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Inspirar, capacitar e conectar jovens ao ecossistema empreendedor. Esses são os pilares da Vortex, rede de ligas universitárias de empreendedorismo que apoia a criação de novos negócios no Brasil.

Fundada em 2020, a organização sem fins lucrativos busca fortalecer as associações estudantis e criar oportunidades para futuros empreendedores. As ligas desenvolvem workshops, mentorias, eventos, hackathons e programas de aceleração que conectem jovens com o ecossistema e fomentem a criação de startups nas universidades.

No Brasil, a estimativa é que 60% dos jovens com até 30 anos querem ser empreendedores, segundo levantamento realizado pela Globo no ano passado. As principais razões são se tornar independente financeiramente (67%), ter mais autonomia (39%), ter tempo mais flexível (33%) e oferecer um produto/serviço inovador no mercado (31%).

“Muitos jovens querem empreender, mas dizem que a faculdade não os prepara para esse caminho”, afirma Fernando Guerreiro, cofundador da Vortex. Estudante de Economia na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Fernando teve a ideia de criar a rede depois de analisar essa tendência na Inglaterra e nos Estados Unidos.  “É um movimento muito forte em outros países. As ligas promovem habilidades práticas que desenvolvem o estudante e todo o ambiente em volta dele.”

Por aqui, no entanto, o cenário ainda não é tão maduro quanto no exterior. Segundo Fernando, cada liga universitária na Inglaterra tem em média 160 jovens – no Brasil são cerca de 11. Uma estratégia para estimular os jovens a participarem é organizar eventos e meet-ups com empreendedores que fundaram startups e podem compartilhar suas experiências. Esses empreendedores também oferecem sessões de mentoria e oportunidades de networking.

Para fomentar essas conexões, a Vortex fechou parcerias com a UniAngels, grupo de investidores-anjo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e com o Programa Ideaiz da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec). A rede tem apoio institucional do Projeto Comunidade 645 do Sebrae For Startups e da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), além de uma parceria com a Universidade Estadual Paulista em Franca (Unesp) para auxiliar jovens a criarem ligas de empreendedorismo no campus.

Equipe da Vortex
Equipe da Vortex/Foto: Divulgação

Planos e desafios

Tendo impactado mais de 950 jovens desde sua fundação, hoje a Vortex reúne 97 ligas de empreendedorismo de 100 instituições de ensino superior. No entanto, Fernando explica que a presença das ligas no Brasil ainda é assimétrica: elas estão presentes em 18 estados, mas concentradas no sudeste do país, principalmente em São Paulo. “Tem regiões com muitas ligas. Outras têm apenas uma ou nenhuma. Nosso primeiro desafio é furar a bolha”, diz o empreendedor.

Para reverter esse cenário, a Vortex quer apoiar a criação de novas ligas conectando-se com universidades públicas e privadas de todo país e oferecendo treinamentos para os jovens que assumam a liderança nas associações. Até o fim do ano a projeção é quintuplicar o número de jovens impactados e chegar a 115 ligas e 130 universidades na rede.

Outro desafio é mostrar para empresas que vale a pena apoiar as ligas e que os resultados podem beneficiar todos os agentes do ecossistema. Sem revelar valores, Fernando conta que a Vortex está buscando investimento de empreendedores de peso no mercado. Os recursos serão revertidos nos projetos desenvolvidos pelas ligas e em bolsas de estudo para os jovens da rede.

Embora já esteja em negociações com alguns empreendedores, nomes e mais informações devem ser reveladas só no fim do ano. “Como estamos falando com os jovens de todo o país, a gente não quer ter só homens cis e brancos – queremos investidores bastante diversos”, diz Fernando. O objetivo é que 50% dos investidores sejam de algum grupo de diversidade, como mulheres, pessoas negras, indígenas, LGBTQIA+ e fora do eixo Rio-SP. E a Vortex só vai avançar quando chegar nessa meta.

Criando startups

Promovendo a criação de novos negócios, as ligas de empreendedorismo podem ser fortes parcerias do ecossistema de startups. “Tem uma questão forte de talento. O jovem que sai das ligas pode trabalhar em startups ou fundar a sua própria empresa. É uma forma de unir a universidade e o mercado gerando oportunidades para todo mundo”, pontua Fernando.

Peguemos como exemplo a Worc, plataforma de empregabilidade que conecta profissionais a bares e restaurantes renomados. A startup recebeu um cheque de R$ 20 milhões do SoftBank no ano passado – mas sua história começa antes disso. Durante a faculdade, o fundador e presidente Alex Apter fez parte da liga de empreendedorismo da Fundação Getulio Vargas (FGV), uma experiência que, segundo ele, foi essencial para a trajetória da companhia.

“Foi a experiência acadêmica mais relevante que eu tive. Foi nela que conheci mentores e fundadores de unicórnios, que depois viraram sócios e investidores da Worc”, afirma Alex. Ele argumenta que se não fosse pelas conexões e ensinamentos das ligas, teria demorado muito mais para fazer a Worc chegar onde ela está hoje. “Os movimentos de liga empreendedorismo universitários são um passo determinante para o futuro do empreendedorismo no país”, pontua.

Ana Raquel Calhau Pereira, presidente e cofundadora da NexAtlas, plataforma de planejamento de voo e navegação aérea para pilotos da aviação geral, define a experiência nas ligas universitárias como “um laboratório”. Ela fez parte do Centro de Empreendedorismo da Universidade Federal de Itajubá (CEU) de 2013 a 2019.

“É uma formação que me deu muito mais do que eu conseguiria apenas seguindo o currículo da universidade”, afirma. Ana ressalta que na liga teve a oportunidade de gerir equipes, trabalhar com marketing e vendas, organizar processos seletivos e me conectar com muitas pessoas que até hoje são amigos e mentores. Habilidades que até hoje são fundamentais para tocar os negócios da NexAtlas.

Outros fundadores de startups que saíram das ligas são Rodrigo Tognini, presidente e fundador da fintech ContaSimples; Marcos Vinicius, da startup de recrutamento e seleção Preparo; e Guilherme Kodja, da Movêu, plataforma para criar móveis personalizados que recebeu R$ 1,1 milhão da GVAngels e Poli Angels.

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