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Depois de dois pilotos de investimentos em startups por meio da plataforma de equity crowdfunding CapTable, o Badesul destinou um orçamento de R$ 4 milhões para fazer novos aportes nessa modalidade entre 2021 e 2022. De acordo com Elias Graziottin Rigon, os aportes ficarão na faixa de R$ 500 mil por companhia.

A experiência da agência de fomento da região Sul abre um novo capítulo para o mercado de equity crowdfunding no Brasil, com a possibilidade de entrada de investidores de perfil institucional nas ofertas, não apenas pessoas físicas.

No Badesul a proposta é montar um portfólio que tenha sinergia com a atuação da agência de fomento, de forma que as empresas possam fazer negócios com seus clientes – como produtores rurais, por exemplo.

Para encontrar possíveis negócios, a agência de fomento está montando um edital para contratar um/uma “agente de crowdfunding”. Além da análise das ofertas disponíveis no mercado, essa pessoa ficará responsável pelo acompanhamento das empresas durante o ciclo de investimento.

Esse prazo aliás, será mais curto do que o dos fundos de venture capital tradicional. Segundo Rigon, o tempo máximo previsto é de cinco anos. “Não é do nosso interesse ser sócio eternamente”, diz.

O Badesul tem atualmente R$ 35 milhões alocados no Criatec, do BNDES e nas gestoras Domo e CRP e pode, como estratégia de saída, fazer conexões para novas rodadas.

Outra possibilidade é o próprio crowdfunding. Pela instrução 588 da CVM, de 2017, as captações têm um limite de R$ 5 milhões. Mas está em discussão a ampliação desse teto. Segundo Paulo Deitos, cofundador da CapTable, tem se falado em R$ 10 milhões, mas a expectativa dele é que o montante possa ficar entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. “Daí dá pra fazer até uma série A”, avalia Rigon.

Interesse antigo

De acordo com Rigon, o Badesul vinha estudando o equity crowdfunding como forma de fazer investimentos há algum tempo, mas não enxergava segurança jurídica no modelo. Com a instrução 588, essa segurança veio. “Não há nenhum impedimento”, diz.

Em 2018, com o início dos trabalhos do LAB de Inovação Financeira da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), BID e CVM, o assunto começou a ser estudado mais a fundo e até ganhar caráter de piloto.

No primeiro teste, o Badesul aportou R$ 99 mil na Pomartec, fechando a rodada da agtech de fruticultura de precisão, que levantou R$ 687 mil em abril. Nesta semana, a agência de fomento ancorou com R$ 400 mil a rodada de R$ 1,1 milhão por uma fatia de 10% da Serall, que usa nanomateriais para a criação de insumos industriais.

As experiências serão compiladas pelo BID em um documento que servirá como referência para que outras agências de fomento também possam usar o crowdfunding em suas estratégias. A expectativa é que

Serall

A captação foi concluída em apenas 11 horas e registrou mais de 400 interessados. Com a alta demanda, a companhia optou por pegar um pouco mais de recursos e o valor final da rodada será de R$ 1,32 milhão. Isso é possível porque a CVM liberou, em meio à pandemia (até dezembro), que rodadas possam ter uma captação adicional de até 20% do valor previsto. Outra mudança temporária foi a liberação para que rodadas sejam concluídas com metade do valor pretendido (não 66%). “Seria interessante que essas coisas virassem padrão. Acho que vão virar”, diz Deitos.

Para ele, a velocidade na captação da Serall tem a ver com o negócio, com o atual momento do mercado, mas também com a participação de um líder na rodada.

“É bom ter um cara que é profissional chancelando. Todo mundo ganha”, diz Deitos. Segundo ele, a ideia do CapTable é buscar mais esse formato – sem, no entanto, colocar a existência de um líder como pré-requisito para as novas captações feitas pela plataforma.

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