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Quais os motivos que fazem alguém migrar das garantias de uma carteira assinada para começar uma startup? Como estar preparado para isso. Durante o Startups Fever, painelistas analisaram as dores e o prazeres de saltar rumo ao desconhecido e montar sua própria empresa.

Na visão de Natalie Zarzur, cofundadora da plataforma de compliance e gestão de casos de má conduta em empresas SafeSpace, ninguém de fato está preparado para começar a empreender. “Quando entra, ninguém tem muita ideia do que fazer. Vai aprendendo na prática”, provocou.

“É muito assustador fazer algo que você nunca fez antes. Não existe um playbook. Mas a descoberta é parte do brilho de empreender”, afirmou Natalie. Ao ver uma problemas nas culturas de trabalho das empresas onde passou – e tentar mudá-las de dentro pra fora sem sucesso – ela tomou a decisão de virar a chave e montar um negócio focado nesta mudança.

Assim como no caso de Natalie, para a COO da Education Journey, Marcela Quintella, sair da carteira assinada pra empreender nunca foi um sonho. Ex-funcionária da Loft, ela decidiu montar a edtech após uma temporada de trabalho voluntário, ensinando inglês em países na África. “Foi algo muito mais de encontrar propósito, que é de impactar pessoas com educação. Isso pesou na decisão”, explicou a executiva.

Outra que também migrou do empreendedorismo de forma gradual foi a cofundadora da legaltech Unicainstância, Sara Raimundo. Ao colaborar com um colega de UFRJ em um projeto de faculdade, a ideia ganhou corpo e virou uma startup. “Não sabia inicialmente o que estava fazendo era empreender”, brincou a executiva.

Depois de empregos em escritórios de direito no Rio de Janeiro, ela encontrou em um próprio negócio a oportunidade de maior pertencimento. “Precisava de uma chance de construir o meu próprio lugar”, afirmou Sara.

Não é fácil

Para “pedir as contas” e abrir o próprio negócio, a motivação é apenas a ponta do iceberg. Para os palestrantes, é preciso ter consciência de o risco e insegurança é um trabalho full time. “Tem que pensar com cuidado. Você está gerando risco para você. Seu CPF é sua garantia. Todo problema da empresa é seu problema”, alerta Pietro Bonfiglioli, confundador da venture builder Fisher e da plataforma de conteúdo Snaq.

“Tem dias que eu me pergunto se não devia ter continuado na CLT. Por que estou fazendo isso? Mas no dia seguinte vejo algo bacana e agradeço por ter empreendido”, brinca Marcela, falando sobre as responsabilidades que vem com o poder de ser o próprio chefe. “Um dos maiores desafios é passar segurança para os colaboradores”, complementa.

Sara Raimundo (Unicainstância), Pietro Bonfiglioli (Snaq), Natalie Zarzur (SafeSpace) e Marcela Quintella (Education Journey)

“Eu tenho 28 anos. (Tocar um negócio) é uma responsabilidade que a maioria das pessoas tem quando estão mais velhas. É necessário amadurecer rápido”, avalia Natalie.

Conforme afirma Sara Raimundo, a UnicaInstância vive baseada em três princípios: memória curta, para não se prender aos erros passados; casca grossa, para lidar com desafios e cobranças; e boa saúde, para dar conta de tudo isso. “Tem que ter a cabeça muito blindada para conseguir avançar”, afirma.

Como fazer?

Pietro reconhece que quem quer empreender é teimoso e não desiste fácil. “Eu adoro, se não eu não estaria aqui falando com vocês”, afirmou Pietro Bonfiglioli, da Fisher e Snaq. “Mas quem tiver a chance de se preparar, faça isso”, falando de adquirir a experiência – e se possível o dinheiro – para dar esse passo.

“Não poderia dizer para outras pessoas, especialmente quem também é preto, ‘vai’. Nem todo mundo tem o privilégio de passar quase um ano sem receber, como foi o nosso caso”, revelou Sara Raimundo.

Contudo, na visão dos palestrantes, existem caminhos de (tentar) estar mais preparado. “CLT ou empreender é algo muito 8 ou 80. Existem etapas no meio. Hoje é possível sair de um emprego CLT, trabalhar como PJ em uma startup e ver como é”, explica Pietro.

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