpe Capital

De olho nas métricas e limitações

Fundada no início de 2021, a Volpe tem um portfólio mais concentrado, nasceu com o plano de levantar em torno de US$ 100 milhões e investir em ao menos 15 startups até 2024. A estratégia é ajudar as startups a desdobrar suas métricas do dia a dia, entendendo como elas evoluem. 

“No early stage o fundo não pode perder métricas de performance, enquanto fica discutindo estratégias maiores, de como ir pro Japão, por exemplo. Não adianta ficar discutindo grandes estratégias, aquisições, para onde o mundo tá indo, enquanto no dia a dia daquela startup ela está perdendo uma métrica muito importante”, ressaltou André.

O investidor também trouxe à discussão as limitações na relação entre investidor e empreendedor. Afinal, como em todo relacionamento, existem características específicas que precisam ser bem cuidadas, para minimizar possibilidades de conflitos e desentendimentos.

Na sua visão, o investidor tem que entender suas limitações. “Ele não pode querer gerir o negócio de uma startup. Essa é a receita pro desastre. Tanto investidor quanto empreendedor tem que saber ouvir e entender as limitações de cada um”, completou.

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