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Criada em 2019 para atender pequenas empresas, a Conta Simples tem crescido com uma abordagem condizente com seu nome: uma conta sem tarifa mensal e sem firulas, com a possibilidade de geração de múltiplos cartões para controles de gastos e abertura bem mais fácil que a de seus concorrentes. Falo por experiência própria porque abri a do Startups depois de tentativas em outras três instituições.

Por se tratar de um produto novo, ainda tem algumas limitações em termos de serviço. Mas aos poucos o leque vai aumentando – o PIX, por exemplo, está previsto para fevereiro.

E no caminho para ampliar sua atuação, o neobank quer ser visto como mais do que um banco digital para empresas. “Não queremos ter só o TED sem tarifa. Somos uma plataforma de valor agregado, que traz eficiência operacional, na conciliação bancária, com o contador”, diz Rodrigo Tognini, cofundador e presidente da Conta Simples. Isso passa, segundo ele, por incluir ferramentas de gestão, seja de terceiros ou dela própria em seu produto.

Hoje, algumas dessas opções estão disponíveis por meio de um programa de benefícios, que oferece descontos na contratação de outros serviços. “Nos posicionando como plataforma temos muitas possibilidades”, diz Tognini. Segundo ele, já há, inclusive, uma conversa inicial sobre a possibilidade de uma mudança de nome para expressar essa nova visão de ir além da conta digital.

O movimento de ampliação de atuação não é uma exclusividade da Conta Simples, obviamente, e está também do outro lado do tabuleiro, nas empresas que prestam os serviços de gestão. Totvs, Omie e Conta Azul estão investindo na oferta de serviços financeiros para complementar suas ofertas e fidelizar seus clientes. Na avaliação de Tognini, isso movimento é mais complicado. “A conta corrente é o coração. Se você sabe fazer pagamentos, é mais fácil fazer a outra parte do que o contrário”, avalia. Que o diga a Stone, que fez exatamente esse processo com a compra da Linx.

A Conta Simples tem atualmente 13 mil clientes e movimentou R$ 500 milhões em um ano de operação. O crescimento da receita tem sido da ordem de 55% ao mês. Em 2020, o avanço foi de 80 vezes. A maior parte do que a companhia ganha (90%) vem da taxa paga pelos lojistas ao dono do cartão quando uma compra é feita (a interchange rate). O restante vem das tarifas pagas pelos clientes para serviços que excedem o máximo de transações oferecidas de forma gratuita (cinco no caso da emissão de boletos, por exemplo).

A maior parte dos clientes hoje é de empresas com atuação on-line, que chegam ao Conta Simples por indicação de outros clientes, o que deixa o custo da aquisição baixo – na faixa de R$ 6. Segundo Tognini, o plano é aumentar os investimentos em marketing para acelerar a aquisição de clientes. Também estão previstos investimentos em tecnologia e na contratação de pessoas com mais experiência para o time. Entre elas está a chegada de Carlos Moura (ex-Superlógica, dona do PJ Bank, que também atende empresas, e investidor deste Startups) para tocar a área de marketing.

Isso – que caminha junto com o posicionamento como plataforma – será financiado pela rodada seed de US$ 2,5 milhões (R$ 13 milhões) que a companhia acaba de receber. O aporte foi liderado pela Quartz – gestora que já investiu na Mottu e na NotCo e tem como cotista a família Galló – e teve participação dos fundos FJ Labs (de Fabrice Grinda, fundador da OLX), Ab Seed, TwentyTwo VC, Big Bets e DOMO (que já eram investidores).

Nomes como os ex-sócios da XP, Marcelo Maisonnave, Eduardo Glitz e Pedro Englert, Brian Requarth (fundador do VivaReal) também entraram. Rodrigo Dantas (da Vindi e investidor deste Startups), Paulo Silveira (Allura e investidor deste Startups) e Lincoln Ando (idwall), que já eram investidores, acompanharam.

É a segunda rodada da companhia no ano. Em julho, a companhia anunciou um investimento de US$ 275 mil da Y Combinator. O aporte foi feito depois de a Conta Simples passar pelo programa de aceleração dela. De acordo com Tognini esse pré-seed não estava previsto, mas veio em boa hora. Quando a pandemia chegou, a companhia tinha apenas seis meses de caixa e estava passando por um processo de arrumar a casa. “Entramos de forma despretensiosa, achando que nunca íamos conseguir e acabou sendo um selo importante para a companhia”, diz.

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