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“Se eu fosse jovem me dedicaria totalmente às startups”, diz Jorge Paulo Lemann 

Por Gustavo Brigatto, em 24 de setembro de 2020

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Um dos homens mais ricos do mundo, Jorge Paulo Lemann, assumiu há dois anos que era um “dinossauro apavorado” frente às mudanças tecnológicas que estavam impactando o mundo dos negócios. Um ano depois, o executivo se rotulou como um “dinossauro se mexendo”, diante das medidas que passaram a ser adotadas em algumas empresas controladas por ele.

Hoje, ele completou “a trilogia Lemann”, se mostrando um dinossauro adaptado e otimista com os novos tempos. “Se eu fosse jovem me dedicaria totalmente a isso. Infelizmente não sou tão jovem e tenho que carregar uns negócios nas costas. Senão eu estaria me jogando de peito aberto no ramo tecnológico”, disse Lemann durante live feita pelo Cubo no encerramento do evento de comemoração do 5 anos do espaço. A conversa moderado por Pedro Prates, cohead do Cubo, também teve participação de Pedro Moreira Salles, presidente do conselho do Itaú Unibanco.

Na avaliação de Lemann, o movimento de ampliação no número de startups e empreendedores no país vai continuar nos próximos anos, independentemente dos rumos da economia em geral. “Hoje tá cheio de dinheiro querendo achar um bom investimento. Cheio de oportunidade e empreendedor querendo encontrar soluções”, disse. Segundo ele, a gestora Maya Capital, de sua filha Lara, avaliou mais de 900 empresas em 2019. Na avaliação de Lemann, um segmento que terá uma “mudança revolucionária” é o da medicina.

Ele destacou no entanto, que os gargalos estruturais do país continuam a jogar contra, com burocracia para se abrir empresas, contratar, e demitir. Para Lemann, esses problemas pesam mais para quem vai montar um negócio novo. Salles corroborou o ponto. “Se é difícil abrir uma empresa, é quase impossível fechar, leva passivo por décadas a fio e isso complica que ele ou ela comecem outro negócio porque tem âncora do passado. É um legado difícil de lidar”, disse. Ele acrescentou ainda o problema da falta de mão de obra e a necessidade de se fomentar o ensino de exatas. “O Brasil não é um pool de atração de talentos”, disse.

Salles ponderou que a confiança nos rumos da economia, com o fim da meta de superávit primário e as tentativas de se furar o teto de gastos do governo podem pesar sobre a confiança do Brasil e gerar um ambiente de aversão a risco para a frente, o que poderia afetar os investimentos em startups.

Investimentos e mudanças

Nos últimos anos Lemann tem investido em startups por meios de veículos como a Arpex Capital e a Innova Capital, que investiram na Stone e na Movile, respectivamente. Ele também é investidor da Brex, a empresa de cartão de crédito fundada nos EUA pelos brasileiros Henrique Dugubras e Pedro Frandeschi – fundadores da Pagar.me, outra investida da Arpex, depois comprada pela Stone.

Em um evento da Fundação Estudar, mantida por ele, em agosto, Lemann havia dito que apesar do interesse, ainda ficava intrigado com o fato de as startups não darem lucro.

Para Salles, o fato de terem investidores dispostos a perder dinheiro dá às companhias iniciantes uma certa vantagem em relação às empresas mais tradicionais, que são cobradas para sempre darem lucro. “Se a margem cai um pouco, você tem um banho de sangue. A gente deveria ser medido pelos mesmo parâmetros”, disse. Para o banqueiro, as mudanças que precisam ser feitas estão mapeadas. O frande desafio é gerir esse processo dentro de um conglomerado com tantas ofertas de produtos e serviços. Para ele, é preciso mudar o legado e criar uma cultura de mudança constante, mas sem se render a modismos. “O que hoje é moderno deixará de ser daqui a 5 anos”, disse.

Lemann, que também é um grande acionista da Itaúsa, a controladora do Itaú Unibanco, por meio da Fundação Antonio e Helena Zerrenner, disse que confia em Salles para fazer as mudanças necessárias no negócio do banco. Do lado das suas empresas, ele voltou a dizer que elas foram lentas em perceber e reagir às mudanças, mas que elas vêm acontecendo e que negócios como os bancos e de cerveja vão continuar existindo. “Não acho que os negócios vão crescer exponencialmente como coisas puramente de tecnologia. Mas são bons negócios, vão sobreviver. Mas têm que melhorar”, disse.

Assista abaixo a íntegra da conversa.

 

 

Jornalista com mais de 10 anos cobrindo tecnologia e inovação no Valor Econômico. Fundador e editor do startups.com.br.