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Startup de seguros Pier faz série B de R$ 108 milhões e quer ir para a “1ª divisão” do mercado

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Uma das primeiras startups a enveredar pelo mundo dos seguros no Brasil, a Pier fechou uma nova captação de R$ 108 milhões (US$ 20 milhões). Os recursos chegam menos de 1 ano depois de a companhia fazer sua rodada anterior, de US$ 14,5 milhões.

Segundo Igor Mascarenhas, fundador e presidente da insurtech, o reforço de caixa é importante para o próximo passo que a companhia pretende dar: pedir uma licença definitiva à Susep para operar como seguradora de fato.

Atualmente a companhia se encontra na divisão de acesso do mercado, sendo uma das participantes do projeto de sandbox do órgão regulador. Ao entrar na 1ª divisão, ela ganha liberdade para criar novos produtos e serviços. A Pier começou a operar em 2018 segurando apenas celulares. Ano passado ela entrou no segmento de veículos.

Para subir de categoria no mercado de seguros, ela precisa ter recursos suficientes de reserva técnica para indicar ao regulador que ela não oferece risco ao sistema. “Queremos apresentar para a Susep mais capacidade, ficar acima dessa marca. Com a rodada damos mais um passo nesse sentido”, diz Igor.

O novo investimento foi liderado pelo Raiz Investimentos, single family office de Ivan Toledo, fundador do Sem Parar. Ele foi acompanhado por Canary, Monashees, BTG e Mercado Livre, que já eram investidores.

A ideia é usar os recursos principalmente para melhorar a capacidade de análise de dados e os sistemas de inteligência artificial usados pela companhia. O uso de tecnologias preditivas é um dos trunfos da insurtech. Segundo Igor, com a análise de informações e também do perfil de uso dos clientes, ela consegue reduzir o seu risco. “A gente não vende seguro, vende tranquilidade”, brinca.

De acordo com ele, 100% da tecnologia usada pela Pier é desenvolvida dentro de casa. “Isso custa caro, mas nos dá mais flexibilidade. Tem semanas que a gente faz 10 mudanças no produto.”, diz.

As vendas também são feitas 100% pelo site da empresa e o esforço comercial é baixo já que quase dois terços da aquisição de novos clientes é feita por meio da indicação de outros clientes. “Até gente que cancela indica para outros porque a experiência de cancelamento é simples, dentro do próprio aplicativo”, diz.

Hoje a Pier tem 50 mil clientes e uma fila de espera com outros 100 mil. Esse contingente não é atendido porque busca proteção para produtos que ela ainda não cobre. A ideia é ampliar essas opções e, assim, conseguir colocar mais gente pra dentro.

A companhia vem crescendo a um ritmo de 20% a 30% ao mês e hoje tem uma receita mensal de R$ 3 milhões. A ideia é chegar em dezembro em um patamar de R$ 5 milhões e uma receita anual recorrente (ARR) de R$ 60 milhões. Em 2020, a receita da Pier foi de R$ 17 milhões. Até o fim do ano, a equipe que atualmente tem 120 pessoas deve dobrar de tamanho. Segundo ele, o avanço é possível mesmo com o cenário econômico ainda instável. “Tanto em smartphone quanto em auto existe uma demanda reprimida por soluções que atendam as necessidades do consumidor. Dar vazão a toda essa demanda reprimida acaba sendo mais importante do que a tendência do mercado atual e por isso conseguimos crescer.

Igor diz que a ideia é entrar em novos segmentos, mas isso será feito com calma. “A oferta de multiprodutos traz oportunidades, mas fazer bons produtos exige tempo”, diz.

No começo de agosto a Pier teve uma importante vitória com o arquivamento de uma investigação iniciada pelo Ministério Público Federal para apurar “delito de fazer operar instituição financeira sem a devida autorização”. A denúncia foi feita de forma anônima, mas tenho um texto “bem redigido”, segundo Igor. “Fomos a empresa de seed que mais gastou com advogados no Brasil. Metade da nossa rodada foi com advogados. Não vou recriminar, é uma estratégia defensiva. Mas que tem prazo de validade”, completa.

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