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Se até aqui oferecer participação acionária era uma forma de startups atraírem talentos, agora, dar formas de vender essa participação também começa a se tornar um diferencial. A fintech Velvet, que atua na compra e venda de ações de startups no mercado secundário, acaba de lançar um benefício corporativo que visa dar liquidez para colaboradores e acionistas de empresas em estágio avançado. Batizada de Velvet 360º Program, a solução já tem acordos de ofertas secundárias recorrentes com 4 startups: Neon (Brasil), Lummo (Indonesia), Open (Índia) e Credijusto (México).

A iniciativa permite que funcionários que possuem stock options ou participação acionária nas empresas transformem as ações em recursos financeiros por meio de ofertas semestrais. Isso significa que eles não vão precisar esperar janelas de liquidez como um rodada ou um M&A para ver o dinheiro entrando no bolso.

O processo é feito com o apoio dos fundadores e diretores de cada organização para determinar as regras de elegibilidade, porcentagem de venda e precificação das ações. Nos próximos 12 meses, a expectativa é movimentar US$ 200 milhões, impactando de 30 a 40 empresas no mundo (sendo aproximadamente 10 no Brasil)

“Em muitos casos, os colaboradores de startups de alta valorização não têm uma participação líquida. Os funcionários têm necessidade de comprar uma casa, estudar e complementar a carreira, mas muitas vezes não têm dinheiro para isso. No entanto, têm uma porcentagem grande do seu patrimônio amarrado ao equity da empresa em que trabalha. O que estamos fazendo é liberando um pouco esse valor para que a pessoa consiga de fato ter liquidez para melhorar a sua vida”, afirma Carlos Naupari, cofundador da Velvet, em entrevista ao Startups.

Segundo o executivo, o 360º program tem como grande vantagem para as empresas a atração e retenção de talentos por meio da verdadeira tangibilização dos stock options. O benefício, pontua Carlos, agrega valor à empresa e faz com que ela saia na frente na hora de reter e atrair talentos. “A companhia também tem um certo controle, uma vez que pode dizer exatamente quanto cada funcionário pode liquidar da sua participação”, completa.

A Velvet faz uma seleção rigorosa das startups que podem aderir ao programa. “Estamos escolhendo empresas de uma forma muito exclusiva, o que torna o benefício ainda mais diferenciado”, afirma Carlos. Os critérios incluem companhias com valorização acima dos US$ 500 milhões, investidas por grandes fundos globais, como Andreessen Horowitz, Kaszek e Monashees.

Edouard de Montmort, também cofundador, afirma que a fintech pretende incorporar, ainda em 2022, produtos de empréstimos com garantia nas ações que estão prometidas, mas ainda não estão liberadas para o colaborador ou invetidor (as vested options) e também de financiamento para quem quiser exercer direito de compra de ações (o strike price acquisition). Os novos recursos começarão a ser testados nas próximas semanas, e provavelmente serão integrados ao portfólio até o fim do ano.

“Uma grande parte dos option holders não tem a liquidez para exercer a compra das opções e muitas vezes acabam as abandonando quando saem das empresas. Existem dezenas de milhões de dólares que voltam para a tesouraria das startups pelo não-exercício das opções pelos seus holders – isso é um verdadeiro pain point [dor do cliente] do ecossistema que vamos resolver”, explica, em comunicado.

O objetivo da Velvet é, em alguns anos, se tornar a carteira dos colaboradores que estão recebendo liquidez através do 360 Program. “Muitas vezes os stock options holders estão entre os maiores investidores da empresa, e não faz sentido ter 100% do patrimônio investido na startup que você trabalha. A Velvet será uma opção de diversificação do portfólio dos stock option holders de hoje através de um wallet que facilitará a compra e venda de ações privadas”, acrescenta Edouard. 

Os executivos fundaram a Velvet em setembro de 2021. Apesar de nova, a startup já fechou 2 rodadas de investimento. Com a seed, concluída no ano passado, a companhia levantou US$ 3 milhões da Global Founders Capital. Em fevereiro deste ano, mais um aporte, de US$ 200 milhões. O investimento foi liderado pela Yolo Investments, com participação de family offices da Suíça e dos Estados Unidos.

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