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A carteira digital para criptomoedas brasileira Bitfy quer triplicar sua operação ao longo dos próximos 12 meses. Para fazer isso, a companhia acaba de levantar uma rodada de R$ 13,3 milhões liderada pela Borderless Capital, gestora dos EUA que focada em blockchain. Também entraram a Algorand e a Dash Investment Foundation, dona da moeda DASH. Com o investimento, a companhia foi avaliada em R$ 120 milhões.

“Os 3 são muito expostos em cripto, o que dá credibilidade ao investimento e uma sinalização importante para a nossa próxima rodada”, diz Lucas Schoch, fundador e presidente da Bitfy.

Essa é a 3ª captação feita pela companhia criada pelo desenvolvedor. Em 2019 ela pegou R$ 1 milhão com investidores anjo. Ano passado, levantou mais R$ 1,4 milhão com a rede Urca Angels.

Em dois anos de atividade, a Bitfy chegou a 300 mil downloads e uma base de usuários ativos que varia de 100 mil a 120 mil por mês. O volume transacionado acumulado chega a R$ 170 milhões. O número de funcionários está na casa dos 30. As contratações serão bastante concentradas em tecnologia. Para conquistar clientes, a companhia pretende investir muito em cursos e educação.

Superapp de cripto

A proposta é criar um superapp de criptomoedas, resolvendo diferentes questões desse mundo como compra e venda, mas também o que fazer e a segurança das moedas compradas.

As criptomoedas ganharam, ao longo de 2021, um espaço no mercado financeiro como uma forma de diversificação de investimentos. Mas ainda é muito difícil ir além da reserva de valor – ou pura especulação mesmo – e usar cripto para transações do dia a dia.    

Com a Bitfy é possível usar Bitcoin, Ripple, Cardano, Ethereum, Polkadot e Dash para comprar online no iFood, no Rappi, na Hering, no Dr. Consulta e também no mundo físico, usando QR code nas maquininhas da Cielo.   

Mas o mais importante é a questão da segurança e da posse das moedas. No mundo de cripto, uma expressão é bastante comum: “not your keys, not your coins”, ou algo como “se as chaves não são suas, as moedas também não são”.

A frase faz referência às chaves privadas, um código único que dá, de fato, o controle sobre o uso das moedas. Nas exchanges, normalmente, o usuário não tem acesso a essa combinação. Isso significa que, no fim das contas, é um 3º que tem controle sobre o ativo que você comprou. Se essa pessoa for mal-intencionada, ela pode usar a moeda que você achava ser sua.  Os usuários mais preocupados chegam a usar equipamentos físicos, como pen drives e discos externos para armazenar suas chaves de forma ainda mais segura.

Segundo Lucas, a Bitfy está desenvolvendo tecnologias próprias que garantem a segurança e o controle do que está acontecendo em seu ambiente, diferentemente de alguns outros players, que usam serviços de outros.     

Tela do aplicativo da Bitfy

1,1 mil bitcoins no WoW

A relação de Lucas com o mundo de cripto começou em 2013 como uma forma de pagar por itens comprados no jogo World of Warcraft (WoW). Nas contas dele, ele chegou a gastar 1,1 mil bitcoins nessas operações. Só em um item específico, ele chegou a usar 400 moedas. Imagina se ele tivesse guardado essas moedas?

Seguindo nesse mundo, ele chegou a criar uma operação de mineração, mas saiu do mercado depois que os chineses entraram de cabeça. Na sequência, resolveu desenvolver um meio de pagamento para quem quisesse usar suas moedas em compras no dia a dia. O projeto era maravilhoso e conseguiu uma base de mais de mil estabelecimentos. Mas em 1 ano, apenas 4 pagamentos foram feitos.

Com o fiasco, Lucas resolveu aproveitar a experiência e as tecnologias desenvolvidas para lançar o que hoje se tornou a Bitfy.   

Mercado

O recente interesse por cripto fez bombar o IPO da Coinbase e atraiu olhares para outras exchanges como Mercado Bitcoin e a Bitso, que viraram unicórnios.

Na avaliação de Lucas, era natural que o mercado ganhasse toda a atenção que está recebendo agora e a avaliação é que há espaço para bastante gente. O diferencial da Bitfy, na avaliação dele, é justamente a questão da tecnologia própria, da integração de sua estrutura em nível de protocolo, não em camadas superficiais.  

“O trader pesado não vem para a Bitfy. Mas se está preocupado com segurança, vem para a Bitfy. O foco é em segurança e conveniência”, diz.

Segundo Lucas, a regulação é um caminho natural com a qual ele e a companhia estão muito confortáveis. “A hora que os grandes bancos falarem entendi, é isso, vamos fazer, eles vão ver que não é tão simples e vão ligar para o Luquinha!”, brinca ele (com um grande fundo de verdade).

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