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Quando montou a Stark Bank em 2018, Rafael Stark falava em ser a Brex do Brasil. A analogia estava ligada à proposta inicial da fintech de ser o banco digital das pequenas e médias empresas. Mas no meio do caminho, os planos mudaram. Com a decisão de mirar nas grandes empresas, a comparação ficou mais ousada. O comparativo agora é com a Apple. “Eles têm um domínio da experiência, do sistema operacional ao chip M1 próprio. E o nosso foco é em qualidade, ser a referência de como um banco deve ser”, diz ele.

Para levar adiante o plano de unificar os 7 reinos… digo, ser o único banco para atender as grandes empresas, a companhia acaba de levantar uma série A de US$ 13 milhões (R$ 74 milhões). A rodada chama atenção por sua composição. O líder do investimento foi Lachy Groom.   

Lachy quem?

Ex-funcionário do Stripe, ele é um dos principais expoentes de uma nova categoria de investidores, o solo VC. A figura surgiu como uma das poucas inovações na indústria de venture capital – que opera basicamente no mesmo formato há umas 6 décadas.

Esse investidor tem mais poder de fogo que um anjo, e uma estrutura menos amarrada do que um fundo de VC tradicional. E por ter como principal nome alguém quem já atuou no mercado, o formato tem chamado a atenção dos fundadores. No meio do ano, Lachy fechou a captação de seu 3º fundo, de US$ 250 milhões – que é o veículo que está investindo na Stark Bank.

Segundo Rafael, foi justamente a experiência e o perfil técnico de Lachy que deram o match para o investimento. “eu tenho um perfil técnico e ele também. Quando falei que estávamos construindo tecnologias próprias, tudo do zero, ele se animou porque fez isso na Stripe e entende que é preciso ter controle sobre o desenvolvimento para não ficar refém de ninguém”, conta. A conexão com o investidor foi feita por Alexandre Dubugras, fundador da Alude e irmão de Henrique Dubugras, cofundador da Brex.

Lachy ainda apresentou Rafael e a Stark a uma série de outros fundadores de companhias como Coinbase, Dropbox, Flexport, Figma e Slack, que também entraram na rodada. Além dos nomes estrelados, participaram os fundos K5 Global, a Iporanga Ventures, a Norte Capital efundadores da Rappi, D.Local e Wildlife.

Use of proceeds

A série A da Stark Bank tem 3 destinos: contratações, ampliação do portfólio de produtos e a conquista de “selos” de aprovação de entidades e auditorias externas. Já auditada pela KPMG por companhias de menor porte, a fintech quer buscar avaliação por uma das Big Four e ter também a chancela de outras instituições, como a agência de risco Standard & Poor´s. “Somos uma fintech que não tem medo de regulação. É transparência para as pessoas verem que está tudo certo”, diz Rafael.

Operando com uma licença Sociedade de Crédito Direto (SCD) concedida pelo Banco Central ano passado, a Stark Bank aguarda a liberação da liberação para atuar como Instituição de Pagamento.   

A combinação de licenças vai permitir que ela coloque em prática o plano de ampliação de seu portfólio de produtos – que hoje conta com um produto de gestão de caixa e um cartão corporativo. Na lista estão ofertas como adquirência (primeiramente no digital e depois no mundo físico), a emissão de cédulas de crédito bancário (CCB), câmbio e crédito. “Para ser o único banco para as empresas você precisa ser completo”, diz Rafael.

Hoje a companhia tem 300 clientes – como Loft, Buser, Daki, Kovi, QuintoAndar e dLocal. Em outubro, a movimentação foi de R$ 1 bilhão e em novembro já passou para R$ 1,4 bilhão. A meta é multiplicar esse volume por 10 no próximo ano. Para isso, a equipe vai triplicar de tamanho. Mas lembra que Rafael tem perfil técnico? Pois então, a ideia é ter um quadro enxuto e eficiente. Triplicar significa sair dos atuais 20 para 60 profissionais. “Eu quero automatizar tudo na minha vida”, brinca Rafael.

Apesar de atender companhias latinas no Brasil, Rafael diz não ter plano de expansão pela América Latina. No caso de uma expansão internacional, algo que não está nos planos por enquanto, o 1º alvo seriam os EUA. “O esforço seria grande então melhor olhar já para um mercado muito maior, que também não tem um desafiante olhando para as grandes empresas”, avalia.    

Com lucro sim!

O olhar para as grandes empresas permite que a Stark Bank jogue um jogo diferente dos bancos digitais “tradicionais”. Isso significa que ela cobra tarifas de seus clientes. “Os bancos digitais dão tudo de graça e abrem mão de receita. As grandes empresas estão dispostas a pagar por serviços de alta qualidade”, diz Rafael. Tanto que a operação da fintech já dá lucro. O fundador só não revela de quanto. Segundo ele, com a operação enxuta, os novos produtos, e um custo de aquisição não é tão elevado por conta do baixo investimento em marketing, dá para manter a operação no azul.

O atendimento a empresas está na lista de prioridades do mercado no momento. Conta Simples (investidora do Startups), Cora e até a Omie, que comprou o banco digital Linker estão nessa disputa. Na segunda-feira, a mexicana Clara ascendeu ao panteão dos unicórnios com uma rodada de US$ 70 milhões liderada pela Coatue. De acordo com Rafael, a diferença é que todo mundo está olhando para as pequenas empresas. Ele também diz acreditar que a proposta de ser um banco completo faz mais sentido. ” Um diretor financeiro não quer ficar pegando relatórios de diferentes lugares”, diz.   

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