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Nubank levanta mais US$ 400 milhões e passa a valer US$ 25 bi (só porque eu disse que ia valer US$ 30 bi!)

Por Gustavo Brigatto, em 28 de janeiro de 2021

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O Nubank anunciou agora pela manhã uma nova rodada de investimento de US$ 400 milhões. Com a série G, o neobank passa a valer US$ 25 bilhões. o valor é 2,5 vezes o que ele foi avaliado na série F, de 2019, e coloca a companhia entre os cinco bancos mais valiosos da América Latina, atrás de Itaú, Bradesco, Santander e XP. Meu palpite era que o valuation chegaria a US$ 30 bilhões.

A rodada aconteceu menos de um ano depois de o Nubank ter levantado US$ 300 milhões com investidores de sua base (que o Startups deu em primeira mão) em uma ponte para capitalizar a empresa para oportunidades que apareceram em meio à pandemia – como a compra da Easynvest. No começo do ano passado o Nubank também tinha feito o acqui-hire de dois de seus principais fornecedores de tecnologia, a Cognitec e Plataformatec. Ao todo o neobank soma US$ 1,2 bilhão captados em 7 anos.

O aporte foi liderado pelo fundo soberano de Cingapura, o GIC, Whale Rock e Invesco e contou com a participação de investidores de rodadas anteriores, como Sequoia, Tencent, Dragoneer e Ribbit. A captação é, muito provavelmente a última feita pelo Nubank antes de um IPO – que acredita-se que será feito no EUA por conta da tese de atuação na América Latina que a companhia está desenvolvendo. O Nubank também está ampliando sua oferta de produtos, adicionando conta corrente, seguros e investimentos aos clientes. “Embora nosso foco seja em serviços financeiros, não vemos limites para as maneiras como o Nubank pode combater a complexidade e ter um impacto transformador na vida das pessoas. Costumo dizer que ainda estamos no ‘dia 1’. As oportunidades pela frente são infinitas”, disse David Vélez, fundador do Nubank, em comunicado. O que será que ele quis dizer com isso? NubankCar? NubankPhone?

Aporte em contexto

O montante da captação – que em reais chega a R$ 2,2 bilhões – é vultuoso e chama a atenção, mas tem um componente curioso. Quando levantou US$ 400 milhões em meados de 2019 valendo US$ 10 bilhões, o Nubank tinha 12 milhões de clientes. Isso significa que cada um de seus clientes valia US$ 1,2 mil – um valor acima da média dos bancos digitais globais de primeira linha, que, na época, estava na faixa de US$ 1 mil.

Na rodada anunciada hoje, o valor de cada cliente caiu para R$ 735. Um valor ainda alto já que a médio por cliente também caiu em meio à pandemia, para mais perto de US$ 500, mas ainda assim uma “desvalorização” de quase 40% dentro da base do Nubank. Efeito do câmbio, talvez, mas também um reflexo da própria expansão da base de clientes, atingindo um público de menor renda – tanto no Brasil, quanto no México e na Colômbia, onde a companhia estabeleceu operação recentemente.

A expansão internacional, aliás, é um dos principais focos da nova captação. “Como o fluxo de caixa da operação brasileira é positivo desde 2018, o valor captado irá principalmente apoiar a expansão no México e Colômbia”, escreveu o Nubank em comunicado.

A companhia diz que no México já é um dos seis maiores emissores de novos cartões de crédito, com mais de 1 milhão de pessoas tendo se registrado para ter um “roxinho”. Na Colômbia, quatro meses após o lançamento, a lista de inscritos do cartão já tem 200 mil pedidos.

Balanço (parcial) de 2020

Nos primeiros seis meses de 2020, dados mais recentes disponíveis, o Nubank reduziu seu prejuízo em quase um terço na comparação com o mesmo período de 2019, somando R$ 95 milhões em perdas.

A receita dobrou, chegando a R$ 2,079 bilhões e o número de clientes também avançou na mesma proporção, atingindo a marca de 26 milhões – uma média de 41 mil novo clientes por dia.

No fim dos primeiros seis meses de 2020, o Nubank acumulou R$ 19,9 bilhões em caixa, um aumento de 48% na comparação com um ano atrás.

“Em resumo, as receitas operacionais continuam aumentando em um ritmo mais acelerado que as despesas e a nossa geração de caixa operacional se mantém sólida e em trajetória de alta. Isso permite que a gente continue com nossa estratégia de crescimento – com nível de capitalização compatível com o desenvolvimento do nosso negócio”, escreveu Marcelo Kopel, agora ex-diretor financeiro do Nubank, em post publicado no blog da companhia. O executivo deixou a companhia há cerca de duas semanas alegando motivos pessoais.

O executivo afirmou que o prejuízo no período era esperado e faz parte da estratégia de crescimento da companhia. “Escolhemos investir na empresa, nas pessoas e no desenvolvimento de novas tecnologias para continuar entregando a melhor experiência aos nossos clientes. Este modelo é bastante conhecido e usado por empresas de tecnologia”, disse.

No final de junho, a companhia tinha 2.720 funcionários, um aumento de 12% na comparação com um ano antes.

Assim como os grandes bancos, o Nubank aumentou as provisões para perdas relacionadas à inadimplência. O acréscimo foi de 16% – bem menos que o Bradesco, por exemplo, que ampliou a conta em 155%.

De acordo com o Nubank a pandemia gerou um impacto no volume de compras com o cartão de crédito como efeito das medidas de quarentenas. No fim do semestre, no entanto, o fluxo de transações retornou ao patamar anterior e o volume transacionado em compras com cartão de crédito ficou 54% maior que o registrado nos seis primeiros meses de 2019.

“O Nubank conseguiu aumentar suas receitas mesmo com essa queda de transações momentânea – e esse resultado se deve à agilidade dos nossos times”, escreveu Kopel.

 

Jornalista com mais de 15 anos de experiência acompanhando os mundos da tecnologia e da inovação, com passagens pelo DCI, Sebrae-SP, IT Mídia e Valor Econômico. Fundador e Editor-Chefe do Startups.com.br.