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Se você é um empreendedor com negócios digitais e ainda não está preocupado com a privacidade e proteção de dados de seus clientes, volte 2 casas. O tema já era importante antes, mas ganhou ainda mais relevância com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados). E a partir de janeiro, vai ficar ainda mais em destaque com o início do monitoramento por parte da Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Ah, mas eu sou só uma startup, tenho que me preocupar? É sério que vou ter que reservar dinheiro para isso? A resposta para as duas perguntas é sim. Mas calma, você não precisa contratar uma Big Four ou um consultor mega estralado para fazer isso. Já tem uma startup criada para isso: a argentina Wibson. E ela acaba de desembarcar no Brasil.

A companhia criou um banner de cookies que pode ser instalado com uma única linha de código para os usuários permitiram que as empresas utilizem seus dados. A ideia original era fazer uma espécie de carteira digital de dados para internautas – na linha do que a DrumWave está fazendo. Mas a companhia percebeu que atuar no B2C seria muito complicado.

“Analisei alguns mercados globais e percebi que Japão, Coreia do Sul, os Estados Unidos e alguns países na Europa já falavam sobre privacidade, e que era uma questão de tempo para que isso chegasse no Brasil. Vimos uma oportunidade muito grande e resolvemos apostar nela”, diz Rodrigo Irarrazaval, que cofundou a Wibson ao lado de Daniel Fernandez.

Essa expansão foi possível graças ao aporte que a Wibson recebeu da Newtopia, fundo latino-americano de US$ 50 milhões criado para ajudar empresas em estágio inicial. O dinheiro será usado para contratar a equipe aqui no Brasil, que deve passar de 11 para 30 colaboradores até junho de 2022. A startup vai aumentar o time de vendas e suporte e, ainda, contratar um country manager para comandar as operações daqui.

Os planos também incluem novos desenvolvedores para criar outras tecnologias de privacidade, como um SDK. Com ela, empresas que tenham um app próprio para Android e iOS poderão fazer registros de consentimento e privacidade para melhorar a experiência dos usuários e cumprir com a LGPD.

Em vigor desde setembro de 2020, a regulamentação estabelece diretrizes para a coleta, processamento e armazenamento de informações pessoais, com o objetivo de garantir a privacidade dos usuários brasileiros. Na prática, isso quer dizer que os usuários têm que ser informados com qual finalidade seus dados são coletados pela página e autorizar (ou não) que as empresas utilizem suas informações. Em caso de violação, as instituições terão que pagar multas de até R$ 50 milhões (não é brincadeira!).

Por que pode dar certo

“A Wibson chega no Brasil em um momento muito estratégico”, considera Rodrigo, afirmando que o país vive o mesmo que a Europa em 2018, quando a GDPR (General Data Protection Regulation), regulamentação que inspirou a LGPD, entrou em vigor. “A princípio, as empresas não achavam essa legislação muito importante. Mas quando as multas ficaram mais pesadas começaram a dar atenção.” Ao mesmo tempo, os próprios cidadãos começaram a cobrar que as companhias tivessem políticas para proteger os seus dados. “Hoje, empresas europeias que não seguem a GDPR não tem uma boa reputação”. 

O empreendedor prevê que o mesmo aconteça no Brasil. Ele alerta, ainda, que no início os avisos de cookies eram banners mais simples – “Este site utiliza cookies”. Depois, passar a colocar banners inteligentes. “O usuário pode selecionar quais cookies quer aceitar, quais deseja bloquear, solicitar o acesso ou a exclusão dos seus dados. A Wibson já tem essa tecnologia. Estamos preparados para quando o mercado brasileiro precisar disso também.”

As ambições – e expectativas – da companhia são grandes: a Wibson quer se tornar o primeiro unicórnio de privacidade da América Latina. A inspiração é a OneTrust, startup norte-americana de privacidade, segurança e governança de dados.

A empresa ganhou o status mítico em 2019, após sua primeira rodada de financiamento. Uma série A de US$ 200 milhões liderada pela Insight Partners, de Nova York. No ano seguinte, já havia quintuplicado o valutation, fechando uma série C que a avaliou em US$ 5.3 bilhões.

“A empresa cresce muito rápido. Surgiu em 2016, virou unicórnio em 2019 e já vale mais de US$ 5 bilhões. Isso também pode acontecer na América Latina em pouco mais de 4 anos se houver um plano de negócio ambicioso”, diz Rodrigo.

Para consolidar os planos, a Wibson aposta em parcerias estratégicas. Em 2022, quer integrar suas soluções às principais ferramentas de criação e hospedagem de sites, como Nuvemshop, Wix e WordPress. Os clientes desses sites poderão contratar o produto da Wibson com maior rapidez e facilidade. A projeção é fechar 2022 com mais de 75 mil sites com seus banners de aviso de cookies.

“Nosso diferencial está na experiência do usuário. As empresas podem personalizar os banners para ficarem da mesma aparência do site. Não fica algo esquisito e deslocado”, explica Rodrigo. Ele afirma que o software da Wibson é de 3 a 4 vezes mais leve do que das concorrentes.

A criação de novas tecnologias, como o SDK, também será importante para escalar a companhia, assim como a expansão para outras regiões da América Latina, começando por México e Colômbia depois de consolidar os negócios no Brasil. A expansão deve acontecer depois que esses países atualizarem suas regulamentações de privacidade o que, na expectativa da Wibson, deve acontecer em 2023.

Os planos serão encabeçados por um novo aporte. A startup espera levantar US$ 2 milhões de fundos europeus, latinos e norte-americanos no primeiro semestre de 2022. Segundo Rodrigo, um fundo brasileiro, ainda não revelado, deve fazer parte dessa rodada. “Estrategicamente, queremos mostrar que somos brasileiros. Uma empresa que pensa como o Brasil, está envolvida com o país e tem esse como seu principal mercado no continente. Estou até tentando falar mais português”, brinca.

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