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O financiamento a negócios de impacto socioambiental tem uma equação complexa. Ao mesmo tempo que são importantes para o planeta e para a sociedade, os recursos destinados às causas cai na categoria de doação, já que, tradicionalmente, não geram resultados financeiros. Assim, a captação de recursos acaba ficando restrita a indivíduos com muito dinheiro para investir sem pesar no bolso, ou exigindo um esforço enorme para levantar pequenas contribuições de muitas pessoas.

Mas e se esses dois interesses pudessem ser alinhados e as contribuições pudessem ter retorno financeiro? É justamente esse ovo que a Trê, plataforma que conecta investidores e negócios de impacto socioambiental, está tentando colocar de pé usando como base o empréstimo coletivo.

Também conhecido como investimento peer-to-peer, ele acontece quando vários investidores reúnem capital para financiar o empréstimo solicitado por uma empresa. A companhia pode usar os recursos para os mais diversos objetivos, como expansão nacional, aquisições e desenvolvimento de novos produtos.

No caso da Trê, a modalidade é recomendada para empresas mais maduras, com faturamento anual entre R$ 3 milhões e R$ 200 milhões que já tenham validado o modelo de negócio, tenham projeções de receitas recorrentes e estejam em momento de tração financeira.

O nome da plataforma significa fluir, em Tupi. A ideia é que o dinheiro, assim como a água, promova vida por onde flua. No caso, fluindo do bolso de um investidor para uma causa.

Como funciona?

“A Trê nasceu para ajudar iniciativas que geram uma transformação positiva no mundo”, diz Lívia Galasso, diretora da plataforma. O empreendedor se inscreve gratuitamente e encaminha o negócio para a equipe de curadoria da Trê, que avalia elementos como o porte e a maturidade da companhia, objetivos, projeções e modelo de negócio.

A proposta é ser uma ferramenta acessível o suficiente para que qualquer pessoa física possa apoiar um projeto, com a vantagem de ainda receber um retorno financeiro em cima disso. Por isso, os investidores podem depositar qualquer quantia a partir de R$ 10. “De forma geral, o investimento em negócios de impacto acontece com públicos muito seletivos, que podem aplicar um volume maior de capital. Mas nosso objetivo é que outras pessoas possam participar desse processo”, explica.

Lançada oficialmente no ano passado, a Trê já conduziu 134 rodadas de investimento, que movimentaram R$ 9 milhões aportados por mais de 550 investidores. A transação mais recente, concluída na última semana, é a da PlantVerd, startup que oferece consultoria e serviços ambientais de recuperação de áreas degradadas para construtoras, usinas hidrelétricas, portos e concessionárias de rodovias, entre outras instituições. A companhia recebeu R$ 1,5 milhão e anunciou ao Startups que abriu uma rodada complementar na expectativa de levantar mais R$ 800 mil.

Negócios investidos pela Trê

A taxa de juros do empréstimo é definida antes da transação acontecer, com todas as partes do negócio. A faixa de referência é de 9% a 15% ao ano, com carência de 3 a 12 meses. O prazo dos contratos varia entre 24 e 36. Pela intermediação, a Trê fica com 5% a 6% do valor total da captação, descontada uma única vez assim que o negócio é concluído. A iniciativa é feita em parceria com a Mova, instituição financeira regulada pelo Banco Central que cria uma ponte entre investidores e quem busca financiamento. Ela recebe 0,9% de comissão sobre o valor total da transação.

Depois da captação, a Trê faz o acompanhamento do investimento até o final do empréstimo, para garantir a cumplicidade de ambas as partes e esclarecer eventuais dúvidas para ajudar o negócio crescer. A estratégia por trás disso é simples: uma vez que a empresa avança, gera retorno para o investir e contribui de alguma forma para a sociedade.

Quais as vantagens?

“O foco está em empresas que já tenham levantado algum capital de risco anteriormente e vão fazer novos saltos de crescimento”, diz Marcos Pedote, cofundador e diretor-executivo da Trê. Ele explica que o empréstimo coletivo é ideal para negócios que ainda não querem fazer uma nova rodada, mas buscam mais dinheiro para colocar algum projeto em prática. 

Para os investidores, o empréstimo coletivo de impacto surge como uma oportunidade de tornar-se protagonista da causa que acredita. “Diferentemente de um fundo, em que o investidor coloca o dinheiro em um balde distribuído entre diferentes negócios, na plataforma ele escolhe a dedo onde quer aplicar o seu dinheiro”, observa Lívia, que considera que o grande diferencial da Trê está no foco para os negócios de impacto. 

Outro ponto que pode atrair os investidores é o fato de não haver vínculo jurídico, além das taxas e condições do acordo serem pré-fixadas antes do a transação acontecer. O investidor já aplica o dinheiro sabendo o que a empresa vai fazer com os recursos, qual será o juros e em quanto tempo terá o retorno financeiro.

Do lado dos empreendedores, a grande vantagem é engordar o caixa sem ter que diluir a participação na empresa entre outros sócios e acionistas. Lívia explica que também pode haver uma fidelização. “O investidor está apostando no negócio porque realmente acredita na causa. Pode ser tornar um cliente, entrar com smart money e dar ainda mais visibilidade para a empresa”, completa a diretora.

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