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A plataforma brasileira de equity crowdfunding Vegan Business está se preparando pra levantar até R$ 4 milhões para investir em startups early-stage focadas no mercado plant-based ainda em 2022, com planos de aumentar o tamanho das rodadas e expandir internacionalmente.

Fundada em 2018 pelo empreendedor e investidor-anjo Christian Wolthers, a Vegan Business começou como um portal com conteúdos sobre negócios e inovação na indústria de alimentação à base de vegetais. Depois de construir uma comunidade interessada no setor e aproximar-se do fundo britânico Veg Capital como coinvestidor e consultor de investimentos, a VB se transformou em uma plataforma de crowdfunding de ações e recebeu aprovação regulatória para operar em outubro de 2021.

Na próxima semana, a base de mais de 1.000 investidores que se inscreveram para apoiar as startups selecionadas pela Vegan Business receberá detalhes sobre a primeira rodada de crowdfunding. Nessa primeira captação, uma empresa de cosméticos vai buscar uma arrecadação de R$ 460 mil. Segundo Christian, nos próximos meses 4 empresas em estágio inicial de setores como foodtech – incluindo empresas que atuam em segmentos como carne à base de células – e moda, com faturamento entre R$ 20 mil e R$ 100 mil, farão um total de 8 rodadas de financiamento pela plataforma.

De acordo com o executivo, a VB projeta fechar 12 rounds em 2023 e aumentar o tamanho das rodadas. Atualmente, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) estabeleceu um limite de R$ 5 milhões para plataformas de equity crowdfunding – os atores do ecossistema esperam que o volume aumente para R$ 10 milhões em breve. No próximo ano, a empresa também tem planos de construir uma plataforma em inglês e levantar uma nova rodada de captação para sustentar seus planos de expansão.

O principal objetivo da Vegan Business, segundo seu fundador, é permitir que negócios plant-based com potencial de crescimento global recebam fundos. No entanto, hoje a plataforma só consegue levantar capital para empresas brasileiras, embora investidores estrangeiros possam investir. Segundo Christian, a jurisdição mais favorável para o back-end da plataforma global ainda não foi definida.

“Nós operamos com base em 3 pilares: mídia, equity crowdfunding e consultoria. Isso pode apoiar os esforços da empresa de diversas formas, e é isso que queremos replicar globalmente”, diz o executivo.

Ele afirma que o conteúdo veiculado pela Vegan Business, que atrai 70 mil page views por mês, contribui para atrair leads e o interesse dos investidores. “Não estaríamos aqui se não fosse pela comunidade que construímos por meio de conteúdo. Isso também ajuda as empresas a levantar capital e divulgar seus negócios – somos únicos nesse aspecto”, completa.

Já tendo levantado R$ 1,7 milhões em uma rodada seed em 2021, a VB pretende coinvestir em todas as empresas que captarem recursos em sua plataforma. Além disso, Christian, ao lado dos cofundadores Nadia Gonçalves e Grant Lingel, também investirá seu próprio dinheiro como pessoa física. O empreendedor conta que a companhia terá uma abordagem hands-on no desenvolvimento das startups de seu portfólio.

Diferente da taxa média de 15-17% cobrada pela maioria das plataformas de crowdfunding de ações, o VB cobra uma comissão de 10% dos investidores, de acordo com Christian. “Queremos democratizar a possibilidade de investir em negócios [veganos]”, diz, acrescentando que o ticket mínimo de investimento é de R$ 1.000.

Mudança de lifestyle

As raízes da Vegan Business datam de 2017, quando Christian descobriu que seria pai. O empresário dinamarquês-brasileiro, que já estava próximo do debate sobre estilo de vida saudável como fundador da plataforma de meditação e bem-estar Zen, decidiu dar um passo além e abraçar o veganismo.

“Conforme refletia sobre como educar uma criança, comecei a pensar sobre coisas que poderia melhorar na minha própria vida para ser mais coerente e um exemplo real para minha filha. Nesse momento, parei de comer carne, doei todas as minhas roupas que tinham algum componente animal e nunca olhei para trás. Hoje, minha família inteira é vegana”, diz o empreendedor, que tem 2 filhos e é casado com Juliana Goes, jornalista e influenciadora digital que cofundou a Zen com Christian em 2016.

O que ele não esperava era que a mudança no lifestyle também traria uma guinada em sua vida profissional. Criado como uma atividade paralela enquanto Christian ainda era CEO do Zen, função que deixou em outubro de 2021, a Vegan Business tinha como objetivo acompanhar a evolução do empreendedorismo, financiamento e notícias de inovação no cenário brasileiro de negócios plant-based.

“Eu costumava viajar bastante para a Califórnia e também ficava alguns meses do ano na Dinamarca e Inglaterra. Nessas viagens, percebi a tração que os alimentos de origem vegetal estavam tendo e como as pessoas abraçavam o mercado, enquanto no Brasil isso estava apenas começando”, observa.

“Na época, tínhamos muito conteúdo ativista por aqui, abordando o veganismo em sua essência. Pensei que minha forma de fazer ativismo seria unir esse tema com coisas que eu amo, como empreendedorismo, inovação e investimento em venture capital.”

Enquanto procurava um redator de conteúdo para o site, ele conheceu Gonçalves, que estava em transição para o veganismo e em busca de uma mudança de carreira. Lingel, um escritor e consultor que anteriormente atuou como CEO da Neil Patel Digital para a América Latina se juntou à dupla no ano passado.

Foco na comunidade

À medida que Christian mergulhava no veganismo, ele mudou sua tese de investimento-anjo para apoiar apenas empresas do setor, a primeira sendo a Super Vegan, fabricante de chocolates com sede em Santos (SP). Ele continuará investindo como anjo, além de manter suas atividades no equity crowdfunding.

A Vegan Business deve manter o fundador ocupado. Até janeiro de 2023, Christian espera ter concluído com sucesso as rodadas planejadas para 2022, estar preparando o primeiro round acima de R$ 1 milhão e avançar rumo à expansão global. Ele também quer reunir um grupo de indivíduos qualificados que possam apoiar as rodadas de crowdfunding com mais do que apenas capital.

“Esperamos atrair investidores capazes de ajudar as empresas nas quais investiram [além do dinheiro]. O equity crowdfunding tem tudo a ver com comunidade”, aponta Christian, em referência a investidores como influenciadores digitais com “poder de distribuição”, que possam ajudar as empresas investidas a ter mais visibilidade.

Segundo o empreendedor, construir essa rede é justamente um dos principais desafios da companhia. “Teremos que aumentar nossa comunidade de investidores ao longo de 2022 e gerar interesse para que as pessoas queiram olham para [o mercado de negócios plant-based]. Assim como em qualquer empresa de capital de risco, também temos o desafio de encontrar os negócios certos,” diz o empreendedor. “Estamos confiantes de que chegaremos lá, a ponto de, eventualmente, levantar rodadas ainda maiores.”

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