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Nem os melhores roteiristas de novelas mexicanas ou da Globo poderiam escrever um roteiro tão rocambolesco quanto a disputa que tem sido travada por Stone e Totvs pelo amor dos acionistas da Linx.

No capítulo mais recente, a Stone anunciou que pretende listar no Brasil equivalentes de suas ações na Nasdaq. Os chamados BDRs seriam usados para pagar a parte de ações da operação de quase R$ 6,3 bilhões. A relação de representação ainda não foi revelada. A listagem só ocorreria se a operação for aprovada pelos acionistas da Linx.

“A Companhia [] esclarece que a utilização dos BDRs da Stone para fins do resgate de ações da Stone deverá constar do protocolo e justificação tratando da possível incorporação de ações da Companhia pela STNE no âmbito da Operação Stone. Os termos e condições da Operação Stone estão estabelecidos no Acordo de Associação e Outras Avenças celebrado entre Companhia, STNE, StoneCo e outros em 11 de agosto de 2020 e aditado em 1 de setembro de 2020, cujo interior teor está à disposição dos acionistas”, informou a Linx em comunicado.

A intenção de colocar os BDRs no Brasil acontece na esteira das mudanças nesse mecanismo feitas pela CVM. Agora, não existe mais travas sobre quem pode listar os recibos (que tinha mais de 50% dos ativos no Brasil, mas fosse listada fora do país não podia fazer uma oferta dessas) nem de quem pode comprá-los ou da quantidade (antes eles estavam restritos a investidores qualificados e em lotes mínimos de 100).

A mudança tem chamado a atenção do mercado. A GP Investments, por exemplo, pretende usar os BDRs para oferecer no Brasil acesso ao seu recém-criado braço de venture capital, a G2D, que pretende fazer um IPO nas Bermudas.

Colocando as BDRs na oferta, a Stone busca dar mais liquidez aos papéis oferecidos em sua oferta já que nem todo investidor da Linx teria facilidade de manter ou vender as ações dela na Nasdaq.

A nova proposta da Stone foi apresentada depois de a Totvs fazer um comunicado ao mercado informando que os conselheiros independentes da Linx informaram a seus assessores jurídicos que “não irão firmar Protocolo e Justificação de Incorporação” com base na proposta apresentada por ela por entenderem que o ato feriria o acordo já assinado com a Stone. “Adicionalmente, não houve evolução relevante da análise, pelo comitê especial independente constituído pelo conselho de administração da Linx, da proposta de combinação de negócios apresentada pela Totvs (“Proposta”), divulgada no fato relevante de 14 de agosto de 2020”, disse a Totvs.

Na avaliação da Totvs, o comportamento mostraria que não há um compromisso de “maximização de valor para os acionistas da Linx” e que o “comitê tem demonstrado somente disposição para retardar, ou mesmo impedir, a apreciação da Proposta da Totvs pela assembleia de acionistas da Linx de forma equânime, como forma de forçar esses acionistas a deliberar sobre uma única proposta, a da Stone”, disse a Totvs.

A Linx foi questionada pela CVM e, em comunicado, se disse surpresa com o comunicado da Totvs uma vez que representantes da companhia “realizaram dezenas de interações com os membros do Comitê Independente da Linx e seus assessores, a partir de 14 de agosto de 2020 (inclusive, a mais recente de tais conversas, algumas horas antes da divulgação de tal Comunicado)”.

“A despeito de nossa convicção de que o relato constante do Comunicado não é procedente, continuamos firmes no propósito de, no melhor interesse da Companhia e de seus acionistas, avaliar a proposta esboçada preliminarmente pela Totvs em 14 de agosto de 2020, e consubstanciada em minuta de protocolo de incorporação em 4 de setembro, com ajustes em 11 de setembro de 2020, incluindo eventual recomendação de aprovação de proposta ao conselho de administração e encaminhamento à assembleia, em linha com a conduta que temos adotado desde que foi constituído o Comitê Independente”, disse a Linx.

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