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A beautytech UAUBox se prepara para levantar entre R$ 25 milhões e R$ 50 milhões em uma captação que deve rolar até o fim do ano. A rodada, que já está nos trâmites finais de negociação, é a 1ª feita pela companhia em seus quase 4 anos de vida. De 2018 para cá, a companhia viu sua receita sair de R$ 950 mil para R$ 17 milhões. E a expectativa é de dobrar de tamanho em 2021. “O Brasil é o 4º maior mercado de beleza no mundo, mas o gasto per capita é 2,8 vezes maior do que nos EUA, que é o maior. Temos um potencial muito grande a explorar por aqui”, diz Guilherme Brunhole, fundador e presidente da UAUBox. Para efeito de comparação, nos EUA, a Ipsy tem na casa de 4 milhões de assinantes.

Segundo o fundador, os recursos da captação serão usados basicamente de 3 formas: ampliar a equipe de marketing, comunicação e branding; triplicar o time de tecnologia; e otimizar o processo logístico. “Hoje focamos muito na parte digital. Mas a UAU não é apenas uma box de beleza por assinatura. Temos a frente B2B, de conexão das marcas com o cliente ideal, e o trabalho feito com influencers”, explica.

Como funciona

A companhia opera no modelo de assinatura de caixas de produtos de beleza que são enviadas todos os meses. No cadastro, um questionário com 15 questões sobre pele, cabelo e maquiagem ajuda a montar um perfil de consumo. Hoje são mais de 150 marcas parceiras como Natura, The Body Shop, Vult, Eudora e L´Occitane. Quem assina não sabe exatamente os 4 ou 5 produtos recebidos até abrir a caixa quando ela chega em sua casa – entendeu porque o nome UAUBox?

O público é basicamente de mulheres das classes B e C que podem escolher 4 planos com mensalidades que variam entre R$ 69,90 e R$ 89,90 dependendo do período de relacionamento (12 meses, 6 meses, 3 meses ou 1 mês). A promessa é que os produtos enviados tenham valor que seja o dobro ou maior que a assinatura. Agora em setembro, a companhia lançou uma caixa premium, a Scarlet, com valores entre R$ 119,90 e R$ 159,90.


Guilherme Brunhole, fundador e presidente da UAUBox

Aliás, a beautytech está cheia de novidades, o que me surpreendeu, como ex-assinante do serviço. Há pouco mais de 1 mês lançou a plataforma UAUTeam para influencers, onde são disponibilizados diversos conteúdos e videoaulas para capacitação das criadoras de conteúdo. São 300 cadastradas atualmente e a ideia é chegar a 1 mil até o fim do ano. O foco está nas micro e nano influenciadoras, com até 500 mil seguidores. “Queremos trazer as pessoas pelo conteúdo, depois virar transacional. A competição nas mídias sociais hoje está muito grande, você tem que gerar seu tráfego próprio”, diz Guilherme.

Na mesma plataforma a influencer tem acesso a uma carteira digital para receber um comissionamento pelas assinaturas da UAUBox que trouxer. O dinheiro cai automaticamente nessa wallet podendo ser sacado para outra conta, nos mesmos moldes da 99 ou da Méliuz. O sistema foi desenvolvido em cima da plataforma da fintech Swap. “A gente une muitas pontas com a carteira. É um motivador para que elas vendam mais”, diz Guilherme.

Nesta semana, mais novidades. O site ganhou uma tecnologia de reconhecimento facial chamada Se Descubra. A assinante manda uma foto de rosto e a tecnologia identifica 8 características de sua pele e cabelos. Assim, são feitas sugestões de produtos adicionais para a cliente comprar, além dos que já vierem na box do mês. Também foi lançada a página UAU Store, disponível no perfil do usuário, onde é possível comprar os produtos sugeridos. Confesso que deu até vontade de voltar a assinar a box.

Evolução da UAUBox

A UAUBox nasceu em 2018 como um site super simples, feio pra caramba, (nas palavras do próprio fundador…rs), um MVP basicão com um bootstrap de R$ 20 mil. As primeiras clientes vieram através da divulgação da marca em grupos de beleza e maquiagem no Facebook. Com um crawler basicão, Guilherme olhava os sites com os preços de produtos de beleza mais baratos e comprava para montar as suas caixas. “No 1º ano, me dividia entre a UAUBox e a Movile, onde trabalhava com inteligência e análise de dados. Na metade de 2019 participei de um programa de mentoria e o negócio começou a decolar, chegando a crescer até 40% ao mês”, lembra.

No fim daquele ano ele então decidiu sair da Movile, onde ficou por quase 5 anos, e se dedicar totalmente à sua startup, definindo os valores e pilares da UAUBox. Resiliência, inovação e empatia são alguns dos 8 valores, e autoestima, conhecimento e empoderamento são os 3 pilares. Com o modelo e a proposta do negócio definidos, o site “basicão” ganhou uma tecnologia de machine learning responsável por montar a melhor combinação de produtos para cada assinante. Hoje a operação conta com 70 pessoas, sendo 65% mulheres.

Segundo Guilherme, uma evolução natural da companhia será desenvolver sua linha de produtos própria – que ajuda a melhorar as margens. Mas esse não é um plano para agora.

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