fbpx
Compartilhe

Todo dia você lê aqui no Startups sobre mais 1, ou 2, ou 3 novos aportes feitos em startups no Brasil e em toda a América Latina. O interesse é crescente e vem a despeito das costumeiras instabilidades políticas e econômicas da região. Afinal, são 600 milhões de pessoas, com uma população jovem e sérios problemas a serem resolvidos. Tomar o risco faz sentido porque a possibilidade de retorno é alta. E eles começam a vir com os movimentos de fusão e aquisição e de IPO de companhias.

Mas vamos colocar as coisas em perspectiva. Em menos de 5 anos, o volume de investimento anual em startups na América Latina subiu 13x, passando de US$ 937 milhões em 2016 para US$ 13 bilhões até agosto de 2021. Ao todo, as companhias iniciantes da região receberam mais de US$36 bilhões em aportes feitos por fundos e investidores. O Atlantico estima que o número pode passar de US$ 18 bilhões até o fim do ano.

Ao todo, foram 5.175 rodadas de investimento, a maior parte delas com cheques de até US$ 1 milhão, sendo que a maior parte das rodadas se encaixou no estágio mais inicial de desenvolvimento das companhias, o seed. Os dados compilados pelo SlingHub são um claro reflexo do estágio inicial de desenvolvimento do mercado, com as primeiras apostas sendo feitas.

E como estamos falando de América Latina, não dá para não falar de desigualdade e concentração. De todo dinheiro que circulou no mercado até agora, quase 40%, ou US$ 14,1 bilhões ficou concentrado em 10 rodadas. Destas, 7 são empresas brasileiras, que juntas arrecadaram US$ 9,1 bilhões.

Maior economia da região, o Brasil, obviamente, concentra o maior número de startups: 77% (17.987) das 24.409 mapeadas pelo SlingHub. Em seguida vem o México, com 1.869 empresas, 8% do total. Só em 2021 já foram investidos US$ 9,2 bilhões em startups brasileiras, representando 70% dos investimentos em startups latino-americanas no período. Por aqui são 1.389 fintechs, as quais representam 8% do total de startups brasileiras e 63% das fintechs latino-americanas. Cerca de 10% das startups da América Latina são fintechs, seguido das edtechs (6%) e healthtechs (6%).

O levantamento do SlingHub compilou dados de startups e de 656 investidores. localizados no Brasil, México, Chile, Colômbia, Argentina, Peru e Uruguai. O levantamento faz parte do esforço da companhia para se tornar o principal fornecedor de informações sobre o mercado na região – ou o Crunchbase latino.

Fábrica de unicórnios

O Brasil ainda se destaca como fábrica de unicórnios – 60% dos 34 unicórnios latino-americanos nasceram por aqui, 17% argentinos e 11% mexicanos. Mas se puxarmos antes de 2018, o cenário era outro. Por mais de uma década, a Argentina foi o único país latino-americano a produzir unicórnios: Mercado Livre (2007) e Decolar (2017).

Foi há 3 anos que a coisa mudou, quando 7 startups brasileiras ultrapassaram valuation de US$ 1 bilhão: 99, Arco Educação, Ascenty, iFood, Nubank, Pag Seguro e Stone. No mesmo ano, Colômbia e Mexico também entraram para o time de países com unicórnios.

Considerando 2021, surgiram 13 unicórnios na América Latina – 6 no Brasil (Creditas, MadeiraMadeira e Unico são alguns deles), 6 na Argentina, Chile e México (2 em cada país) e 1 no Uruguai. Enquanto os 15 maiores investidores de unicórnios são americanos, a japonesa Softbank é a máquina mais acelerada – investiu em 13 dos 34 unicórnios da América Latina.

Fusões e aquisições

O Brasil também é o país mais ativo se considerarmos fusões e aquisições: 83% de todas as startups adquiridas na América Latina são brasileiras. O número de aquisições possivelmente baterá seu recorde em 2021. Foram 200 startups adquiridas em 2020, porém, até agosto deste ano, 195 startups latino-americanas já passaram por este processo.

“M&A é um movimento forte que replica o que acontece lá fora. Grandes empresas se sentem ameaçadas por startups. Google e Facebook, por exemplo, compram mais de 1 startup todo mês é há um bom tempo”, reforça João Ventura, presidente da Sling Hub e investidor de startups como QuintoAndar e Revelo.

Para a surpresa de ninguém, a rede de varejo Magalu é a maior compradora de startups latino-americanas. Já são 25 empresas para a conta. Fora o Brasil, a Argentina é o único país da região a figurar na lista dos maiores compradores de startups.

ANÁLISES

Veja todas as análises