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Supermercado online Zipp levanta R$ 3,5 milhões e se prepara para ir além do Rio

Por Gustavo Brigatto, em 19 de agosto de 2020

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Depois de quatro anos atuando apenas no Rio, o supermercado online Zipp quer ampliar seu alcance e chegar a uma nova região do país a cada seis meses.

Antes de dar esse passo, no entanto, a companhia quer reforçar sua operação atual e preparar o terreno para a expansão. Para isso, acaba de fechar uma rodada de R$ 3,5 milhões. O aporte foi liderado pela Anjos Alumni CSB – rede de investimento-anjo de ex-alunos do Colégio de São Bento e contou com a participação de investidores anteriores e de um outro grupo de investidores-anjo. Com a rodada atual a Zipp soma R$ 4,8 milhões captados desde que começou a operar no início de 2017.

Use of proceeds

Com os novos recursos, a companhia pretende melhorar vai ampliar a lista de produtos oferecidos (hoje são 4,5 mil), a cobertura na cidade do Rio e outras regiões do estado (ela já chega a Petrópolis, Teresópolis e região dos Lagos) e, segundo seu fundador, Adrian Tsallis, fazer aprimoramentos em algumas áreas, como finanças. “A área roda bem, mas não foi montada por um expert. Vamos chamar alguém, ou uma consultoria e olhar melhor para isso”, diz.

Com essa estruturação, Tsallis diz que a Zipp estará pronta para uma nova rodada de investimento de algumas dezenas de milhões de reais (série A), que vai financiar o plano de expansão. A expectativa é desembarcar em São Paulo no primeiro semestre de 2021. Além da capital paulista, há interesse por cidades como Belo Horizonte, Recife e Fortaleza.

Na avaliação de Tsallis, entrar em uma nova região tende a ser uma tarefa menos complicada uma vez que a companhia já desenhou os processos necessários para operação. “O processo de expansão é doloroso, não espero que não teremos tropeços. Mas amadurecemos muito em 4 anos. E passamos por um momento crítico com a pandemia. Não dá pra ser mais caótico do que isso. E o modelo se manteve sólido”, diz Tsallis.

Going crazy (quase)

Em meio à pandemia, Tsallis diz que várias vezes pensou que iria enlouquecer de tanto trabalhar. Com as pessoas em casa durante a pandemia, Tsallis diz que a demanda aumentou muito mais que o esperado. A receita multiplicou por cinco entre março e maio e foi necessário dobrar a equipe e o espaço para armazenamento de produtos. De junho até agora, a expansão se estabilizou, retomando aos patamares pré-pandemia (15% ao mês). Atualmente, a Zipp tem 65 pessoas e um galpão de mil metros quadrados. O tíquete médio das compras é de R$ 450, com uma recorrência de cerca de 20 dias.

“O nível de falhas aumentou, o prazo para as entregas também. Mas isso nem é tanto um problema porque olhamos muito o pós-venda, com entregadores com autonomia para tomar decisões na hora da entrega, sem precisar consultar um superior, por exemplo”, diz Tsallis.

De acordo com ele, o que o “salvou” no período foi pensar que executivos de supermercados tradicionais, que tiveram que acelerar seus investimentos no meio digital em poucos meses, estavam passando por apuros maiores que ele. “Quando encontrar um cara de uma dessas redes depois da pandemia vou agradecer a ele”, provocou.

Em seu processo de expansão, o Zipp vai acirrar a competição com as grandes redes, mas também com startups como a Shopper (investida da Canary) e o Supermercado Now (comprado pela B2W). Na avaliação de Tsallis, há ainda muito espaço para crescimento por conta da baixa penetração das compras online no mercado de supermercados. Antes da pandemia, o patamar era de cerca de 2% de um mercado de R$ 370 bilhões. Agora, o percentual está entre 10% e 12%. “É um mercado de oligopólio, não de monopólio. Ninguém tem tamanho para abocanhar tudo. E mesmo que tenha, vai ser por aquisição, não destruindo um concorrente”, diz.

O aporte

O aporte da Alumni CSB no Zipp foi liderado por Renato Ferreira (sócio da gestora MSW Capital e contou com nomes como Rafael Duton (fundador da Movile e da aceleradora 21212), Luis Justo (presidente do Rock in Rio) e Vinicius Panisset (CEO Greenpeople)

É o primeiro investimento feito pelo grupo de anjos que foi criado em junho com cerca de 80 participantes. Não há fundo estabelecido. Os negócios são feitos quando um número relevante de integrantes se mostra interessado por um ativo. O valor médio esperado para os cheques deve ficar entre R$ 600 mil e R$ 800 mil, com dois ou três investimentos feitos por ano, segundo Ferreira.

Jornalista com mais de 15 anos de experiência acompanhando os mundos da tecnologia e da inovação, com passagens pelo DCI, Sebrae-SP, IT Mídia e Valor Econômico. Fundador e Editor-Chefe do Startups.com.br.