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Quanto tempo você demora para preparar o almoço? Para a Foodz, a resposta ideal é apenas alguns segundos. Criada em São Paulo pelo francês Morgan Dierstein, a startup desenvolveu uma solução em pó que promete cobrir todas as necessidades nutricionais de uma refeição completa, seja ela café da manhã, almoço ou jantar. 

Servida em uma garrafa biodegradável, a bebida é feita com 26 vitaminas e minerais essenciais, além de proteínas, gorduras, carboidratos de baixo índice glicêmico, fibras e fitonutrientes. As misturas são elaboradas por um time de nutricionistas e engenheiros de alimentos, que garantem uma composição saudável e equilibrada para oferecer todos os macro e micronutrientes que uma pessoa precisa.

O preparo é sinônimo de praticidade. Basta adicionar 400ml de água, mexer por 20 segundos e saborear. “Eu tinha acabado de virar pai e vi o tempo ficar ainda mais curto do que já era”, diz Morgan, que viu na própria experiência a oportunidade de um novo negócio. “Na correria do dia, muitas vezes pulamos uma refeição e, quando não pulamos, é difícil ter tempo de preparar um prato que nos sustente de verdade. A Foodz nasce como uma solução simples, rápida e saudável, tudo ao mesmo tempo.”

Segundo Morgan, o produto não tem o objetivo de substituir completamente a comida tradicional, mas é suficiente para que o consumidor não fique com fome durante parte do dia. Os pedidos são feitos pelo site, via e-commerce com entregas para todo o Brasil. Os produtos são vendidos em caixas com 6 unidades, por R$ 24,90.

Com um investimento inicial de R$ 300 mil, a foodtech iniciou as operações em outubro de 2020 e, logo no primeiro mês, faturou R$ 60 mil. Em dezembro, o número saltou para R$ 100 mil. As receitas chegam ao mercado nos sabores cappuccino, chocolate e morango, todas plant-based, sem glúten ou lactose.

Au revoir, Paris

Morgan não é nenhum novato quando o assunto é empreender. Graduado em marketing pela Université Paris Dauphine, ele lançou, em 2010 a RentAStudant, extinta plataforma que conectava universitários que precisavam de um dinheiro extra a pequenas empresas em busca de mão de obra. Dois anos depois, fundou a rede de encontros online Funster Club.

Mas sua experiência vem muito antes disso. Aos 15 anos ele já comandava – e lucrava com – o próprio site. “Disponibilizava várias músicas online e os usuários podiam baixar as que quisessem ouvir”. Uma estratégia um tanto nebulosa, mas que lhe garantiu os primeiros ensinamentos de como tocar um negócio.

A primeira vez que Morgan veio ao Brasil foi a turismo. “Cheguei numa época quase de burnout, precisava muito tomar um ar. Não aguentava mais Paris e, por isso, decidi tirar férias”. Não demorou muito para que ele se apaixonasse pelas pessoas, a natureza e a cultura brasileira.

Decidiu fixar residência por aqui, mesmo sem saber falar um pingo de português. Vendeu o apartamento, despediu-se dos amigos e deixou tudo o que tinha para trás. Mas trouxe consigo algo muito mais importante: a expertise de empreendedor.

Chegou há pouco mais de 8 anos, em busca das oportunidades para criar o novo negócio. “Tinham alguns players internacionais, como a Soylent, com uma proposta semelhante a da Foodz. Mas ainda não tinha nada disso no Brasil”, relembra Morgan, que além de fundador é diretor de marketing da startup.

O que vem por aí

A Foodz está focada em aprimorar os produtos. Ainda este ano, a foodtech deve anunciar um novo sabor de bebida em pó e, em 2022, lançar uma categoria de refeições completas no formato de barrinhas de cereal. 

Para o próximo ano, a expectativa é começar a expansão para o grande varejo, disponibilizando seus produtos em redes de supermercado e aplicativos de delivery em todo o país. “Percebemos que nem todas as pessoas estão prontas para comprar exclusivamente no online. Ou, ao invés de encomendar a caixa com 6 garrafas, querem provar apenas uma. O varejo nos dará essa oportunidade”, diz Morgan.

Segundo o executivo, os principais concorrentes da startup não são as marcas de suplemento alimentar, mas sim as redes de fast food. “Quando as pessoas buscam uma refeição rápida pensam logo em uma pizza ou hambúrguer. Queremos nos posicionar como uma alternativa bem mais prática e saudável.”

Nesse sentido, a companhia quer ampliar o awareness para que cada vez mais pessoas conheçam – e escolham – o produto. Para isso, ela conta com um time de 15 embaixadores e influenciadores digitais, que criam conteúdos online com base nos produtos e compartilham a marca com seus seguidores.

“O grande desafio é fazer as pessoas verem a Foodz como algo normal. Falar em refeição em forma de bebida ainda causa um estranhamento”, reconhece Morgan. “Mas, pensando bem, não fazemos nada muito diferente do que as pessoas fazem com um suco. Você tem uma fruta que poderia ser saboreada de um jeito, mas decide consumí-la em forma de líquido. Na Foodz, é isso que fazemos: extraímos o melhor dos alimentos em uma bebida”, completa.

O objetivo é fazer com que todas as pessoas tenham provado a Foodz pelo menos uma vez na vida. A estratégia será fazer degustações em espaços de coworking e parques, além da chegada ao varejo. Rompendo a primeira barreira, Morgan quer chegar a outros países das Américas entre o final de 2022 e início de 2023. A expansão deve ser impulsionada por uma rodada de investimentos, com a qual Morgan espera levantar entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões.

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