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Quem tem grana vai às compras. E é exatamente nesta pegada que a Olist está. Com o caixa recheado da série D de R$ 310 milhões anunciada em novembro, que teve uma extensão de mais de R$ 100 milhões em abril, a companhia chega a 4 aquisições em menos de um 1 com o anúncio de duas operações de uma vez.

As companhias incorporadas foram a plataforma de e-commerce Vnda e a TinyERP, dona de um sistema de gestão voltado a pequenos vendedores do e-commerce. Os valores dos negócios não são revelados, mas segundo Eduardo Ferraz, diretor financeiro da Olist, a Tiny é a maior empresa incorporada pela companhia até agora.

Seguindo seu playbook de aquisições, a Olist manterá as operações da Vnda e da Tiny independentes, com seus fundadores – e agora sócios da companhia – à frente do dia a dia.

Com as aquisições, a Olist reforça seu arsenal para ir além da listagem em marketplaces para pequenos lojistas, sua origem e ainda sua principal oferta, para se tornar uma plataforma completa de ferramentas para quem vende on-line.

Ampliando o escopo

Com Clickspace e PAX, compradas no fim de 2020, ela incorporou opções de criação de marketplaces próprios e ampliou sua atuação na área logística. A Tiny, de Bento Gonçalves (RS) atende à necessidade dos vendedores de gerenciar melhor suas operações. O negócio que nunca teve investidores externos e roda com o próprio caixa, tem crescido a um ritmo de 70% a 80% ao ano e deve mais que triplicar com as sinergias com a Olist, segundo Eduardo.

Já com a Vnda, a retailtech complementa o Olist Shops, serviço de criação de sites próprios voltado a vendedores de porte bem pequeno. Agora, quem tem perfil maior também poderá ter seu espaço para vender diretamente. O produto é muito direcionado a marcas nativas digitais, as DNVBs. “O marketplace não é o lugar para quem quer construir uma marca. Quem tem essa necessidade, a Vnda é uma boa opção”, explica Eduardo.

As operações – e outras que ainda virão – o objetivo da Olist é figurar, rapidamente, na lista das principais plataformas de ecommerce do mercado em quesitos como número de clientes e volume transacionado (GMV). “Estaremos entre os principais nomes até o fim do ano que vem”, crava Eduardo, fazendo referência a nomes como Locaweb, VTEX e Nuvemshop. Sem citar números, ele diz que a Olist vai triplicar de tamanho em 2021 e espera repetir o mesmo desempenho no ano que vem.

Eduardo diz que para 2022 o plano será olhar uma parte da oferta de serviços que ainda não recebeu tanta atenção: a de serviços financeiros. “Com mais volume e mais dados, será o momento de olhar para essa área”, diz.

Nesta semana, a Nuvemshop anunciou uma incursão em serviços financeiros com o lançamento do Nuvem Pago, seu meio de pagamento próprio. A Locaweb também tem investido nessa área com Yapay, Vindi e Pagcerto.

Mercado “croudeado”

Na avaliação de Eduardo, é natural que todos os players reforcem seu arsenal e construam ecossistemas para atender um mercado em pleno crescimento. A estimativa é que as vendas no varejo eletrônico no Brasil devam passar do atual patamar de R$ 200 bilhões por ano para R$ 500 bilhões nos próximos anos. E isso abre espaço para que vários players tenham atuação com propostas diferentes e busca por nichos diferentes.

Sobre o cenário macro complicado no momento, o diretor financeiro diz que isso não afeta os planos nem as perspectivas. “Vamos ter oscilações, mas em 10 anos o ecommerce será mais sofisticado, penetrado e maior do q é hoje”, diz.

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