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O plano de US$ 1,4 tri da China para reduzir sua dependência tecnológica dos EUA (em cinco anos)

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Envolvida em uma disputa comercial com os EUA – inflamada pela postura de Donald Trump, mas que não deve mudar muito na gestão de Joe Biden -, a China tem um plano ambicioso para reduzir sua dependência de tecnologias desenvolvidas pelo país.

O objetivo do governo é investir US$ 1,4 trilhão ao longo dos próximos cinco anos para apoiar a pesquisa e desenvolvimento em áreas como semicondutores, inteligência artificial, robótica, 5G, 6G, data centers e computação em nuvem, supercomputação, computação quântica e satélites de órbita baixa. As ambições estão ligadas ao Belt and Road Initiative (BRI) – que conta com a participação de 138 países – e do Digital Silk Road (DSR).

“Isso irá envolver uma rede de países cujas infraestruturas tecnológicas foram construídas, e serão construídas, usando tecnologias fornecidas por empresas chinesas. Isso dará à China poder diplomático, significativa influência sobre esses países, e acesso a grandes quantidades de dados que serão coletados e enviados de volta a Pequim”, escreve a empresa de pesquisa GlobalData em relatório.

Para Danyaal Rashid, analista da companhia, os dados serão usados para treinar algoritmos e acelerar o avanço das tecnologias de inteligência artificial desenvolvidas no país. “A China está atrás dos países Ocidentais em termos de tecnologias de IA, mas sua vantagem está na quantidade de dados que ela tem para treinar os algoritmos, muito mais do que apenas nas tecnologias em si”, avalia.

O país já tem feito investimentos pesados em tecnologias de próxima geração. Um deles é o projeto de US$ 10 bilhões do centro nacional de pesquisa em computação quântica na Universidade de ciência e Tecnologia de Hefei. A China também tem 54 satélites de navegação do padrão BeiDou, mais que os 34 do padrão americano GPS, o que pode lhe dar uma vantagem em aplicações civis e militares. Em novembro, a China também colocou em órbita um satélite com tecnologia de comunicação 6G, que se juntou ao satélite quântico Micius, que foi usado em 2017 para criar um canal seguro para conversas entre engenheiros chineses e austríacos.

Para Rashid, o calcanhar de aquiles da China ainda é área de semicondutores. Mas isso também está sendo alvo de atenção. “Existe um déficit de cerca de 400 mil profissionais qualificados na área. Mas em resposta ao protecionismo dos EUA, um plano de US$ 170 bilhões foi criado para criar uma cadeia de suprimento autônoma de classe mundial. Em paralelo a isso, a chegada da arquitetura RISC-V – um projeto de código aberto para desenvolvimento de chips – abre todo tipo de possibilidades para empresas chinesas, e, mais importante, não está sob o controle dos americanos.

De acordo com a GlobalData, Alibaba, Huawei e Baidu lideram a lista das 50 principais empresas chinesas para se prestar atenção.

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