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O inverno dos venture capital. Diminuição das rodadas. Demissões em massa. Aviso da Y Combinator mandando “correr para as colinas”. O cenário mudou e a pergunta para muitos é se a “festa” dos investimentos, ou dos super investimentos (algo que atingiu recordes históricos em 2021) está desanimando.

“Apagaram-se algumas das luzes, a música baixou um pouco, e algumas pessoas vão ser expulsas desta festa”, respondeu com bom humor Guilherme Lima, da Astella Investimentos, durante painel no Startups Fever.

Segundo o investidor, o mercado deu uma virada em termos de liquidez, e não vai ter capital para todo mundo. E mais: é algo que não se sabe ao certo até quando vai permanecer.

“As conversas todas (no mercado) estão sendo de downround”, avaliou Rodrigo Dantas, CEO da Vindi, durante o painel. Segundo o executivo, startups de SaaS com avaliações de crescimento de 50 vezes vão ficar no passado, e as empresas que captaram grandes rodadas baseadas nesta onda são as que mais podem sofrer com isso.

“As empresas que mais estão demitindo são as que mais buscaram investimento pra sustentar seu crescimento”, afirmou Dantas, fazendo alusão às recentes ondas de cortes em unicórnios como QuintoAndar, Facily e Ebanx.

Apesar da austeridade, o quadro não chega a ser de pessimismo, e sim de reorganização. Pelo menos isso é o que apontou o CEO da EasyB2B, Renato Ferraz. “É preciso saber navegar nas subidas e nas descidas”, destacou o executivo, apontando que o Brasil (e a América Latina) pegou nos últimos dois anos o final da festa que começou nos EUA no início dos 2010s.

Rodrigo Dantas, Renato Ferraz e Guilherme Lima, em painel no Startups Fever

“Agora é momento importante pra parar, analisar os dados, e saber tomar decisão”, destacou Renato.

Momento de reflexão

Se no mercado de investimentos o ponto é de inflexão, para os empreendedores a hora é de reflexão. “O mercado deu uma baixada, até mesmo no número de CEOs na rua buscando investimento. Tá todo mundo parando pra entender o momento”, destacou Guilherme Lima, da Astella.

Do ponto de vista dos investidores, Guilherme enfatiza que as métricas se tornaram mais importantes do que nunca. “Tá todo mundo olhando para a eficiência das empresas e o que elas podem entregar”, apontou o investidor. “Na bolha vem o capital especulativo, daí uma hora não se sustenta mais, e o capital se torna produtivo”, completa.

“Investidores estão olhando distribuição como nunca antes, analisando se as empresas sabem mesmo como escalar”, avaliou Rodrigo Dantas, da Vindi, falando mais especificamente dos negócios de Software como Serviço (SaaS).

Apesar do susto atual no mercado, não é caso de se desesperar – ao menos isso é o que acreditam os painelistas. “Para o bom empreendedor, focado em rentabilidade e com ideias realistas, não deve faltar investimento”, afirma Renato Ferraz, da EasyB2B.

Segundo o CEO, o desafio será maior para quem está mais no alto, que terá que se reajustar, avaliar downrounds e tomar perdas ao recalcular rotas. Porém, para quem ainda quer montar seu negócio, o cenário continua interessante.

Para Guilherme Lima, o momento ainda é atrativo para empreender, mas é preciso rever alguns conceitos. “Se em 2020 era um bom momento para montar um negócio, agora o bom momento é para quem monta bons negócios. Tem tempo, ainda tem dinheiro, e tá todo mundo parando pra pensar. Partir para o pré-seed não envolve valuation”, finaliza o investidor.

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