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Durante a pandemia, com o isolamento, o metaverso se tornou uma das tendências mais fortes do mercado de tecnologia. Entre termos como realidade virtual, NFTs e ativos digitais, muito se passou a comentar como nossas vidas podem mudar as experiências virtuais imersivas. Porém, segundo números registrados pela Comscore, parece latino que o público não embarcou tanto assim nessa onda.

O relatório, que compilou comentários em redes sociais e plataformas digitais na região de março de 2020 a março deste ano, mostra que 39% das opiniões sobre o metaverso ainda são negativas. “Devido a dúvidas e incertezas que instigam os consumidores, apenas 24% dos comentários nas redes em relação ao metaverso são positivos”, relata em nota Ingrid Veronesi, diretora sênior da Comscore para o Brasil.

O estudo analisou mais de 350 tópicos diferentes relacionados ao metaverso, e assim elencou os assuntos que geraram mais de 92% das publicações sobre o tema nas redes sociais nestes dois anos: mais de 39% trazem referência ao Facebook/Meta e sua pivotada para ser uma empresa voltada ao metaverso, 17% são sobre o uso da realidade virtual, 15% estão relacionados a empresas e negócios e 11% aos NFTs (Tokens Não Fungíveis).

Quanto aos setores mais engajados com a tendência, moda é o que ficou na primeira colocação. O motivo tem a ver com a Fashion Week, que teve em março deste ano a sua primeira edição no metaverso, realizada em um projeto com a plataforma de VR Decentraland. Neste período, foram registradas 1.134 menções sobre o metaverso nas redes, atreladas principalmente às marcas participantes do evento. Outros setores de destaque na abordagem do metaverso foram automotivo, bebidas, mídia, artes e imobilário.

Mesmo sendo um dos países mais ativos das internet em todo o mundo, ele ficou em segundo lugar nos países latino-americanas, ao se tratar de menções à esta inovação. O México liderou no número de comentários (27%), depois veio o Brasil (22%), Argentina (19%), Colômbia (11%), Chile (11%) e Peru (5%).

Metaverso caindo na real?

Quando o Facebook anunciou sua mudança para Meta no ano passado, muitos compraram a ideia que o metaverso é um caminho sem volta. Na época, Mark Zuckerberg anunciou que contrataria cerca de 10 mil engenheiros para trabalhar na construção de um inédito mundo virtual na internet – e vamos ser honestos: é uma declaração impactante.

Ao mesmo tempo tecnologias como os NFT surfaram uma onda grande de popularidade – segundo dados da consultoria Nonfungible, em 2021 foram transacionados mais de US$ 17 bilhões em torno destes ativos digitais, um crescimento de 17.000% em relação a 2020.

O frisson em torno das novas tecnologias fez diversas grandes empresas “crescerem o olho” a apostarem em uma popularização ainda maior destas inovações nos anos seguintes. Nos games, especialmente, empresas como a Epic Games (criadora do sucesso Fortnite) estão indo com tudo na criação de experiências virtuais imersivas, incluindo shows musicais de artistas como Travis Scott e Emicida no metaverso.

Aqui mesmo no Brasil, marcas como a Ambev estão divulgando amplamente seus projetos nesta frente, inclusive criando dinâmicas de RH no metaverso. Isso mesmo: a fabricante de bebidas lançou um processo seletivo para 300 vagas de estágio, com todas as etapas de seleção acontecendo em ambiente virtual, com avatares, NPCs (personagens não jogáveis) e minijogos para testar a aptidão dos candidatos.

Porém – e agora vem o porém – pode ser que as coisas tenham ido um pouco rápido demais. Um dos carros-chefe do metaverso, os NFTs, estão numa crise de confiança grande. Desde setembro do ano passado, a queda em valorização foi de 92%. Por exemplo, um NFT da coleção Bored Monkey Yacht Club, que no ano passado chegou a ser vendido por mais de US$ 2 milhões, hoje em dia tem dificuldades para achar compradores por um décimo deste valor.

Empresas de games como Electronic Arts, Konami e Square Enix, que no ano passado estavam enviando cartas aos seus executivos dizendo que NFT nos games era um caminho a ser seguido, estão já enviando outras cartas dizendo para esquecer a ideia por enquanto.

E se isso não for um sinal claro, o público também está dando a letra. Em março, Jason Schreier, analista de tecnologia da Bloomberg, perguntou aos seus aproximadamente 350 mil seguidores se eles estariam interessados em viver uma vida paralela ou num ambiente de trabalho digital no metaverso. Cerca de 20 mil pessoas responderam, e 64,5% disseram não.

“Quem de nós, que passou os últimos dois anos trabalhando de casa, está pensando: ‘Sim, eu gostaria de passar mais tempo em encontros digitais'”, alfinetou Schreier.

Por sua vez, a Comscore não perdeu o otimismo. Para a diretoria sênior da empresa no Brasil, o metaverso “dominará” as novas interações entre marcas e consumidores. Mesmo trazendo muitos questionamentos a respeito do futuro social e das relações humanas, essa inovação envolve uma ampliação da conexão entre pessoas, representadas por seus avatares, por meio da tecnologia. Essa crescente fusão entre real e virtual deve transformar completamente nossos hábitos de consumo”, conclui Ingrid em comunicado.

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