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O ecossistema de empresas e startups de São Paulo há tempos se orgulha de ser o coração do segmento na América Latina. E segundo o estudo Global Startup Ecossystem Report 2022, feito pela Startup Genome e que mapeia diferentes ecossistemas em todo o planeta, ele segue firme e forte. Contanto, é melhor não se acomodar: segundo o levantamento, a concorrência está aumentando na região, inclusive dentro do Brasil.

De acordo com o estudo, a capital paulista subiu três posições no ranking global em 2021, entrando no Top 30 ao conquistar o posto número 28, em um ecossistema avaliado em US$ 108 bilhões. Sua ascensão no ano passado reflete a criação de 12 unicórnios e dois exits acima dos US$ 2 bilhões, incluindo o IPO de US$ 41 bilhões do Nubank em dezembro.

Contudo, segundo o relatório da Startup Genome o crescimento também se acentuou em outras cidades da América Latina. “Apesar de São Paulo permanecer o maior hub da região, está aumentando o número de comunidades de startups no Brasil e outras localidades na América Latina, com atividades signifcativas surgindo em Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte, assim como em Santiago, Bogotá e Guadalajara”, apontou o estudo.

Em número absolutos, Cidade do México e Buenos Aires seguem no top 3 de ecossistemas mais valorizados, com a capital do México valendo US$ 22 bilhões e a capital argentina com um ecossistema avaliado em US$ 7 bilhões.

No cenário geral ilustrado pelo estudo, a América Latina foi mais do que bem em 2021, especialmente no early stage, que subiu 128% no volume de investimentos. No volume de séries B, o crescimento foi de 237% no montante de investimentos. Quanto aos exits, a região bateu a marca recorde de US$ 47 bilhões, bem acima do US$ 1 bilhão de 2020. Claro que aí entra a oferta pública do Nubank, o que jogou o valor lá no alto.

São Paulo atrapalhando?

Os pontos levantados pelo estudo da Startup Genome se alinham em parte com outro estudo recente realizado pela StartupBlink, inclusive na parte de outros ecossistemas emergentes na América Latina. Neste estudo, o México registrou três cidades em crescimento: Cidade do México subiu seis posições no ranking global, Monterrey subiu dez, e Puebla avançou 193 posições, entrando para o Top 20 da região.

Outro questionamento feito pelo estudo da StartupBlink foi o potencial de crescimento de ecossistemas fora dos grandes centros. Contudo, o avanço da capital paulista pode estar atrapalhando estes movimentos. “Este declínio acentuado, combinado com o crescimento de São Paulo, sugere que São Paulo atrai muitos talentos, investimentos e atenção, deixando ingredientes insuficientes para o sucesso em outras regiões do país”.

2021 foi um ano animador em termos de números, porém agora resta saber como 2022 ficará no final das contas, já que o momento é de cautela – pra não falar um “inverno de investimentos”. Inclusive, o ritmo de surgimento de novos unicórnios não está nem perto do que foi vivenciado em 2021.

Panorama Global

Não adianta: os Estados Unidos ainda dominam o cenário quando se trata de ecossistemas de inovação. Cinco cidades norte-americanas ocuparam o Top 10 do estudo: Vale do Silício (1º), Nova York (2º), Boston (4º), Los Angeles (6º) e Seattle (9º). A Europa é representada somente por Londres, que divide a segunda colocação no ranking com Nova York.

Representando a Ásia, Pequim e Xangai perderam posições, que segundo a Startup Genome reflete o declínio nos investimentos early-stage para startups chinesas em 2021. Ainda neste continente, a Coréia do Sul colocou Seoul no décimo lugar, em um “venture boom” que cresceu 34% em 2021 e levantou US$ 7,7 bilhões em investimentos.

Fechando o Top 10 está Tel Aviv, um ecossistema avaliado em US$ 120 bilhões, e que levantou cerca US$ 20 bilhões em investimentos em 2021, cerca de 63% do volume total de aportes em startups no país.

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