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O aplicativo de investimentos australiano Stake fechou uma rodada de US$ 32 milhões (R$ 210 milhões) com os fundos DST e Tiger. Essa é a primeira captação institucional da companhia, que tinha levantado US$ 3,5 milhões com investidores-anjo e amigos e parentes de seus fundadores, Matt Leibowitz e Dan Silver.

Coincidentemente, ou não, os dois fundos que entraram no captable são importantes investidores do Robinhood, similar da companhia nos EUA que deu o que falar no começo do ano em meio caso GameStop e que pode se listar na bolsa valendo mais de US$ 40 bilhões. “Eles dão uma credibilidade enorme ao projeto e ao que está sendo feito”, diz Paulo Kulikovsky, diretor de operações da companhia e responsável pelos negócios na América Latina.

Segundo ele, o objetivo da rodada é reforçar a atuação da companhia nos 4 países onde ela está presente: sua terra natal, a Austrália (que representa três quartos do negócio), Nova Zelândia, Reino Unido e Brasil. A chegada a mais países não está prevista neste momento. “Temos que investir na aquisição de clientes e em fazer melhorias em produto e tecnologia”, diz. Atualmente a companhia tem 350 mil usuários cadastrados. No Brasil, são 30 mil contas abertas.

Planos para o Brasil

Por aqui, Kulikovsky diz que o plano é mais que triplicar esse número, chegando a 100 mil até o fim do ano. Para atingir essa marca, ele diz que vai dobrar o número de funcionários, chegando a 40, e que pretende investir no relacionamento com os usuários e também na oferta de conteúdo sobre o mercado financeiro.

Por não ser uma corretora, a Stake tem limitações em relação ao tipo de comunicação que pode fazer com o mercado. Assim, o que Kulikovsky pretende fazer é firmar parcerias com quem tem essa prerrogativa para deixar a marca da companhia mais conhecida e próxima do público. “Não quero ser uma casa de pesquisa para não limitar a atuação. Prefiro fazer parcerias com diferentes nomes”, diz.

Hoje, 70% dos clientes no Basil têm um saldo médio de US$ 1,5 mil. A metade deles tem até 35 anos e três quartos são homens.

A Stake desembarcou no país em 2019. O país seria o primeiro onde a empresa criada em 2017 iria operar fora de sua terra natal. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), no entanto, mandou a companhia abortar os planos.

Pare, agora!

A leitura do regulador foi que a companhia oferecia serviços de intermediação de valores mobiliários “sem ter registro como participantes do sistema de distribuição previsto”. A interpretação foi a mesma que suspendeu a operação da Avenue no fim de 2018. O negócio só começou a funcionar de fato em outubro/20, depois que ela fechou um acordo com a Ativa para ser sua parceira no país.

O modelo de negócios da Stake prevê duas formas dela ganhar dinheiro: um plano mensal chamado Stake Black que inclui benefícios como acesso a recursos avançados e avaliações de analistas por US$ 5 ao mês e um spread cobrado no câmbio feito pelos clientes.

O percentual começou em 2% e será reduzido em breve, diz Kulikovsky. Ele destaca que isso irá acontecer por ganhos de eficiência, não por agressividade comercial. “Eu tenho um nível limitado de agressividade. Não posso ficar fazendo muita loucura”, completa.

Sobre o cenário competitivo (Oi, Avenue!), ele diz que o mercado tem espaço para mais de um player, que não se trata de um “rouba monte”. Tem muito para ser explorado. Vai crescer bastante ainda”, diz.

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