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Com apenas 6 meses do cheque da série B ter caído na conta, a Hash já está com um novo na mão pronto para ser compensado. Se bem que para uma empresa que oferece a infraestrutura para serviços financeiros para outras empresas, seria mais justo falar em link de pagamento, transferência com Pix, carteira digital.

Metáforas à parte, fato é que a companhia fechou sua 4ª e mais significativa rodada de investimento. Na série C, a companhia levantou R$ 235 milhões, quase 3 vezes mais que valor captado no começo do ano. Considerando uma diluição entre 15% e 20%, o valor da companhia mais que dobrou nesse meio tempo, passando de R$ 1 bilhão.

A rodada teve com líderes a QED Investors e a Kaszek, que tinham liderado a rodada anterior (e que também participou da antecipação da série B do banco digital para pequenas empresas Cora). O Endeavor Scale-Up Ventures também participou.  

O novo reforço de caixa chega no momento de acirramento na disputa pelo mercado de infraestrutura de serviços financeiros, o banking-as-a-service, ou BaaS para os mais chegados.

No começo do mês, a Porto Seguro fechou a compra da Atar. Dois dias depois, mais 2 movimentos: a Dock (antiga Conductor) levou a BPP e o Modal fechou com a LiveOn. Em julho, a argentina Pomelo anunciou uma extensão de US$ 1 milhão de sua rodada seed feita pela Sequoia, somando US$ 9 milhões captados para financiar sua proposta de ser um player regional nessa área.

É a concretização, quase 3 décadas depois, da célebre frase de Bill Gates: “serviços bancários são necessários, bancos não são”.

Use of proceeds

Com o novo impulso, a Hash pretende sofisticar sua operação, adicionando novos serviços de meios de pagamento e todo tipo de oferta de serviços bancários, segundo Ademar Proença, seu diretor de operações. Ampliando suas ofertas, ela pretende aumentar a base de clientes dos atuais 16 para 20 até o fim do ano e dobrar esse número em 2022. Um dos principais nomes na lista é a Leo Madeiras, com sua máquina de cartão própria, a Leozinha.

No insano mundo de alto crescimento do venture capital, ter 40 clientes pode parecer um número não tão significativo para uma startup. Mas a proposta, segundo Ademar, é ter uma relação profunda com cada cliente entendendo seu mercado e momento, oferecendo opções que mais se adequam a essas demandas. A abordagem consultiva prevê que a companhia assuma todas as etapas de uma determinada área, como emissão e envio de cartões de crédito para o cliente de um cliente, por exemplo. “A gente pensa em ter uma abordagem menos intensa do que temos hoje. Mas ainda não temos planos para isso”, brinca Ademar.

Em termos de equipe, a ideia é fechar 2021 com 190 pessoas. Em abril, quando anunciou a série B, a companhia tinha 110 pessoas e 8 clientes, lembra Ademar. Ele também destaca que, de lá pra cá, o volume de transações cresceu 6 vezes. Até o fim do ano, o número deve chegar a R$ 1,5 bilhão.

“A visibilidade que tivemos com a rodada foi muito grande. Muitas empresas nos conheceram e também passaram a sentir confiança no que fazemos”, conta. Nesse meio tempo, a companhia também fez um reposicionamento de sua marca com o objetivo de facilitar o entendimento do que ela faz.

Segundo estudo da Americas Market Intelligence (AMI) encomendado pela Dock, o mercado potencial de BaaS no Brasil, em 2021, é da ordem de US$ 7 bilhões de dólares (R$ 38 bilhões de reais). A avaliação é que o número pode dobrar de tamanhos até 2025.

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